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Parte de mim era o sorriso que despontava em meus lábios



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Parte de mim era o sorriso que despontava em meus lábios.
E  a  outra  parte  de  mim  correspondia  não  apenas  com  um  sorriso,  mas
com gemidos e aquele jeito doce que amansava a minha alma.
E partes à parte, eu me sentia, pela primeira vez, inteiro.


Capítulo 40
Héctor Mitchell
No Hall de entrada do Grande Templo de Nova York, Adrian, Ethan e eu
estávamos  perfeitamente  bem  vestidos  com  nossos  ternos  pretos,  insígnias  no
peito  e  aventais  na  cintura.  Cumprimentamos  os  honoráveis  anciões  que  foram
os  primeiros  a  chegar,  junto  a  eles  alguns  emissários  dos  outros  templos  dos
Estados  Unidos  e  depois  nos  ocupamos  com  os  nossos  irmãos,  os  membros  do
nosso templo.
A  casa  estava  cheia,  todos  conversavam  animadamente,  meu  pai  foi
paparicado  por  absolutamente  todos  que  esbarravam  com  ele  e  entregavam-lhe
votos de boa saúde.
Adrian, que estava entre Ethan e eu, pigarreou e roubou a nossa atenção.
—  Como  está  a  sua  stripper  particular,  também  conhecida  como  sua
mulher?
— Bem — o encarei de imediato. — Ela passou por um momento difícil
onde queria ficar só. Eu dei o espaço que ela precisava, por um tempo. Depois...
— É, te conhecemos, sabemos que você é grudento e ficou em cima —
Ethan coçou as sobrancelhas.
Brasileiras — Adrian suspirou. — Por que brasileiras?
—  Não  entendi  a  pergunta  —  tentei  refletir  sobre  o  que  ele  estava
falando.
— Todos vocês se casaram com brasileiras — ele explicou.
— Derick casou com uma russa — Ethan disse.
— Uma espiã russa — fechei os olhos em desaprovação. — Não falemos
disso, que dor de cabeça.
—  Por  que  essa  conversa  agora?  Quer  que  arranjemos  uma  brasileira
para você? — Ethan se voltou num tom inquisitorial para o amigo.
—  Não.  Estou  muito  bem  assim.  Ser  o  solteiro  mais  cobiçado  de  Nova
York é um título que carregarei por muito tempo e com muito orgulho.
—  Mas  porque  você  mencionou  as  brasileiras?  Só  Ethan  e  eu  nos
casamos com... — quase completei meu pensamento.
Quase  porque  Ethan  colocou  a  mão  em  meu  peito  e  fez  um  “shhh!”
bastante sonoro que me fez esquecer do raciocínio e silenciou algumas pessoas
mais próximas a nós.


— O que foi? — Adrian rosnou.
— Sente esse cheiro — Ethan riu.
Que cheiro?! — Adrian e eu perguntamos juntos.
— O olfato de vocês é horrível — Ethan nos mostrou sua reprovação e
cruzou os braços.
—  Não  sinto  nenhum  cheir...  —  antes  de  terminar  de  falar  pisquei  os
olhos duas vezes e os arregalei.
Pensei que nunca mais o veria.
Minha primeira reação foi dar um passo para frente e depois estender as
duas mãos em direção as mãos dele.
Ricardo — soprei seu nome, só para ter certeza que era ele.
Ricardo Leão apertou as minhas mãos e sorriu de forma branda.
Todos  sempre  disseram  que  éramos  bastante  parecidos,  inclusive  na
fisionomia, os únicos detalhes que mudavam eram a cor de nossos olhos e o tom
de nossas peles.
—  “O  filho  a  casa  torna”  é  o  que  dizem  —  Adrian  veio  em  seguida  e
segurou  no  ombro  dele.  —  Que  saudade,  meu  irmão.  Como  foi  a  sua  missão
suicida?
Ricardo foi econômico no sorriso e ostentou a cicatriz que tinha do alto
da sobrancelha até abaixo do olho.
“O que não mata, nos fortalece” — foi o que ele respondeu.
— É muito bom te ver. Seria ótimo encontrá-lo em outra ocasião, sem o
dever  de  nosso  ofício,  mas  ainda  assim,  é  muito  bom  ver  que  você  voltou  —
assegurei.
— Eu não ia perder isso por nada — Ricardo riu. — Além dessa “reunião
importante” estamos chegando perto da data das sindicâncias. Estou ansioso para
ver quem vocês indicarão para o Grande Templo e ver quem é capaz de passar
nas provas.
Não  escondi  o  meu  desgosto.  Este  ano  nunca  tivemos  tão  poucas
indicações que realmente valiam a pena. E o nome mais cotado, o Zimmerberg,
era controverso demais.
— Vou cumprimentar os meus honoráveis anciões e retorno depois para
ouvir as grandes notícias — Ricardo deu uma piscadela de olho.
—  Héctor  casou.  Com  uma  stripper.  Brasileira  —  Adrian  encurtou  a
novidade.
—  Três  irmãos  do  Grande  Templo  casados  com  brasileiras  —  Ricardo


riu.  —  Isso  me  parece  uma  conspiração  —  ele  abriu  um  sorriso  de  canto  e
segurou Ethan pelo braço. — Irei levar o mais debochado comigo, senhores.
Adrian encarou o relógio em seu pulso e respirou fundo.
— É chegada a hora. Preciso abrir a porta da sala de reuniões, fique aqui.
Ele mal disse isso e foi cumprir seu dever.
Eu  permaneci  ali,  sozinho  por  apenas  dois  minutos,  encarando  as  duas
colunas que ficavam diante do templo.
Voltei  ao  mundo  real  ao  ver  uma  figura  vestida  de  vermelho  diante  de
mim.
— Externe suas preocupações — ela sugeriu. — Traga suas dores à luz e
elas jamais poderão ser sombras.
Lilith  quase  me  fez  sorrir.  Mas  eu  me  contive  e  a  reverenciei  com
seriedade.
— Um dia Anthony estará aqui. E isso me preocupa.
Ah, o futuro... — ela sorriu.
— É. O futuro. Ele me preocupa.
— É claro que sim. Buda dizia que só há dor no passado ou no futuro. No
presente nunca há dor. No presente temos tudo e somos tudo o que precisamos.
A insegurança ou expectativas do futuro e as mágoas ou lembranças do passado
são o que despertam a dor dentro de nós.
—  Você  não  cansa  de  ser  a  melhor  professora  —  eu  disse  em  tom  de
elogio.
— Não há professor se não há aluno. Não há trevas se não há luz. Não há
verdade  se  não  há  mentira.  Os  contrários  formam  a  harmonia  do  universo.
Ninguém saberia o que é dia se não fosse a noite — ela tocou com gentileza no
dorso  de  minha  mão.  —  E  você  encontrou  o  seu  contrário.  Um  dia  todos  nós
encontramos. E geramos a harmonia do nosso universo interior.
— Isso é sobre Anthony?
—  Isso  é  sobre  você.  No  passado  foi  sobre  o  seu  pai.  No  futuro  será
sobre Anthony. Mas agora é sobre você. Você é o Grande Templo da sua própria
família. E um Grande Templo precisa de colunas, paredes, teto... mas ele seria só
uma  construção  burguesa  e  majestosa  se  não  fosse  pela  chama  sagrada  que
habita dentro dele. E nós somos essa chama.
Lilith se afastou devagar e voltou-se para a porta.
A figura que surgiu diante de nós não nos inspirou nenhuma reação.
—  Senhora  Embaixadora  do  Mercado  —  foram  os  cumprimentos  do


homem. — A Cavaleira Vermelha, Madame Lilith, A Cigana — ele ficou parado
diante do pilar branco que ficava em frente a porta do templo.
Lilith  caminhou  para  fora  do  templo,  ficou  parada  diante  do  pilar  preto
que ficava em frente a porta do templo e estendeu a mão.
— Senhor presidente — ela disse sem esboçar sentimentos.
O homem estufou o peito, balançou o corpo para frente e para trás num
movimento quase imperceptível e levantou a sobrancelha.
— Dentro do Grande Templo eu sou apenas mais um irmão — ele sorriu
e apertou a mão dela.
—  Então  está  convidado  a  entrar  —  Lilith  tocou  a  mão  do  homem  e
entrou primeiro, ele a seguiu.
— Héctor — ele me cumprimentou.
Eu retribuí o aperto de mão e permaneci ali parado feito uma estátua os
observando.
— Onde está a sua zeladora? Aquela estranha? — o homem se voltou a
Lilith.
— Está por aí.
— Antes de entrarmos — ele hesitou a dar mais um passo. — Gostaria
de perguntar-lhe algo e preciso da sua verdade.
— Pois não?
—  Isso  não  é  assunto  do  governo,  mas  do  Grande  Templo.  Havíamos
selecionado  alguns  homens  para  serem  informantes  nossos  do  que  ocorria  no
Brasil. Um foi morto. O outro está preso. O que espionava de perto a presidente
continua no poder, mas não conseguiu completar a tarefa que demos.
Lilith permaneceu atenta.
O  homem  de  cabelos  louros  e  rosto  alaranjado  respirou  fundo,  de  um
jeito debochado, como sempre transparecia.
— Isso tem a ver com o novo Embaixador de lá?
Lilith sorriu de uma forma quase maternal, algo que conseguia desarmar
qualquer um.
—  Aquele  país  é  uma  situação  delicada  —  o  homem  explicou.  —
Podemos invadir e gerar guerra no Oriente porque ninguém se comove. O Iraque
não  é  cartão  postal  de  canto  algum,  ninguém  acorda  e  diz  “vamos  passar  as
férias no Iraque”. Mas fazem isso com o Brasil. Por isso a situação é delicada e
precisamos tomar o que precisamos da forma mais... transparente possível.
Lilith ergueu as sobrancelhas como se desconhecesse o assunto.


— Queremos o petróleo — ele disse muito sério. — E ainda não temos


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