Protegida pelo Bilionário


Capítulo 38 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 38
Beatriz Rodrigues
Duas semanas depois.
A minha recuperação foi rápida.
Claro  que  algumas  marcas,  principalmente  emocionais,  permaneceriam,
mas o meu corpo ficou mais resistente e todos os exames mostraram que estava
tudo bem comigo e com o bebê.
Meu Deus, que loucura! Como tudo isso pode ter acontecido?
A companhia da minha mãe e irmão me ajudaram a melhorar ainda mais
rápido.  Héctor  fez  questão  de  pagar-lhes  uma  viagem  para  Orlando,  já  que
Marcos  comentou  que  da  próxima  vez  que  viesse  aos  Estados  Unidos  ele
gostaria de conhecer os parques. Héctor decidiu pagar as viagens e as despesas
em Orlando e de lá eles voltariam para o Brasil.
E  por  mais  estranho  que  possa  parecer,  fui  eu  que  levei  Anthony  pela
primeira vez à escola, junto com o pai.
Era  estranho  pensar  que  ele  nunca  tivesse  tido  contato  com  aquele
ambiente, sempre cercado de tutores particulares e estudos em casa.
—  Você  acha  que  eles  vão  gostar  de  mim?  —  Anthony  tremia,  estava
nervoso.
Toda  vez  que  crianças  da  idade  dele  passavam  em  sua  frente  ele  fazia
uma careta e dava um passo para trás.
— Aprender em casa parece uma excelente ideia — ele deu meia volta.
Ajoelhei-me diante dele e segurei em seus ombros.
— Entrar em lugares novos com desconhecidos pode dar medo, sim. Mas
pense  em  todas  as  coisas  incríveis  que  você  pode  aprender,  sentir  e  conhecer
com outras pessoas.
— É, mas todos eles devem ter muitos germes. E eu esqueci o álcool em
gel — ele franziu a testa.
—  Todos  nós  temos  germes  —  tive  de  comentar.  —  Mas  você  não
aprendeu na biologia que nós fortalecemos nosso sistema imunológico com um
contato razoável com germes?
Anthony me olhou, incrédulo.
Bom,  eu  não  sabia  também  se  havia  dado  aquela  informação
corretamente, mas o que valia era o ensinamento.


—  É  como  a  dor,  cada  dia  a  gente  sofre  um  pouquinho  para  aguentar
fortes emoções no momento certo. Ou musculação, todo dia a gente levanta um
peso diferente para no fim emagrecer ou ficar forte. Pense assim, a cada dia você
conhecerá pessoas novas, viverá coisas novas, descobrirá coisas novas. E no fim
disso tudo, você pode não conhecer tudo sobre biologia, matemática e história...
mas vai ter aprendido e conhecido tanto sobre si!
Não sei de onde arranjei aquele discurso.
Em momentos de crise nós fazemos o que podemos.
Anthony inflou os pulmões e deu meia volta, ficando diante da porta da
escola.
— Você vem me buscar?
— É claro que sim, pode apostar. Você tem o meu número, se sair mais
cedo me ligue.
— Ok — Anthony andou alguns passos e parou.
— Não, não desista agora — pedi.
Ele voltou até mim e me abraçou, escondeu o rosto em meu moletom.
—  Obrigado  mãe  —  ele  disse  e  se  afastou  rapidamente  e  começou  a
desviar  das  outras  pessoas  como  se  fosse  pegar  algum  tipo  de  doença  quase
instantaneamente.
Quem diria. Eu que fugi, corri e tentei escapar de todas as formas de ser
mãe por achar que não podia cuidar de outra pessoa além de mim mesma, agora
seria mãe de dois.
Eu me arrepiei não por ter sido chamada de mãe, mas por me sentir mãe.
Naquele instante eu ri de mim mesma e percebi todas as faces que usei na
vida.
A  pobre  e  indefesa  Beatriz  que  foi  molestada  pelo  tio,  a  Beatriz
aventureira  em  busca  de  si,  a  stripper  Sabrina  que  estava  em  busca  da  vida
americana,  a  senhora  Mitchell  esposa  de  um  bilionário,  a  amante,  mulher  e
melhor amiga de Héctor... e agora mãe.
Quantas outras faces uma mulher pode ter?
O que mais eu poderia viver?
Muita  coisa.  Todas  elas.  E  eu  tinha  o  alicerce  mais  seguro  e
imprescindível para florescer e assumir novas faces: a minha família, toda ela.
—  Vai  ficar  parada  aí?  —  Héctor,  o  pai  babão,  não  conseguia  tirar  os
olhos do filho.
—  É,  está  na  hora  de  ir,  deixá-lo  descobrir  sozinho  como  é  a  vida  —


voltei-me em direção a Héctor. — Podemos ir quando você estiver pronto.
Héctor segurou em minhas mãos e me guiou até seu corpo, aqueceu-me
em  seus  braços  e  ficou  parado  ali,  comigo  presa  em  suas  mãos,  até  Anthony
sumir da vista.
— Os meus bebês crescem tão rápido... — ele suspirou.
— Seus bebês precisam crescer rápido porque um dia será a vez deles de
te proteger, de cuidar e zelar por você — respondo, sem perder a manha.
—  Vocês  já  me  protegeram  de  muitas  coisas  sem  saber.  E  cultivaram
muitas outras dentro de mim.
Sinto  o  beijo  no  pescoço,  não  há  como  receber  isso  além  de  fechar  os
olhos e sentir minha pele ficar cada vez mais quente.
— Nesse meio tempo você poderia ter viajado... ir conhecer a outra parte
da  América  que  não  viu...  o  velho  mundo  também  não  seria  má  escolha.  Ao
invés disso...
—  Eu  fiquei  —  o  interrompi.  —  Por  que  eu  encontrei  aqui  tudo  o  que
precisava. Vários mundos, várias culturas e algo muito maior do que eu pensei
que  merecia.  Eu  amo  estar  com  você...  com  Anthony...  viver  em  Nova  York...
não  sinto  mais  o  incômodo  que  havia  dentro  de  mim  de  sair  em  busca  de  algo
fora, por que já encontrei tudo aqui dentro.
— Eu também amo estar com você, Bia — Héctor encostou seu nariz no
meu. — Na verdade, eu te amo.
Posso jurar que já tinha ouvido ele falar isso alguma vez.
Aliás, a defesa que ele fez a meu respeito diante da mãe era uma grande
prova de amor.
De  toda  sorte,  não  havia  possibilidade  de  não  tremer  na  base  ouvindo
aquilo.
— Também te amo, é recíproco e verdadeiro.
Héctor  sorriu  e  nossos  lábios  se  tocaram  primeiro  numa  sutileza  e
calmaria que deu espaço a um beijo intenso, carregado de seus puxões para unir
nossos corpos e o seu perfume me embebedando, deixando-me louca.
—  Não  sei  se  percebeu,  estamos  em  frente  a  uma  escola.  E  uma  bem
conceituada — murmurei.
Ele arqueou a sobrancelha, não pareceu dar a mínima.
— Vamos para casa. O dia vai ser longo e temos muitas coisas a fazer.
— Sim, senhora Mitchell, vamos.




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