Protegida pelo Bilionário


Capítulo 37 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 37
Beatriz Rodrigues

Não sei por quanto tempo dormi.
Ao abrir os olhos senti o incômodo da luz forte invadindo minhas retinas.
Ao  estabilizar  a  visão  vi  meia  dúzia  de  pessoas  de  branco  ao  meu  redor,  me
examinando.  Eu  estava  deitada,  recebia  soro  no  braço  esquerdo,  em  meio
aqueles rostos desconhecidos encontrei um familiar.
— Onde estou? — encarei Yone.
—  Em  casa,  senhora  Mitchell.  Não  se  esforce  muito,  continue  a
descansar — ela pediu.
— Onde Héctor está? — o procurei pela extensão do cômodo.
Aqui — ele murmurou, estava ao meu lado.
Seus  olhos  penetrantes  se  fixaram  em  mim,  suas  pupilas  contornaram  o
meu  rosto  e  com  um  sorriso  brando  percebi  que  ele  se  sentiu  satisfeito  ao  me
encarar.
— Você deveria estar trabalhando — bocejei.
— E estou. Você me dá muito trabalho — ele se divertiu, sua mão quente
subiu pelo meu braço até chegar ao meu queixo. — Como se sente?
— Muito bem, na verdade. Acho que acordei algumas vezes, mas estava
tão  zonza  que  não  me  lembro  de  detalhes...  —  tentei  me  espreguiçar,  o  corpo
doía quando eu fazia movimentos muito bruscos. — Que pesadelo...
— Foi um pesadelo sim — Héctor suspirou. Fez um sinal para que todos
saíssem do quarto.
— Eu fui tão burra — fechei os olhos, irritada comigo mesma. — Eu não
deveria ter fugido... deveria ter confiado em você... — me culpei amargamente.
— Ei — Héctor cobriu a minha mão com a sua. — Já acabou, está tudo
bem...
A negação não ia embora. Eu estava desolada.
Nada daquilo teria acontecido se não fosse pelo meu lado impulsivo.
—  Tudo  aconteceu  tão  rápido...  nunca  imaginei  que  Hillary  faria  isso
comigo...  ou  que  Clair  ainda  estava  viva...  Eu  deveria,  no  mínimo,  ter  lhe
consultado sobre o que ouvi... mas fiquei tão assustada e...
—  Calma  —  Héctor  apertou  a  minha  mão.  —  Você  fez  o  que  achou


necessário. E agora está aqui.
— Havia um homem com Hillary e Clair... — tentei me lembrar.
— Sim, o Alex — Héctor disse sem muita animação.
— O seu secretário? Aquele que ficava na sua cola o dia inteiro? — me
espantei.  —  Eu  não  pude  vê-lo,  tampouco  pude  ouvir  a  voz...  me  apagaram
completamente...
— Como boa cidadã americana, filha dos Pais Fundadores, a minha mãe
foi muito boa em infiltrar, manipular, sequestrar pessoas e achar que tudo estava
sob controle... — havia um sorriso contido nos lábios de Héctor. — As pessoas
podem  perder  o  controle  quando  ficam  com  medo  e  entram  em  suas  próprias
paranoias... e minha mãe tinha muito mais do que medos e paranoias. Ela tinha
muito ódio, um preconceito desmedido e um passado sombrio a esconder. Ela só
queria apagar os próprios rastros e causar um pouco mais de terror...
— Ela está bem? — perguntei.
Héctor suspirou novamente.
—  Considerando  que  ela  se  permitiu  ser  domada  pelo  pior  que  havia
dentro de si e atentou contra a própria família, acho que não está bem. Mas está
segura, com muita saúde e ódio. Aguardando o julgamento que lhe espera.
— Julgamento? — perguntei, preocupada.
— É — Héctor deixou bem claro naquele tom monossilábico, que aquela
era  toda  a  informação  que  eu  teria.  —  Quando  você  descobriu  que  estava
grávida? — ele me encarou com mais seriedade que antes.
Bom... eu... — me perdi nas palavras. — Não faz muito tempo... eu só
queria encontrar a melhor oportunidade para contar... no meio disso descobri os
segredos de Serena... fiquei um tanto que temerosa, na verdade...
—  Engraçado  que,  você  guardou  tudo  isso  para  si.  Poderia  ter  me
contado  tudo,  o  que  descobriu  nos  quadros  de  Serena,  o  quanto  cuidou  de
Anthony e o que estavam passando quando eu não estava aqui... você fez muito
mais por essa família do que todos nós.
— Só fui eu mesma o tempo todo — garanti.
—  E  ainda  te  culparam  por  querer  destruir  essa  família  —  Héctor
balançou  o  rosto  enquanto  riu.  —  Você  está  bem  e  fora  de  perigo.  Nada
aconteceu ao bebê.
Fiquei aliviada. Era tudo muito recente, eu sequer queria entrar naquele
assunto porque era início de gestação, as coisas poderiam sair do controle, muito
mais do que já haviam saído...


Eu não podia esconder, entretanto, que estava muito feliz e aliviada com
a receptividade de Héctor a respeito disso.
— E o contrato? — perguntei.
— Esqueça o contrato — Héctor disse, muito sério. — Meu pai já saiu da
zona  de  risco,  em  breve  deve  acordar.  Então  decidiremos  sobre  que  fim  dar
àquele contrato, já que não estaremos mais casados por obrigação...
— Eu não me senti obrigada em nenhum momento — segurei em cima
da mão dele.
— Eu também não.
O  sorriso  de  Héctor  me  trazia  um  alívio  e  uma  calmaria  que  me  foram
escassos  nos  últimos  dias.  Fechei  os  olhos  para  aproveitar  aquela  sensação  e
senti a respiração dele se aproximar do meu rosto.
Seus lábios tocaram minha testa com doçura e sua mão afagou meu rosto,
fazendo-me suar debaixo daquele cobertor.
Da testa sua boca desceu para o meu nariz, assim ele pode sentir como eu
estava  ofegante.  Depois  nossos  lábios  se  encontraram  e  essa  sensação  foi  tão
boa! Selamos nossas lábios com demora e ele ainda continuou agarrado a mim,
tornando o ato de respirar um completo descontrole.
— Nunca mais pense em fugir — ele pediu.
— Eu não vou a lugar algum, prometo — foi a minha vez de afagar seu
rosto.
— É bom que se recupere logo, Anthony disse que não vai entrar para a
escola até que você possa leva-lo. Ele confia muito em você.
— Eu me sinto honrada.
— Agora que você está um pouco mais desperta, devo avisá-la que tem
visita — ele avisou.
— Visita? Quem poderia ser?
A porta do quarto se abriu.
Esperei que qualquer pessoa entrasse por ali... O senhor Brown, Valerie,
até  mesmo  Anthony,  ah,  como  eu  queria  vê-lo!  Eu  sentia  muitas  saudades
daquelas bochechas rosadas e aqueles olhos curiosos e muito rígidos feito os do
pai, que guardavam um coração tão mole e necessitado de afeto humano.
O impossível aconteceu.
Quase dei um pulo da cama ao ver a minha mãe e o meu irmão entrarem
no cômodo.
Aquilo foi surreal!


— Mas... como? — me perguntei. — Eu estou tendo alucinações?
Fiquei  sem  reação.  Apenas  vi  os  dois  correndo  em  minha  direção,  cada
um ficou de um lado da cama e agarraram minhas mãos.
— Bia!!! — minha mãe disse animada e preocupada, só não me abraçou
com medo de acabar arrancando o soro.
— Como vocês chegaram aqui?
— Nossa, viemos numa cabine luxuosa — Marcos, o meu irmão, disse.
— Primeira classe! Minha primeira viagem de avião e vim para os states! — ele
se divertiu.
— Bia, precisei tomar tanto dramin... — a minha mãe fez uma cara azeda
só de lembrar. — O senhor bilionário foi muito gentil em nos trazer — ela foi só
sorrisos. — Fomos muito bem tratados e estamos sendo tratados como reis desde
que chegamos... mas, me diga, minha filha, o que houve com você?
Tive que filtrar as informações.
Se  eu  contasse  que  havia  sido  sequestrada  pela  minha  sogra,  enganada
por  minhas  ex-colegas  de  quarto  e  estava  casada  com  um  bilionário  que  ia  me
ver em um clube de strip-tease talvez fosse muita informação para ela processar.
A saída foi responder-lhe dentro da zona de conforto.
— Ah... eu caí e peguei uma friagem... — menti.
Às  vezes  a  mentira  era  a  melhor  saída,  ela  não  precisava  de  muitos
detalhes.
— Eu sabia! Essa “Niu-orc” é muito gelada. E você deve sair por aí no
sereno! — ela se voltou para Héctor. — O senhor acredita que não me deixaram
trazer mel da roça? Nem um xarope, seu bilionário? Um dos dois resolvia isso aí
dela.
Héctor piscou os olhos, meio sem jeito, e me olhou de soslaio.
Havia  até  esquecido  que  ele  não  falava  português  e  comecei  a  rir
freneticamente. Em seguida traduzi o que minha mãe quis dizer e ainda a corrigi:
— Héctor, mãe — eu ri. — O nome dele é Héctor.
— É, é sim — ela assentiu.
— Não é permitido embarcar com coisas líquidas — Héctor explicou. —
Nos  tornamos  muito  rigorosos  a  respeito  de  viagens,  ainda  mais  as
internacionais...
Novamente  servi  de  intérprete,  do  inglês  para  o  português  dessa  vez.
Minha  mãe  não  queria  deixar  o  assunto  morrer,  pelo  visto,  queria  continuar  a
conversa.


— É, desde a queda das torre, né seu Héctor? Gostei desse menino, é tão
alto e tão gentil — ela sorriu.
— É, ele é gentil sim — concordei.
—  Bom,  eu  os  deixarei  a  sós  para  matarem  a  saudade...  —  Héctor  se
despediu. — E, Bia, os médicos voltarão em uma hora para conferir como você
está. Estarei na biblioteca com Anthony.
— Tudo bem. Obrigada — pisquei os olhos e o vi sair do quarto.
Meu Deus, que homem grande! — minha mãe comentou.
— Mãe! — a repreendi.
— Ele sabe montar em touro? Ele tem cara de ser um daqueles cowboys
bem valente!
— É, de certa forma ele é sim — acabei rindo.


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