Protegida pelo Bilionário


Capítulo 7 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 7
Beatriz Rodrigues
—  Um  o  quê,  minha  filha?  Um  bilionário?  —  minha  mãe  grita  ao
telefone.
Preciso  afastar  o  aparelho  do  meu  rosto  e  aperto  os  olhos  para  me
recuperar do zumbido agudo que fica no ouvido.
— Como assim você liga da noite para o dia e diz que vai casar? E com
um  bilionário?  —  minha  mãe  tenta  abaixar  o  tom  da  voz,  o  que  aqui  significa
dizer  que  ela  continuou  falando  alto,  mas  sem  estar  com  a  boca  grudada  no
aparelho.
—  Mamãe,  calma,  é  difícil  de  explicar  —  massageio  minhas
sobrancelhas com as pontas dos dedos.
O que houve? — escuto a voz do meu pai ao fundo.
—  Beatriz  vai  casar.  Com  um  tal  de  bilionário  —  minha  mãe  repete  a
informação como se aquilo fosse uma espécie de mantra.
É cantor sertanejo isso? — meu pai puxa os “erres” nas palavras.
— Héctor, mãe. O nome dele é Héctor Mitchell — tento corrigi-la.
—  Não  é  cantor  sertanejo,  é  o  tal  do  Michel  —  minha  mãe  claramente
está conversando com o meu pai, depois retorna sua atenção para mim. — Com
o  quê  esse  homem  trabalha?  Ele  é  um  homem  de  bem?  Beatriz  Rodrigues  dos
Santos, no que você está se metendo, minha filha? Você está em apuros? — ela
parece farejar meus problemas lá de Minas.
—  Não,  mãe,  eu  estou  bem,  calma  —  minto  e  engulo  em  seco.  —  O
Héctor  é  um  grande  empresário  do  ramo  energético,  pesquise  sobre  ele  no
google, seu nome é Héctor Mitchell.
— Marcos, liga o google para mim! — minha mãe chama o meu irmão.
— Um homem chamado Michel num tempo desses não pode ser coisa boa!
— Ligar o quê? — ouço a voz do adolescente ao fundo.
— O google, liga o google!
—  O  notebook,  a  senhora  quis  dizer  —  Marcos  responde  de  um  jeito
ranzinza.
— Ah, garoto! Liga o google! — ouço o barulho de um tapa.
Tá bom, mainha!
— Pesquisa sobre um tal bilionário, Héctor Michel — ela diz esbaforida


e respira fundo contra o aparelho.
— Mitchell, mãe — eu a retifico.
“Mitîeu” — ela repete.
Aguardo na linha, impaciente, enquanto minha mãe pesquisa sobre meu
repentino noivo e volta a gritar em meu ouvido:
— Uai, que homem é esse, Beatriz?
— O cara com quem eu vou casar — respondo com um sorriso no rosto e
a língua limpando os lábios, como se ela pudesse ver.
Há  um  breve  silêncio,  depois  ouço  minha  mãe  pedindo  à  Marcos  para
que clique em outras imagens.
— Meu Deus, ele é bonitão! — ela conclui.
— Ele é sim.
— E bilionário! — ela diz em exaltação.
— Tá, mamãe, todo mundo já entendeu que o Héctor tem muito dinheiro.
Vocês vêm para a festa de casamento ou não?
— Você tá maluca, minha filha? Eu mal viajo de ônibus, veja lá de avião!
— certamente ela fez o sinal da cruz e olhou para a imagem de Nossa Senhora
nesse momento. — Quando vocês vêm para cá?
—  Ih,  mãe,  vai  ser  difícil...  Héctor  é  um  homem  muito  ocupado  —  me
refugio  nas  ocupações  dele  para  não  ter  de  dizer  em  voz  alta  que  moro
ilegalmente no país e se for para ir ao Brasil, será em deportação, isso sim.
— E como você conheceu esse bilionário?
— Héctor, mamãe. O chame de Héctor.
— O Héctor bilionário — ela repete, parece que deu erro no disco rígido
e agora fica repetindo essa palavra. — Como se conheceram?
—  Digamos  que  eu  era  funcionária  de  um  lugar  que  ele  frequentava.  E
assim nos conhecemos e nos aproximamos...
— E quando vai ser essa tal festa de casamento?
— Semana que vem.
— Já??? — ela berra em meu ouvido, meus tímpanos pedem piedade.
— Já, sim. Peço a sua bênção, mãe.
— Ela está pedindo minha benção para casar com o bilionário — minha
mãe fala para o meu pai, pelo visto.
Meu Deus, quando será que ela vai se acostumar com o nome do homem
e  não  com  o  dinheiro  dele?  Também,  foi  culpa  minha,  eu  comecei  a  ligação


dizendo  que  tinha  uma  surpresa,  que  estava  noiva  e  que  ia  me  casar  com  um
bilionário...  minha  mãe  deve  estar  contando  os  zeros  que  fazem  uma  pessoa
bilionária até agora.
—  Seu  pai  disse  que  aprova.  Mas  ele  tem  que  vir  no  interior  de  Minas
depois,  por  que  a  gente  não  vai  para  esse  lugar  aí  não!  Não  tem  como  ir  de
ônibus — ela conclui.
— Tá bem, mamãe.
— Você está se comportando aí nessas Américas do Norte, né? Tudo está
bem?
Olho para Hillary de soslaio e vejo a minha amiga grudada na televisão,
gemendo a qualquer sinal de ligação e balançando o corpo para frente e para trás
lentamente.  Ela  está  se  recuperando  de  todo  o  choque,  ainda  falta  muito  para
ficar com a cabeça no lugar, mas pelo menos parou de surtar e agora sente que
está segura.
— Está sim, mamãe — minto. — Eu te amo e amo muito o papai.
— Nós também te amamos.


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