Protegida pelo Bilionário


Capítulo 8 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 8
Beatriz Rodrigues

Recebi os advogados  de Héctor no  apartamento que ele  havia me dado.
Li  nosso  acordo  diversas  vezes  e  fiquei  muito  mais  tranquila  em  perceber  que
todas as minhas exigências estavam asseguradas ali.
Ele  não  fazia  nenhuma  exigência  esdrúxula  e  deixava  claro  e  bem
sublinhado  que  me  protegeria  acima  de  qualquer  coisa  e  não  permitiria  que  eu
sofresse  abusos  físicos,  psicológicos  ou  de  quaisquer  outros  tipos.  Isso  foi  a
cereja do bolo.
Fiquei nervosa, sim, no dia em que o vi avançar em meu corpo.
Ter outras mãos que não as suas em seu corpo pode ser bem invasivo a
primeira vez e eu me assustei.
Mesmo  no  “La  Chica”  haviam  limites,  e  eu  era  a  fantasia  de  todos
aqueles  homens  porque  podia  provocá-los  e  eles  nunca  podiam  passar  dos
limites estabelecidos.
Eu sabia que uma hora ou outra eu teria de perder a minha virgindade “de
verdade” ou “de modo convencional/tradicional”, mas como toda boa garota de
interior, eu esperava que fosse especial.
Na sala dele em cima da mesa não parecia nada especial. Mas eu fiquei
ofegante,  molhada,  quando  o  vi  se  afastar  quase  implorei  para  que  acabasse
comigo de uma vez.
Mas  ele  me  respeitou,  conseguiu  segurar  seu  próprio  instinto,  dar  um
passo atrás e mostrou que tudo ocorreria ao seu tempo.
Foi assim que Héctor começou a se tornar especial.
Eu tinha medo, sim, de me casar por contrato e acabar sendo abusada ou
sei lá quais coisas horríveis podem ocorrer em situações do tipo.
Mas  o  contrato  deixava  claro:  sem  abusos  psicológicos,  sexuais  ou  de
quaisquer outros tipos.
Deixava,  obviamente,  claro  e  sublinhado  também  que  o  sexo  não  era
opcional. Como a mulher de Héctor eu precisava cumprir todas as funções que
me fossem designadas, inclusive essa.
O pouco que eu conhecia dele me deixou confiante de que nada ruim iria
acontecer.
Eu assinei.


Deixei  minha  rubrica,  devolvi  uma  das  cópias  para  seus  advogados  e
recebi  meu  cartão  ilimitado.  Guardei  aquilo  na  bolsa  como  se  fosse  uma  joia
rara.
— Não teria sido melhor se casar com o Brown? — Hillary decidiu soltar
sua inquietação.
Percebi que ela guardava algo de mim, que queria me questionar isso há
um tempo, então deixei que fizesse sem pressão.
— Por que você pergunta isso? — retruquei.
— Ele não é um homem tão refinado quanto o Héctor, mas poderia nos
proteger.  E  nós  já  o  conhecíamos,  sabíamos  de  sua  índole...  você  tinha  certeza
que com ele não haveriam abusos, só teria de lhe dar um filho...
— Eu não sei se quero ter filhos — cruzei os braços. — Não sei se estou
pronta para ser mãe — torci o nariz.
— Mas amiga, esse era o valor para seu green card!
— Achei a proposta de um ano de casada com um cartão sem limites e
outras mordomias muito mais tentadoras — desabafei.
Na verdade era muito mais do que isso. Héctor era bonito, tinha aquele ar
de  homem  moderno,  da  grande  cidade,  empresário  bem-sucedido  e  chefe  de
milhares  de  pessoas.  Assim  como  aparentava  ter  um  jeito  bruto,  selvagem  e
indomável como um homem do interior.
Ele  me  dava  calafrios.  Ele  me  deixava  acordada  de  noite  pensando  em
como seria bom ultrapassar os meus medos e me entregar...
— Mas o Brown...
—  Hillary,  estou  começando  a  achar  que  quem  tem  interesse  no  Brown
aqui é você.
Hill vira o rosto e finge que nem falei com ela, fica vidrada em sua série
sobre assassinatos.
— Depois da sua festa de casamento vamos morar nos Hamptons? — ela
me chama minutos depois, como se eu já tivesse esquecido as últimas partes da
conversa.
— Sim, ele tem uma mansão de luxo por lá. Você vai se comportar, hein!
Nada de bancar a maluca!
 Meu  Deus,  que  coisa  absurda...  um  dia  estávamos  no  Brooklyn
dividindo apartamento e agora vamos ser vizinhas de celebridades...
— Pois é... um dia estávamos nós três, juntas, trabalhando em um clube
noturno e não sei em que momento as coisas desandaram — me empertiguei no


sofá.
—  Clair  precisava  de  dinheiro...  ela  começou  a  se  meter  com  coisa
errada...  —  Hillary  disse  num  tom  infantil,  até  se  encolheu.  —  Você  acha  que
eles estão atrás de nós? Será que ainda corremos perigo? Quando você saiu para
ir  ver  o  senhor  Mitchell,  sentiu  que  tinha  alguém  te  perseguindo?  —  ela  foi
disparando as perguntas uma atrás da outra.
—  Fui  escoltada  por  seguranças,  não  tive  tempo  para  sequer  ver  as
pessoas ao meu redor.
— E sobre o casamento? — ela decidiu mudar bruscamente de assunto.
— Está animada?
Animada não era bem a palavra... mas eu estava mais segura sobre tudo.
Casando-me com Héctor eu deixaria de estar na ilegalidade. Teria dinheiro para
poder usufruir da vida nos EUA e estaria totalmente protegida e resguardada. Eu
me sentia em paz, ou pelo menos, em processo de estar em paz.
Ouvi o barulho de nova mensagem no celular e o peguei para conferir.
Era Héctor.
“Me informaram que está tudo pronto para a festa de casamento, assim
que quiser conferir tudo e ver se é do seu agrado, me avise. Quero te ver.”
— É o seu dono? — Hillary provocou.
— Ele não é o meu dono — retruquei.
— Ele te faz assinar contrato e tudo. Deve ter feito umas exigências bem
malucas.
Pior que não havia. E isso me deixava totalmente intrigada.
“Quando quiser é só vir me buscar” eu enviei.
“Estou a caminho” foi o que recebi.
—  Pois  é.  Algemas,  chicotes,  mordaça,  ser  suspensa...  essas  coisas  que
homens poderosos querem com moças virgens — falei.
— Eu sei, eu assisti Cinquenta Tons de Cinzas, miga — Hillary concluiu
e continuou presa à televisão.


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