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Héctor Mitchell
Anthony estava sentado em sua mesa de estudos na biblioteca, no fim da
sala, folheava um de seus livros de Guerra nas Estrelas. Ergueu o rosto quando
me viu entrar no local e o abaixou rapidamente.
Passei  por  Geoffrey  e  Ethan  que  estavam  sentados  no  sofá,  discutiam
coisas do passado. Não pararam quando entrei.
Anthony balançava os pés distraidamente e fechou o livro quando fiquei
ao seu lado, de pé.
Ele se virou lentamente e olhou para cima.
—  Por  que  bebês  não  podem  ter  nomes  como  “C3PO”?  —  ele  coçou  o
queixo.
—  Não  parece  o  tipo  de  nome  que  pessoas  se  sentem  confortáveis  em
ter... — analisei.
Chewbaca, então?
Puxei a cadeira acolchoada e me sentei ao lado dele. Passei as mãos por
debaixo dos braços dele e o trouxe para o meu colo como se ele ainda fosse um
bebê.
— Como você está se sentindo a respeito de ter um irmão ou uma irmã?
—  É  legal  —  Anthony  disse  após  analisar  com  demora.  —  Parece  que
temos  muito  dinheiro  e  pouca  gente  na  família  para  gastar.  Acho  que  quanto
mais gente, melhor — ele anuiu.


—  Mas  o  que  você  sente  aqui  dentro?  —  coloquei  a  mão  em  cima  do
peito dele.
— Eu tenho medo — Anthony revelou. — Mas se ele será filho da Bia,
acho  que  conseguirei  ter  menos  medo  com  o  tempo.  Na  aula  de  biologia  o
professor disse que bebês mordem qualquer coisa. Não poderemos deixar que ele
entre  na  biblioteca  até  ter  bons  modos  —  Anthony  foi  firme  nisso  e  respirou
fundo.
—  Não  vai  ser  só  filho  da  Bia,  mas  meu  filho  também.  Seu  irmão  ou
irmã. O que você pensa disso?
— Penso que bebês devem dar mais trabalho do que jardins — Anthony
começou a coçar o rosto. — E devem crescer mais devagar ainda... E devem ter
tantos germes! — ele cobriu o rosto, ficou vermelho só de pensar naquilo.
— Todos nós temos muitos germes, filho — beijei sua testa e o devolvi a
sua cadeira. — Termine a sua leitura e depois você pode ir ver a Bia, ok?
— Ok.
—  Eu  sinto  muito  por  tudo  o  que  aconteceu  a  você.  Espero  que  possa
confiar  em  mim  e  me  contar  tudo,  absolutamente  tudo  de  agora  em  diante.  Eu
nunca vou te deixar. E eu sempre estarei aqui para o que precisar. E espero que
você esteja aqui também quando eu precisar.
Anthony sorriu e concordou comigo.
—  A  Bia  é  bem  simples,  não  é?  Parece  a  única  pessoa  normal  dentro
dessa casa — ele voltou a abrir o livro. — Deve ser por isso que você gosta tanto
dela — ele avaliou. — E eu gosto também. Tomara que o bebê seja tão normal
quanto, ninguém gosta de pessoas com complexo de superioridade.
— É, ninguém gosta — assenti. — E lembre-se: nada de sugerir nome de
robôs.
—  Darth  Vader  então  —  Anthony  se  voltou  para  o  livro  e  eu  o  deixei
com sua leitura para retornar aos adultos.
Sentei-me  na  poltrona  que  ficava  diante  do  sofá  e  encarei  Ethan  e
Geoffrey.
— Como ela está? — Geoffrey quebrou o silêncio.
— Está bem, obrigado por se importar. E obrigado por ter respondido ao
meu chamado tão rápido aquele dia.
—  Eu  sei  que  você  faria  o  mesmo  por  mim  —  Geoffrey  disse  de  cara
amarrada.
— Quero novidades, Ethan — uni as duas mãos em cima do colo e cruzei


as pernas.
— Os membros do Grande Templo não querem tomar uma decisão final
até que o seu pai acorde, mas já adianto que se tudo ocorrer como planejado, a
sua mãe será internada em uma ala psiquiátrica para reprogramação.
Reprogramação? — Geoffrey perguntou, curioso. — O que é isso?
— Lavagem cerebral — Ethan virou o rosto na direção dele. — Mesmo
que  ela  tenha  cometido  um  crime  contra  a  família,  o  que  a  faria  pagar  com  a
vida,  ela  vem  de  uma  ancestralidade  muito  respeitada.  No  pior  dos  casos  será
reprogramada, enviada de volta a família original e as coisas seguem o curso —
Ethan disse aquilo num ar de desaprovação.
Ele e eu sabíamos que muitas atitudes advindas da Grande Ordem eram
perigosas e sem escrúpulos.
— As outras opções seriam cadeira elétrica ou uma boa e longa viagem
de ajuda humanitária na África e nunca mais voltar — Ethan suspirou.
Geoffrey não escondeu o horror em ouvir tudo aquilo. Desviou o olhar e
fitou a parede.
—  Farei  o  que  estiver  ao  meu  alcance  para  que  ela  fique  bem...  —  era
difícil  encarar  tudo  aquilo.  —  Ainda  não  entendo  como  ela  teve  coragem  para
fazer todas essas coisas... parecia algo tão distante de acontecer...
— O que você vai fazer agora? — Geoffrey perguntou.
—  Vou  gerir  a  empresa,  é  claro,  mas  vou  cuidar  da  minha  família  em
primeiro lugar. Eles precisam de mim por aqui, ainda mais depois desse trauma
coletivo que sofremos.
— Coloca o Geoffrey para gerir a máquina — Ethan riu.
—  Deus  me  defenda!  —  Geoffrey  até  se  afastou.  —  Todo  esse  negócio
de  subir  ao  poder  na  Mitchell  &  Smith  era  divertido  enquanto  era  uma
competição... aquilo, me desculpe dizer, adoece a gente. O meu pai e o do Héctor
estão aí para não me deixar mentir.
— Vou encontrar uma forma de manter tudo em ordem por lá e por aqui,
até  que  meu  pai  esteja  pronto  para  comandar  tudo  outra  vez  ou  decida  o  que
deve ser feito. Gosto de gerir as coisas e estar à frente da equipe, mas eu tenho
uma equipe aqui também. A Mitchell & Smith vai durar por toda uma eternidade,
mas parece que cada segundo com a minha família é significativo e nunca mais
vai voltar. Preciso descobrir uma forma de estar com eles, viver cada momento e
fração  de  segundo  com  eles  e  não  deixar  que  as  coisas  saiam  do  controle
novamente.


Ao fundo Anthony voltou a fechar o livro, guardou-o na estante de obras
de ficção e fantasia e saiu da biblioteca como se sequer estivéssemos ali.
— Ainda parece que ele nasceu ontem... — suspirei, encarando o rastro
invisível  que  meu  filho  deixou.  —  Preciso  fazer  dessa  a  melhor  época  da  vida
dele.
—  Sim  —  Geoffrey  disse  em  seu  tom  fúnebre.  —  Depois  ele  não  vai
mais  se  importar  com  nada  além  da  universidade,  ser  o  próximo  CEO  da


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