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Beatriz Rodrigues

Era difícil encarar os olhos de Héctor.
Fora  da  personagem  eu  era  muito  mais  sem  graça  e  menor  do  que
gostaria.
Eu simplesmente ficava tímida, engessada, não sabia bem o que dizer ou
como  agir...  eu  precisava  controlar  isso  com  urgência.  Insinuar-me  com  um
“outro  eu”  que  criei  dentro  da  minha  cabeça  e  pude  exercitar  no  La  Chica  era
moleza.
Mas  mesmo  quando  eu  buscava  a  Sabrina  dentro  de  mim,  com  Héctor,
era difícil.
E  ele  continuava  ali,  sério,  analítico,  compenetrado.  Os  olhos  fixos  nos
meus,  seguindo  cada  movimento  que  meu  rosto  fizesse,  sua  respiração  parecia
querer roubar a minha e suas palavras me deixavam meio zonza.
— E o que é conveniente para você? — perguntei.
Droga, quase um minuto para formular uma pergunta e eu fui logo para a
merda do óbvio!
A  mão  de  Héctor  se  fechou  em  concha  em  meu  rosto  e  me  acariciou
lentamente.  Fechei  os  olhos,  presa  naquele  toque  que  começava  doce  e
rapidamente se tornava intenso, como o nascer de uma explosão.
—  Eu  já  vi  a  Sabrina  algumas  vezes  —  ele  disse.  —  Seria  conveniente
ver a Beatriz, a minha mulher, e viver bem com ela por um ano. Eu tenho todas
as cartas em minhas mãos, bebê. Então todas as possibilidades estão na mesa. A
não  ser  que  você  queira  fazer  restrições,  já  adianto  que  meu  jogo  é  sem
restrições.
O arrepio foi real. Percorreu toda a espinha.
A mão forte de Héctor me puxou e eu fui, cega, em sua direção. Senti seu
cheiro  refrescante  em  minhas  narinas  e  quase  tremi  quando  seu  lábio  veio  de
encontro  ao  meu.  Tentei  segurar  em  seu  rosto,  mas  imediatamente  ele  prendeu
minha mão contra o banco junto com o meu corpo.
Héctor Mitchell

Beatriz deu um salto do banco, eu apenas virei o rosto com toda a calma


do mundo.
Alex  bateu  freneticamente  contra  o  vidro  do  carro,  os  olhos
esbugalhados, já prevendo a carta de demissão.
Quando nossos olhares se cruzaram ele parou de bater contra o vidro e se
afastou. Abaixei a janela sem pressa e aguardei suas palavras.
— Não me demita! — foi o que saiu de sua boca.
— Isso é um pedido ou uma ordem? — retruquei.
Não me demita? — ele tentou mudar o tom.
— Desembucha, Alex! — quase dei um soco no volante.
— Foi a sua mãe, é óbvio.
Beatriz e eu  nos entreolhamos. Depois  nos voltamos para  Alex que  deu
novos passos para trás e sussurrou, de longe:
— Ela quer um casamento faraônico.



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