Protegida pelo Bilionário



Baixar 1.31 Mb.
Pdf preview
Página18/124
Encontro29.07.2021
Tamanho1.31 Mb.
1   ...   14   15   16   17   18   19   20   21   ...   124
Beatriz Rodrigues
Hillary  estava  bem.  Bom,  se  podemos  dizer  que  uma  pessoa  que  só
conseguia ficar deitada, assistindo qualquer coisa na televisão e se entupindo de
chocolate para manter a sanidade está bem, Hillary na verdade estava ótima.
Fizemos  uma  rápida  chamada  e  eu  pude  vê-la,  suas  olheiras,  seu  olhar
vazio, o temor eminente no menor sinal do vento batendo na janela.
Preferi  desligar  e  me  concentrar  em  meu  trabalho  ali:  ser  a  mulher  de
Héctor Mitchell.
Fomos  para  um  restaurante  grã-fino  em  Manhattan  e  lá  pude  rever  a
família Mitchell, que eu havia visto por foto e estudado seus nomes.
A  moça  mais  serena,  de  olhar  calmo  e  jovial  era  Laurel,  a  irmã  mais
jovem de Héctor. A de feição mais severa e enérgica que imitava bem o tom da
mãe, era Rebecca, a irmã mais velha, que o tempo todo dava ordens aos filhos
para que se mantivessem no controle.
A  senhora  Mitchell,  embora  de  feição  severa  e  amarga,  me  olhou  com


certa gentileza e acho que até esboçou um sorriso quando me viu.
Os outros eram os filhos de Rebecca, seu esposo, o namorado de Laurel e
dois  irmãos  da  senhora  Mitchell,  um  homem  e  uma  mulher  já  idosos  e  muito
calados.
— Linda família — os elogiei quando sentei ao lado de Héctor.
—  Bom,  eis  o  momento  tão  esperado.  Família,  essa  é  a  minha  mulher.
Bia, essa é a minha família.
Acenei  e  primeiro  os  mais  jovens  acenaram  de  volta,  depois  Laurel,
então  a  mãe  e  Rebecca.  Os  outros  dois  idosos  eu  não  tinha  certeza,  mas  seria
bom chamar a emergência, pois não pareciam muito vivos.
— Quando vão casar? — Laurel perguntou, muito simpática.
— Eu aviso quando tudo der certo.
E o que seria dar errado? — Rebecca arqueou a sobrancelha.
—  Os  preparativos...  montar  uma  pequena  e  modesta  cerimônia...
organizar casamentos pode ser demorado e difícil. Bom, nunca casei... — tive de
rir ao fim da frase.
—  Não  seja  boba  —  a  senhora  Mitchell  limpou  a  garganta  com  a  água
que  estava  em  seu  copo.  —  Temos  dinheiro,  você  não  precisará  se  preocupar
com  nenhum  detalhe.  Contrataremos  os  melhores  para  montar  o  casamento  do
ano!
—  Ela  disse  que  queria  algo  simples  e  modesto,  mama  —  Laurel  a
repreendeu.
— Mas somos os Mitchell. Nada é simples e modesto para nós — ela foi
severa e mais uma vez engoliu a água.
— Pretendem passar a lua de mel onde? — Laurel voltou a me encarar.
Gostei  dela,  pelas  fotos  dava  para  perceber  que  era  simpática,  mas
pessoalmente era quase um anjo em minha vida, ela me fez sentir menos tensa
em meio a tantas caras amarradas.
— Em nossa mansão no Hamptons — Héctor prontamente respondeu, eu
o olhei.
—  Não  é  cedo  demais  para...?  —  a  senhora  Mitchell  pareceu
desconfortável.
— Não, não é. A mansão é grande e Beatriz poderá conhecer a praia, as
mansões de grandes artistas, quem sabe até encontre com alguns deles...
A senhora Mitchell não pareceu muito feliz com a ideia e eu não entendi
o  porquê.  De  toda  sorte,  continuei  a  sorrir  e  assentir  com  a  cabeça  para  tudo  o


que Héctor dizia.
— Não viajarão? — Laurel perguntou.
Os  adolescentes  comemoraram  quando  as  entradas  chegaram,  salada
fresca  com  frutos  do  mar.  Vinho  branco  foi  servido  para  os  adultos,  soda  foi
servida para os mais jovens.
—  Não.  Tenho  muito  trabalho  pela  frente,  não  vou  sair  daqui.  Sei  que
Geoffrey  não  se  dará  por  vencido  e  tentará  algo  e  preciso  estar  aqui  e  pronto,
quando ele tentar.
— Nosso pai perdeu o juízo... — Rebecca usou um tom fúnebre.
—  Discordo  —  Laurel,  que  esbanjava  uma  leveza  na  alma,  a
interrompeu. — Acho que foi um pedido genuíno e desesperado para que o Héc
parasse de ser sugado pelo mundo e se voltasse para a família...
— Ah, Laurel, sempre tão romântica — Rebecca a reprovou.
—  A  propósito,  como  se  conheceram?  —  a  senhora  Mitchell  encarou
Héctor. — Não me recordo de que tenha dito.
— Eu não disse, ninguém perguntou.
— Então estou perguntando agora. Como se conheceram?
— Em um show.
—  Ah,  Beatriz  gosta  de  rock’n  roll?  —  a  senhora  Mitchell  pareceu
menos  azeda  e  isso  significa  que  não  me  olhou  como  se  fosse  me  fatiar  com  a
faca que tinha em punho.
— Não, mãe. A conheci em um clube de strip-tease — Héctor esclareceu.
A mulher cuspiu a água na cara da neta. A menina se levantou às pressas
e correu para o banheiro.
 Ela  devia  estar  perdida,  devo  imaginar,  e  buscou  ajuda  no  lugar
insalubre.
Héctor riu.
— Mãe, Beatriz é a stripper mais requisitada das noites nova-iorquinas.


Compartilhe com seus amigos:
1   ...   14   15   16   17   18   19   20   21   ...   124


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal