Protegida pelo Bilionário



Baixar 1.31 Mb.
Pdf preview
Página23/124
Encontro29.07.2021
Tamanho1.31 Mb.
#16598
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   124
@ligaliteraria Protegida pelo Bilionario - Yule Travalon (1)
Héctor Mitchell

Coloquemos  verdades  na  mesa.  Beatriz  era  estonteante  de  látex  e
máscara, com aquele ar de não ter pudores e estar disposta a tudo.
Mas de jaqueta de couro e calça jeans ela me deixava sem ar.


O  rosto  tão  calmo,  o  olhar  que  escondia  um  leve  sorriso,  o  jeito  doce  e
educado  como  se  comportava  diante  de  mim  como  se  ainda  fossemos  bons
desconhecidos  e  estivéssemos  num  eterno  flerte...  eu  não  precisava  de  muito
mais.
Depois de alguns anos, loucuras, pessoas e atos artificiais, tudo o que eu
queria era algo real.
E  Beatriz  era  o  tipo  de  pessoa  real  que  eu  estava  procurando  há  muito
tempo.
—  Um  lugar  para  cinquenta  convidados,  você  havia  dito?  —  sua  voz
ofuscou até mesmo John Legend.
Pisquei algumas vezes e redobrei minha atenção no trânsito.
— Exatamente como você sugeriu — encontrei seus olhos e esbocei uma
tentativa  de  sorriso,  devo  ter  falhado  miseravelmente.  Aquele  ato  não  me  era
comum,  então  forçar  um  sorriso  me  fazia  enrijecer  ainda  mais  o  rosto  e  ficar
ainda mais sério.
De alguma forma estranha, ainda assim, ela percebeu, ou eu acho que ela
percebeu, que eu tentei, pelo menos.
— Obrigada — suas maçãs do rosto cresceram e coraram.
—  Vamos  fazer  disso  algo  fácil  para  nós  dois  —  as  palavras  saíram
totalmente formais.
Chegamos  ao  local  onde  ocorreria  a  festa,  mas  rapidamente  fui  avisado
que o endereço havia sido trocado para outro salão de eventos.
Irritado e com vontade de esbravejar com Alex, pedi que Bia ligasse sem
parar até que ele atendesse. Não houve resposta.
— Vai ver aconteceu algo... um vazamento, um problema... — ela tentou
justificar o erro dos outros para me acalmar.
—  Chamo  isso  de  incompetência  —  tive  de  pontuar.  —  Como  foi  a
conversa com a sua família?
Beatriz pareceu levemente tensa. Começou a apertar os dedos e olhar de
um lado para o outro.
— Estão animados, mas não poderão vir — ela se virou bruscamente em
minha direção. — Mas querem te conhecer, perguntaram quando você irá...
— Encontrarei uma forma de ir ver os negócios no Brasil e os visitarei —
minhas  palavras  não  pareceram  deixa-la  menos  tensa.  —  Aconteceu  algo?  Sua
amiga está bem?
— Ela está, de verdade. Tudo está bem.


— Você parece meio... alterada — não consegui encontrar uma palavra
mais adequada.
— Impressão sua.
Não demoramos muito para chegar ao novo salão. Já no estacionamento
eu  quis  bater  com  a  cabeça  no  volante  tamanha  a  raiva  daquela  mudança
inesperada. Alex havia me garantido pela manhã que tudo estava pronto e agora
tudo havia mudado às pressas?
— No contrato — Bia roubou minha atenção. — Falava sobre não haver
abusos, de nenhum tipo...
Tirei  o  cinto  de  segurança  e  voltei-me  em  sua  direção,  para  dar-lhe
completa atenção.
— Sim.
— E não especificava quando ou como teríamos que fazer... você sabe...
Hum.
— Então como vai ser?
— Como vai ser o quê? — arqueei a sobrancelha.
—  Você  disse  que  haveria  sexo  selvagem  ou  algo  assim.  E  no  contrato
não especificava quando eu seria obrigada a fazer sexo com você...
— Por que você não precisa ser obrigada — concluí.
— Então... bem... quando vamos fazer? — ela virou o rosto para a janela.
— Quando você quiser fazer — concluí, parecia bem óbvio para mim.
— E... bem... hum, quanto a você? Quando você vai querer fazer?
— Eu quero fazer desde a primeira vez que te vi, três meses atrás.
Agora sim ela ficou vermelha. De verdade.
—  Devo  confessar  que  me  surpreendi.  Pensei  que...  você  sabe...  por
causa  dos  filmes  e  livros  eu  encontraria  um  contrato  pormenorizado,  cheio  de
detalhes  sobre  algemas,  levar  palmadas,  ser  suspensa,  vendada...  —  ela  se
encolheu. — Essas coisas...
— E você queria que essas coisas estivessem no contrato? — retruquei.
Beatriz  abriu  a  boca  para  falar,  mas  preferiu  ficar  quieta.  Apertou  as
costas contra o banco e olhou para o lado oposto.
Eu,  por  minha  vez,  busquei  o  outro  lado  da  sua  face  e  a  puxei  de  volta
para mim, para que nos encarássemos.
— A vida é como um jogo de cartas — eu a informei. — Todas as cartas
estão na mesa. Ou nas mãos dos jogadores. E eles jogam como é conveniente.




Baixar 1.31 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   19   20   21   22   23   24   25   26   ...   124




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal