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Héctor Mitchell

Minha mãe ficou mais branca do que já era. Embora a maquiagem fosse
de primeiro mundo e imitasse um leve rosado em suas bochechas, nem mesmo a
qualidade e valor exorbitante impediram de que ela perdesse a cor.
— Uma stripper? — ela me encarou secamente.


— Se preciso passar tanto tempo assim com alguém e serei vigiado como
se estivesse com um cinto de castidade nas bolas, a melhor escolha não seria me
casar com alguém que me interessa e facilmente ofusca qualquer mulher?
— Uma stripper? — foi a vez de Rebecca perguntar, já que após minha
fala ficou um silêncio constrangedor no ar.
— A riqueza da nossa família está nas mãos de uma... stripper? — minha
mãe engoliu em seco.
— Por isso é tão importante que a conheçam, a tratem bem e convivam
em harmonia. Afinal de contas, teremos muito tempo para convivermos.
—  Héctor,  é  apenas  um  ano!  Um  ano!  —  Rebecca  me  repreendeu.  —
Aceitasse  uma  mulher  qualquer  que  a  mama  quer  te  empurrar  há  anos!  Uma
stripper? A Amanda, coitada! A Amanda!
Quem é Amanda? — Beatriz me encarou, confusa.
Eu sabia bem o porquê Rebecca dizia isso. Era muito mais cômodo para
todas  elas  acreditar  que  a  melhor  solução  era  me  manter  com  alguém  que  elas
sabiam que podiam controlar e que tentaria, de todas as formas, me controlar.
Mas  se  eu  ia  me  casar  –  pela  segunda  vez  –,  que  fosse  com  alguém
estonteante e que não tivesse nenhuma ligação com minha família.
Se possível que deixasse todas elas de cabelo em pé e com a sensação de
que estavam pisando em ovos.
Bom, prazer, essa era Beatriz.
Uma stripper que tem nome. Beatriz. A minha mulher.
Todos  pegaram  suas  taças  com  o  vinho  branco  e  sorveram  o  líquido.
Minha mãe entregou a taça para o neto e quando minha sobrinha chegou, ela deu
a garrafa para a garota.
— Você e o seu pai perderam o juízo e decidiram arruinar essa família!
— minha mãe rosnou.
—  Mama!  —  tentei  advertí-la,  mas  seu  temperamento  forte  era  como
vendaval: quando vinha era difícil conter.
— Você e a sua stripper vão colocar tudo a perder!
— Estão monetizando a palavra stripper? Vocês não param de dizê-la —
Laurel  pegou  a  garrafa  da  mão  de  Jessi  e  encheu  a  taça.  —  Se  estiverem:
Stripper,  stripper,  stripper,  stripper  e  stripper.  Ah,  só  mais  uma  vez:  stripper.
Agora que já preenchemos a cota, dos males o menor, Beatriz me pareceu uma
moça bem simpática e de boa índole.
— E pelo menos não é mexicana — Rebecca torceu o nariz.


—  Meu  Deus,  onde  está  o  muro  que  aquele  homem  nos  prometeu?  
minha mãe murmurou e abaixou o rosto.
— O que disse, mama?
—  Eu  disse  que  se  é  essa  a  nossa  opção,  resta-nos  aceitar.  Poderia  ser
pior,  muito  pior  —  ela  começou  a  olhar  para  as  outras  pessoas  sentadas  no
ambiente.
É, poderia ser pior, como uma imigrante vivendo ilegalmente no país.
Ou  uma  pessoa  caçada  por  traficantes  que  mataram  a  colega  de
apartamento.
Mas eu não daria esse gostinho a ela.
— E a sua família colombiana vem para o casamento? — minha mãe foi
rude, como lhe era de costume.
— Brasileira — Laurel a corrigiu.
— Não sei... meus pais são do interior, nunca viajaram de avião... e uma
longa viajem do Brasil para os Estados Unidos pode ser um pouco traumatizante.
—  Certamente  —  ela  concordou,  mas  de  um  jeito  rude.  —  Melhor  que
fiquem lá na Argentina mesmo.
Brasil — Laurel revirou os olhos.
— Que seja — ela limpou os lábios com o guardanapo. — Eu realmente
tinha  esperanças  de  que  conseguiríamos  sair  dessa  com  facilidade...  mas  o  seu
irmão  provou  que  perdeu  completamente  o  juízo.  Melhor  seria  entregar  tudo  a
Geoffrey de uma vez e poupar a humilhação.
Pude  perceber  o  desconforto  de  Beatriz.  Eu  estava  acostumado  com
aquele gênio forte desde criança, mas ela tinha caído de paraquedas no meio da
guerra.
Segurei em sua mão que estava em seu colo e a apertei com doçura. Ela
me  olhou,  meio  tristonha  e  surpresa  com  meu  gesto  inusitado,  então  eu  tentei
usar a minha expressão mais encorajadora. Mostrar-lhe que eu estava ali com ela
e que tudo ficaria bem.
— Sinto muito por isso — sussurrei.
Tudo bem — ela sussurrou de volta.
—  Tente  se  esforçar  um  pouco  —  minha  mãe  tornou  a  chamar  nossa
atenção,  aumentando  o  tom  de  voz.  Dessa  vez,  dirigiu-se  a  Bia.  —  Toda  uma
família  depende  de  você.  Lembre-se  disso  dia  e  noite.  E  talvez  assim,  pela
misericórdia de Deus, você não destrua essa família.
— Não deixarei que use esse tom com a minha mulher — rosnei.


— Ela é uma puta.
—  Stripper  —  a  corrigi.  —  E  agora,  minha  mulher  —  fui  firme.  —
Respeite-a.
Minha mãe virou o rosto. Bia apertou a minha mão por debaixo da mesa.
— Essa família depende de mim, exclusivamente de mim. Se algo deve
ser  exigido,  deve  ser  exigido  de  mim.  Não  permitirei  que  usem  esse  tom
novamente  com  a  minha  mulher,  tampouco  que  tentem  constrange-la,
inferioriza-la ou zombá-la, quer seja diante de mim ou não! — ralhei.
Minha mãe parecia ter a resposta pronta na ponta da língua, e quer saber,
eu também.
—  No  fim,  tudo  pertence  a  Geoffrey  ou  a  mim.  E  como  herdeiro  de
absolutamente  tudo  farei  com  que  a  respeitem  pelo  bem  ou  pelo  mal.  E  espero
que possamos viver em harmonia durante todo esse tempo.
Minha  mãe  fingiu  que  sequer  tinha  escutado  aquilo  e  puxou  uma
conversa  qualquer  com  Rebecca.  Os  meus  tios  continuaram  com  aquele  olhar
vazio e os adolescentes ficaram chamando a atenção do pai.
— Você gosta mesmo dela, não é? — Laurel chamou minha atenção.
— Como chegou a essa conclusão?
— Você nunca enfrentou a mama assim — ela riu.
— Cedo ou tarde eu teria de enfrenta-la. E a hora chegou.
—  E  tudo  ficou  mais  fácil  porque  você  gosta  dela  —  ela  tornou  a
observar.
Pode apostar que sim — respondi.




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