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Beatriz Mitchell
A forma defensiva de Héctor agir às vezes me preocupava.


Ter os papeis do divórcio em minhas mãos era assustador – e eu cheguei
a pensar, meses atrás, que ter os documentos do casamento diante de mim eram
intimidadores.
A simples ideia de ter que ir embora me machucava. Era tão cedo! Havia
tanta coisa para fazer! Na mansão, com Anthony, na minha vida, na vida dele...
do nosso bebê...
Segurei  os  papeis  do  divórcio  e  caminhei  sutilmente  ao  redor  da  mesa,
encaixei a papelada na linda máquina dele de picotar papel e fui para detrás de
sua  cadeira  presidencial,  a  puxei  bem  devagar,  e  quando  havia  um  bom  espaço
entre a cadeira e a mesa eu me coloquei diante dele.
Sentei  na  mesa,  apertei  o  botão  que  cobriu  todas  as  janelas  da  sala  e
trancou a porta.
—  Papeis  de  divórcio  são  para  casamentos  que  não  dão  certo.  O  nosso
deu.
— Eu não diria em melhores palavras — Héctor provocou.
—  Eu  vou  ficar  —  estufei  o  peito.  Aproveitei  para  desabotoar  mais  um
botão.
— Você está perdendo uma excelente oportunidade de me fazer implorar
para que fique — ele contrapôs com um sorriso malévolo que desceu pelo meu
corpo e ficou cada vez mais malicioso.
Implore — pedi com simplicidade.
Olhei  satisfeita  para  a  máquina  de  picotar  que  havia  feito  um  serviço
impecável.  Quando  virei  o  rosto  para  vislumbrar  Héctor,  ele  já  retirava  o  terno
preto, a mão com a tatuagem estava sobre a gravata.
— Meu filho me disse que só me viu sorrir três vezes em toda a vida —
Héctor respirou fundo e se levantou.
Aquilo foi o suficiente para me fazer encolher os ombros e olhá-lo com o
pescoço esticado.
—  O  que  sinto  por  você  eu  nunca  senti  antes.  Não  é  apenas  tesão  ou
paixão, vai um pouco além do amor e da amizade... você é... — Héctor não era
um homem de hesitar, mas hesitou.
As palavras ficaram pendentes nos deliciosos lábios, ele ficou de joelhos
diante de mim e encostou a testa em meu joelho.
Está tudo bem? — murmurei.
— O que eu sinto por você, Bia, é selvagem — Héctor ergueu a cabeça e
pude ver seus olhos azuis, feito safiras, brilhando para mim. Só para mim.


Um  arrepio  percorreu  meu  corpo  ao  sentir  a  mão  forte  dele  subir
cautelosamente por minha perna, tocou com as unhas o meu joelho, para então
apertar a minha coxa e me obrigar a esticar o corpo e segurar a respiração.
Era como uma cobra de passeia e serpenteia pela presa até imobilizá-la,
domá-la e devorá-la.
— O que eu sinto por você, Bia, é algo inédito a cada dia, e já sinto isso
há  mais  de  seis  meses  —  a  voz  de  Héctor  era  branda,  completamente
galanteadora,  e  quando  ele  semicerrava  os  olhos  e  avançava  contra  mim  eu  só
tinha uma certeza.
Eu  estava  imobilizada,  mesmo  livre.  Eu  estava  domada,  mesmo  sem
algemas e chicote. E eu ia ser devorada, como ele bem sabia fazer.
— Quero descobrir o que sinto por você — Héctor começou a desabotoar
o meu sobretudo de baixo para cima até que sobrou apenas um botão.
Sua sobrancelha se ergueu com entusiasmo ao perceber que eu estava de
lingerie.
—  Sei  que  você  prefere  me  ver  de  moletom  e  jeans  —  falei  e  tirei  do
bolso minhas luvas de látex e a máscara. — Mas eu ainda sou uma stripper.
A minha stripper — ele rosnou.
— Algumas coisas precisam mudar — sorri.
Na menor menção de colocar a máscara, Héctor segurou firme em minha
mão  e  subiu  pelo  meu  corpo,  a  língua  queimando  ao  tocar  a  minha  pele,  os
poucos pelos que eu tinha se eriçando ao sentir a barba, a pegada, a forma como
ele me puxava para si e me tinha na palma de suas mãos.
— Gosto de ver o rosto da minha mulher — ele me guiou para deixar a
máscara  em  cima  da  mesa.  —  Cada  vez  que  você  fecha  os  olhos  e  se  delicia,
cada vez que você se perde em seus próprios pensamentos e seus olhos mostram
isso, cada vez que seu corpo corresponde a um toque meu...
O que tem?
—  Eu  me  sinto  mais  vivo  —  Héctor  segurou  em  meu  pescoço  e  me
beijou.
O  chupão  em  meu  lábio  inferior  me  deixou  perdida,  não  havia  como  o
corpo ficar tenso ou me prender com os pesos do passado.
Héctor me puxava para o agora.
Em sua boca carnuda e proibida o passado se dissipava lentamente como
uma tempestade de areia no deserto, permitindo-me sentir o oásis.
Héctor colocou a própria gravata em mim e a apertou feito uma coleira e


me guiou para sua cadeira presidencial.
Eu  nunca  havia  me  sentado  ali.  Dava  realmente  uma  sensação
inimaginável de poder.
E o homem mais poderoso daquele prédio voltou a passear com a língua
pelo  meu  corpo,  suas  mãos  deixaram  os  rastros  do  crime,  desejo  e  loucura  que
era tê-lo.
Se  haviam  quaisquer  outras  palavras  que  não  fossem  nossos  nomes,
gemidos e coisas incompreensíveis, elas se perderam.
Héctor  abriu  as  minhas  pernas  e  avançou  com  sua  boca  quente  e
molhada, arrancando-me como num conta gotas parte da minha sanidade.
Quando sua língua passava pelas minhas carnes e sua boca me chupava
com demora e sede eu tinha a sensação de sair do corpo e ser obrigada a retornar
a ele.
Segurei com firmeza nos cabelos de Héctor, não para guiá-lo, mas porque
era gostoso ter a sensação de controle sobre aquele homem. Quando na verdade
eu sabia bem que era ele quem estava no controle.


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