Protegida pelo Bilionário



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Héctor Mitchell
O meu pai acordou no início da noite de uma quarta-feira.
Estávamos  lá  Bia,  Anthony  e  eu.  Era  a  terceira  vez  que  visitávamos
juntos o meu pai.
De  início  ele  ficou  atordoado,  parecia  saber  onde  estava  e  o  rosto  de
alívio  ao  nos  encarar  mostrava  que  estava  bem.  Mas  tudo  o  que  ele  não
envelheceu  nos  anos  em  que  esteve  ativo  e  trabalhando  incansavelmente  pela
Mitchell & Smith ele envelheceu em seu período de coma.
—  Quanto  tempo  se  passou  desde  que  eu  estava  nesse  estado?  —
felizmente ainda carregava seu tom rígido e ranzinza que parecia estar brigando
com quem falava.
—  Uns  sete  meses  —  respondi  de  bom  humor.  —  Uma  boa  licença
sabática para o melhor CEO que a Mitchell & Smith já teve.
Gregory  Mitchell,  meu  pai,  afastou  o  cobertor  que  o  cobria  e  ficou
sentado na cama. Não conseguiu se levantar, imediatamente ficou desengonçado
e quase caiu no chão, tive de socorrê-lo.
— O senhor não toma jeito — o segurei e o deitei de volta.
—  Quero  ir  embora  daqui.  Há  tantas  coisas  para  finalizar!  —  ele
resmungou.
—  E  o  senhor  não  finalizará  nada  se  decidir  apressar  o  passo  agora.
Descanse, pai.
— Pois já estou muito bem descansado! — ele disse irritado.
Sua face só abrandou o tom quando Anthony caminhou em sua direção.
Um sorriso bobo e honesto surgiu em sua face. Ele estendeu a mão e segurou na
menor de Anthony.
— Você agora sai da cama! Veja só, se há solução para Anthony, por que
não haveria para mim? — ele riu.
—  Agora  eu  vou  até  para  a  escola  —  Anthony  disse  em  seu  tom
monótono, mas abraçou o avô com muito carinho.
Ficou com a cabeça deitada em cima do peito do velho senhor Mitchell e
não parou de fitá-lo.
— Eu também dormia bastante, no passado — ele comentou. — Tomava
uma sopa horrível.
—  É,  conheço  bem  essa  história  da  sopa  —  meu  pai  disse  num  tom


alarmante. — E quem é essa, Héctor? — ele se virou para Bia, não escondeu a
estranheza ao encará-la.
— Essa é a Beatriz Rodrigues Mitchell, pai. A minha esposa.
— Hum.
— Não sei se o senhor se recorda, mas o senhor escreveu uma merda de
testamento...
—  Eu  sei  as  merdas  que  escrevi  —  meu  pai  devolveu  num  tom  áspero.
— Ela é filha de alguém importante? Descendente de um dos Pais Fundadores?
De um grande bilionário da América? — ele manteve aquele tom nada amistoso.
— Bia é filha de dois brasileiros, do interior de...
— Minas Gerais — ela soprou no fundo.
—  Isso.  Minas  Gerais.  Não  é  filha  de  ninguém  importante  pelo  seu
critério,  tampouco  descende  deum  dos  Pais  Fundadores  ou  de  grandes
bilionários.  Ainda  assim  ela  é  a  mulher  que  eu  escolhi  para  passar  o  resto  da
minha vida.
— E você decidiu isso em... sete meses? — ele fez uma careta.
— O senhor deve imaginar como me sinto para dizer isso.
Ele balançou a cabeça suavemente.
—  Beatriz  —  ele  a  chamou.  —  Poderia  levar  Anthony  para  fora  do
quarto, por favor?
Bia concordou e chamou Anthony com a mão, ele foi e juntos saíram do
quarto.
O meu pai se sentou na cama e uniu as duas mãos em frente a barriga.
Ele  respirou  fundo,  coçou  os  olhos  com  os  dedos  indicadores  e  olhou
pela janela.
— Preparativos de guerra — ele disse.
— Como? — perguntei, espantado.
— A guerra, meu filho. Me atualize.
— Ah, sim. Bom, nossa empreitada no oriente médio continua — cocei a
nuca,  espantado  por  ele  não  tecer  comentários  sobre  Beatriz.  —  O  presidente
virá em pessoa para o Grande Templo explicar o que pretende.
— Sua digníssima mãe — ele elencou o próximo tópico.
—  Algumas  coisas  aconteceram  nesse  meio  tempo  em  que  o  senhor
entrou  em  coma.  Mamãe  decidiu  que  seria  uma  excelente  ideia  raptar  a  minha
mulher porque ela não é pura e de sangue próprio o suficiente.


— Bem a cara dela — ele fez uma careta. — Estou surpreso de que ela
não  me  matou.  Vocês  devem  ter  descoberto  algo  e  infiltrado  gente  nossa  no
hospital.
— É, fizemos isso.
— Muito bem. A empresa, então.
—  Prosperando.  Estamos  fazendo  o  nosso  trabalho,  o  de  fachada  e  o
verdadeiro trabalho. Tentaram lançar espionagem industrial em cima da Mitchell
& Smith, mas o Ethan deu um jeito. Ele sempre dá.
— Deus abençoe o menino — ele sorriu, de um jeito áspero, mas sorriu.
— O senhor não perguntou nada sobre a Bia... — coloquei meu próprio
tópico na lista dele.
—  O  que  devo  perguntar  sobre  ela?  —  ele  se  espantou.  —  Você  a
escolheu,  uma  completa  desconhecida,  sem  histórico  familiar  sem  peso  e  uma
pessoa  que  não  tem  fortuna  para  se  juntar  a  nossa  —  ele  puxou  o  controle  da
televisão em cima da mesinha que ficava ao lado da cama.
— Parece um bom resumo de quem é ela — ironizei.
— Filho — meu pai segurou em meu braço. — Você a escolheu. Dentre
sete  bilhões  de  desconhecidos  você  a  escolheu.  Eu  não  tive  essa  oportunidade.
Meus pais me obrigaram a casar com a sua mãe e você deve ter percebido que o
fim  desse  casamento  não  parece  vir  de  nenhum  romance.  O  que  quero  dizer  é:
confio  em  você,  em  seus  julgamentos  e  em  seus  sentimentos.  Você  é  adulto  e
está mais do que apto para tomar decisões sozinho. A última que tomou nos fez
receber Anthony na família, então você tem um bom histórico de decisões.
— Obrigado pai.
— Cuide bem dela, filho. Para que ela não tente te matar — ele riu.
—  Até  lá  deve  demorar  uns  anos...  —  brinquei  e  afaguei  a  cabeleira
grisalha.
—  Espero  que  sim.  Agora  chame  os  meus  advogados  para  encerrarmos
os  pormenores  do  testamento  e  vamos  retornar  de  onde  paramos.  Sinta-se  à
vontade para desfazer o casamento, se quiser.
—  Sim,  senhor,  irei  chamar  os  advogados.  Mas  não  irei  desfazer  o
casamento. Bia e eu conversamos e achamos que podemos fazer isso dar certo.
— Excelente — ele disse animado. — Depois marque um jantar para que
eu possa conhecer a Beatriz. E, pelo visto como ela é uma boa moça, talvez ela
tenha alguma amiga para me apresentar — ele tossiu e riu.
Mesmo de cama ele ainda queria dar trabalho.


— Pai, acredite em mim, as amigas da Beatriz são barra pesada.




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