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Héctor Mitchell

A tela preta do celular ligou. Mais uma mensagem.
“Me diga que tudo isso não passa de uma brincadeira. Você não vai se
casar com uma prostituta, vai, Héctor?”
Minha  mãe  ainda  não  aceitou  o  fato  de  que  Beatriz  é  a  mulher  que
escolhi.
Desde o nosso último encontro há quatro dias, ela tem plantado moças da
alta  sociedade  nova-iorquina  no  meu  prédio,  no  meu  trabalho,  até  nos
restaurantes que frequento.
As  mulheres  se  insinuam,  mostram  que  tem  bastante  interesse  e  que
podem  ser  boas  candidatas  para  passarem  365  dias  casadas  comigo  ou  pelo
menos até o meu pai acordar e rir da minha cara.
Mas Beatriz não é uma opção descartável. Há algo especial nela.
A  tensão  entre  nós  é  algo  genuíno,  uma  fagulha  que  chispa  e  incendeia
dentro  de  mim,  que  tira  minha  completa  atenção  dos  meus  afazeres  e  me  faz
pensar que não seria tão mal viver com uma pessoa por tanto tempo.
Uma  eternidade,  na  verdade,  um  ano  com  uma  única  mulher  parece
suicídio. Mas ela faz parecer que vai passar voando.


Desde  que  éramos  “bons  desconhecidos”  havia  algo  especial  entre  nós
dois, eu só não sabia o quê.
Ela não se insinuava, jurava amores ou tentava me convencer de nada. Só
pegava meu dinheiro, raramente me deixava tocar em seu corpo e me provocava
com  o  olhar,  como  se  uma  noite  com  ela  valesse  toda  a  minha  fortuna  e  ainda
assim eu teria que lhe dever alguns milhões.
—  Eu  preciso  saber  o  que  você  quer  —  ouço  uma  voz  fora  da  minha
cabeça.
Eu quero fodê-la. Com muita força — continuo olhando para o vazio.
Alex pigarreia alto, chega a tossir e esbugalha os olhos.
O padre, o organizador da cerimônia e o meu fiel escudeiro me encaram
entre  a  completa  surpresa  e  julgamento.  O  organizador  de  cerimônia  me  olhou
com parcimônia, então gostei ainda mais dele.
— Beatriz quer uma cerimônia simples, discreta, apenas a minha família
e amigos íntimos — pigarreio e sou o mais objetivo possível.
— Seriam quantas pessoas?
— Cinquenta pessoas, no máximo — dou o ar de seriedade e importância
que esse detalhe merece.
—  Bem  íntimo  mesmo  —  o  homem  anota  numa  prancheta  e  começa  a
fazer cálculos.
— O seu pai esperou muito por isso — o padre Anselmo diz, dirige um
sorriso paterno e gentil a mim. — Ele aguardava o dia em que você superaria os
seus próprios demônios, seu passado trágico e se abriria ao amor saudável mais
uma vez.
— Ela é stripper, padre — pouso a mão no ombro dele.
Se é para decepcionar um homem de Deus, que seja de imediato.
Uma... uma... uma o quê, meu rapaz? — o padre fica perdido.
Assim, Alex e eu deixamos um organizador com sua prancheta fazendo
cálculos  de  pessoas,  comida,  espaço  e  etc,  e  um  padre  falando  sozinho  –  ou
possivelmente com Deus –, completamente pasmado.
—  Você  é  excêntrico.  Eu  fico  me  perguntando,  por  que  não  uma
secretária que é de confiança? Uma das moças que se arrastam e correm atrás de
você  desde  os  encontros  às  cegas?  Por  que  não  uma  moça  direita,  de  família
tradicional?  Por  que  não  a  Amanda?  Há  anos  você  confiou  o  seu  filho  a  ela,
vocês têm um caso, até onde sei. Por que não ela?
— Por que agora eu sou o dono desse império — o encaro sem expressar


nenhum  sentimento.  —  E  sou  o  chefe  da  minha  família  e  da  empresa  —  o
analiso  como  olhar,  julgando-o  por  questionar  minhas  ações.  —  Essa  mulher
mexe comigo.
— Mexe com você?
—  Ela  tenta  se  cobrir  de  uma  malícia,  uma  maldade  e  uma
hipersexualidade que claramente não a pertencem... ela... é pura...
— Pura? Uma stripper? Uma...?
Ela até é virgem — murmuro.
Alex  quase  caiu.  Um  homem  adulto,  de  pé,  sem  nada  atrás  para  fazê-lo
tropeçar e se desequilibrar.
— Não brinca — ele riu em desdém.
— Ela é única de tantas formas — cruzei os braços. — Ela é inocente...
— Inocente?! — ele não esconde o choque.
— Inocente. Exatamente o oposto de tudo o que eu sou.




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