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todo  o  petróleo  que  queremos—  sua  expressão  se  fechou,  suas  narinas  se
inflaram, seus olhos pequenos pareceram crescer.
— Tudo ocorre no tempo certo.
— Não tenho tempo para a sua filosofia. Eu sou filho do Grande Templo
de Nova York. Eu carrego uma responsabilidade e quero ser conhecido como o
homem que mudou quadros importantes no mundo.
—  É  —  tive  de  concordar  com  Lilith.  —  O  futuro  causa  insegurança  e
expectativas e isso causa dor...
O homem levantou a sobrancelha e me encarou, espantado.
— Como?
—  Enviarei  as  suas  reclamações  aos  Senhores  do  Mercado  —  Lilith  se
colocou  entre  nós  e  sorriu.  —  Até  lá,  temos  assuntos  do  Grande  Templo  a
resolver.
— Certo.
Seguimos para a sala principal de reuniões, a maior sala do lugar.
Quando entrei todos já estavam sentados em seus devidos lugares, a meia
luz se refletia suavemente pelo piso branco e preto. Sentei-me na mesa diretora
ao  lado  de  Derick;  Lilith  se  sentou  atrás  de  nós,  no  grande  trono  que  era
reservado  para  um  cargo  que  ia  além  daquelas  paredes,  além  de  todas  as
fronteiras.
Um  minuto  depois  Adrian  entrou  e  encaminhou  o  homem  para  o  seu
antigo  assento,  onde  ele  assistiu  o  início  da  cerimônia,  os  repasses  e  algumas
questões de ordem antes que tivesse a palavra.
Ficou  empertigado  na  cadeira,  uma  hora  distraído,  outra  hora  sem  dar
muita atenção nos assuntos importantes que tínhamos na pauta.
E  como  de  costume,  quando  teve  a  palavra,  respirou  como  um  Deus,  e
sorriu  e  se  movimentou  como  se  fosse  um  verdadeiro  showman,  muito
debochado e cheio de caretas irônicas.
—  É  uma  honra  voltar  para  a  minha  casa,  a  minha  loja,  o  meu  Grande
Templo, onde o meu pai foi iniciado e eu carrego a ancestralidade — ele disse
todo pomposo e sorriu para sua plateia.
Todos corresponderam com olhares sérios e atentos.
Nós somos a capital do mundo. Nós criamos o mundo contemporâneo
e nós o mantemos em pé. É daqui que saem as grandes decisões que mudam o
percurso  de  toda  a  humanidade  e  nós  levamos  a  sério  o  fardo,  o  privilégio  e  o


legado deixado pelos Pais Fundadores dessa nação.
Adrian soltou um  suspiro tão alto  que precisei espetá-lo  por debaixo da
mesa.
—  Fui  privilegiado  e  me  tornei  presidente.  Não  é  do  meu  feitio  me
explicar,  mas  é  inconcebível  que  os  irmãos  do  meu  templo  possam  dizer  que
conspirei com os russos para chegar onde cheguei. Isso não ocorreu. Eu dei voz
aos  desejos  do  povo.  Eles  viram  em  mim  a  materialização  de  seus  sonhos,
projetos e sentimentos não só sobre a nossa grande nação, mas sobre si mesmos.
— Me acorda quando ele terminar — Adrian murmurou.
— Nós iremos, juntos, reconstruir a nação do futuro. Deixar de lado esse
populismo  de  querer  ajudar  os  mais  pobres  e  focarmos  naquilo  em  que  somos
bons: na guerra, na soberania e na manutenção do sistema.
Meu pai encarava o homem com um misto de admiração e incredulidade.
Tive  que  repreendê-lo  com  o  olhar  quando  ele  começou  a  balançar  a  cabeça
negativamente em alguns momentos.
— É a nossa missão destruir de uma vez por todas o grande fantasma que
nos  assolou  no  século  passado.  E  impedir  que  a  América  seja  infectada  com  a
doença  que  assolou  nossos  irmãos  no  oriente.  Somos  os  iluminados,  os  mais
velhos e sábios. De colonizados a colonizadores. Inspiramos revoluções. Nunca
permitiremos  que  o  mal  triunfe  sobre  o  bem.  O  bem  maior  é  a  coisa  mais
importante que existe, e é com ele que colonizaremos o mundo e  tornaremos  o
mundo o quintal da nossa grande nação.
Ele recebeu apoio de diversos membros do salão que como num grito de
guerra mostraram concordar com seu discurso.
— Nós somos os detentores do verdadeiro poder. E se poder é petróleo,
ele é nosso.
Novamente gritos de concordância.
—  Se  imigrantes  vem  aqui  e  tentam  roubar  nosso  poder,  nós  os
colocaremos em seu devido lugar.
O apoio só aumentou. Derick arqueou a sobrancelha e me encarou, meio
incrédulo.
— O mundo precisa saber que só há um senhor, e esse senhor é o Grande
Colonizador,  munido  do  Bem  Maior,  que  foi  incumbido  de  iluminar  todo  o
mundo e subjugá-lo.
— Acho que dormi tempo demais e voltei para março de 1933 — Adrian
se consertou na cadeira.


—  Chega  de  assistencialismo.  Chega  de  vista  grossa  para  os  erros  das
nações.  Chega  de  empurrar  os  problemas  com  a  barriga.  Enfrentaremos  o  que
vier a frente e realizaremos o que nos foi legado, a nossa grande missão.
Ele fez uma pausa e inflou as narinas e o peito, antes mesmo de acabar
foi ovacionado de pé:
— Faremos a América grande novamente!




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