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Héctor Mitchell

Os  homens  de  Adrian  estavam  no  terreno  juntando  os  cadáveres  e
procurando os fugitivos. Os homens de Ethan estavam vasculhando a mansão.
Todos nós ficamos chocados ao encontrar Geoffrey por ali, não do lado


errado dessa vez, ele rapidamente entrou na competição para ver quem acertava
mais pessoas como se aquilo fosse apenas um jogo.
E para homens como nós, era.
— Não ouse dar um passo! — a minha mãe preparou a arma e apontou
para Bia.
Eu  dei  um.  Dois.  Três.  Seis.  Todos  os  passos  necessários  até  ficar  entre
ela e a minha mulher.
Você foi longe demais — seus olhos mostravam total desaprovação.
— Você está bem, amor? — voltei-me para Bia.
Bia ficou calada, não estava nas melhores condições, mas antes de tê-la
de volta em meus braços, eu precisava esclarecer algumas coisas inacabadas.
Eu... eu estou... — ela gemeu.
Meus olhos novamente se encontraram com os da minha progenitora.
Eram detalhadamente parecidos, de um tom azul frio e ao mesmo tempo
brilhante como safiras lapidadas.
— Escolha bem as suas palavras — ela ameaçou.
—  Terá  de  me  matar  primeiro,  se  quiser  mata-la  —  desci  a  mão  até
encontrar a dela.
Guiei  a  pistola  pelo  meu  tronco  até  chegar  em  minha  testa.  Segurei  tão
firme no cano da arma que ela nunca conseguiria desviar.
— Você tem matado essa família pouco a pouco em nome da sua moral,
dos seus bons costumes, e opinião. Sugou o melhor de nós, nos afastou, tornou
tudo inabitável, gelado, sem valor... tudo por que quer “proteger a família”.
—  Sim,  eu  quero  —  ela  retrucou,  os  olhos  arregalados.  —  Proteger  a
família de mulheres como ela. Proteger o nome dessa família de herdeiros com
sangue de gente sem história. Proteger essa família que descende de um dos Pais
Fundadores e que carrega não apenas o legado e o poder da nação, mas o futuro
dela.
Continuamos nos encarando. Parecíamos um espelho sem saber quem era
o reflexo um do outro.
—  Esse  é  o  futuro  da  nossa  linhagem?  Isso  é  o  que  você  chama  de
família? Vale a pena se rebaixar tanto por uma... uma... prostituta?
Eu quis esbofeteá-la. Céus, ela sabia trazer o pior de mim.
E o pior, eu não sabia que aquele era o inferno até conhecer o paraíso.
Por  anos  eu  pensei  que  aquela  era  a  verdadeira  forma  de  se  pensar  e


viver, a forma correta de guiar a vida e me manter na linha, até perceber que eu
era rebelde.
Eu  tinha  fome  da  vida,  eu  tinha  vontade  do  desconhecido,  eu  precisava
de um pouco de luz, lucidez e amor.
Anthony veio primeiro, onze anos atrás. Bia onze anos depois.
E  só  havia  uma  dor,  uma  culpa,  uma  mágoa  em  forma  de  mancha  em
meu  peito,  por  ter  sido  cego  demais  e  não  ter  percebido  as  pistas  no  meio  do
caminho.
— A tradição erra — foi a minha resposta. — Os Pais Fundadores dessa
nação perceberam isso. Não nascemos para ser colônia, mas para sermos livres...
Ela não é livre! — minha mãe rosnou.
A mesma força que ela fez para direcionar a arma para Bia foi a mesma
que fiz para manter em minha testa.
—  Ela  sequer  é  americana!  É  uma  colombiana  nojenta,  uma  qualquer,
que veio para nossas vidas para nos tirar tudo!
— Ela é brasileira — mantive a minha calma. — Ela é a minha esposa. A
minha  companheira.  A  mulher  que  eu  escolhi  para  passar  o  melhor  dos  meus
dias.  Ela  me  deu  tudo  o  que  essa  família  não  pode  me  dar  há  anos.  Ela  me
devolveu tudo o que você me tirou. Ela reconstruiu a melhor parte de mim.
—  Você  e  o  seu  pai  são  iguaizinhos...  —  o  olho  direito  dela  brilhou  e
uma  lágrima  arrastou  pelo  seu  rosto  junto  com  a  maquiagem.  —  Fracos  e
incapazes de resistir a aproveitadoras. Renegando o sangue, o nome, a virtude e
a família para se entregarem a luxúria e o prazer momentâneo...
—  Ela  cuidou  do  meu  filho.  Ela  cuidou  da  minha  casa.  Ela  cuidou  de
mim  —  foi  a  vez  da  minha  lágrima  descer.  —  Depois  de  me  tirar  tudo  o  que
tirou, como ainda ousa querer arrancá-la? Quando o seu coração se tornou isso?
Por que está cega de ódio por alguém que não te fez mal algum?
Minha mãe gaguejou, em busca de suas respostas.
— Bia não é a stripper que destruiu o seu casamento. Bia não é a stripper
que teve um filho ilegítimo com o meu pai. Bia não é e não será a stripper que
você vai matar junto com um filho...
Minha mãe arregalou os olhos novamente.
— Você teve a sorte de ter um filho muito ocupado e que se preocupava
com a saúde do pai... — respirei fundo. — Mas eu precisei olhar de longe para
enxergar tudo o que estava acontecendo...
— Você não entende que ela fugiu de própria vontade? — ela grunhiu e


apontou para a mulher loira morta no chão, a Hillary. — A stripper confirmaria!
Ela quem decidiu fugir! Ela colocaria tudo a perder! Eu não vou permitir que a
minha fortuna...
— Fique com a sua fortuna — murmurei. — Eu só quero a minha mulher
de volta e poder viver em paz com a minha família.
Senti a mão dela tremer.
Nem  por  um  segundo  pisquei  ao  sentir  o  bocal  da  pistola  friccionando
contra a minha testa.
Minha mãe balançou a cabeça negativamente, o lábio inferior tremeu.
— Então é isso? Mais uma vez serei trocada por uma stripper? Você vai
renegar a sua mãe por essa mulher?
Antes que eu respondesse ela murmurou:
— O pai eu entendo... mas você? O meu filho?
Ela não me dava escolhas.
Ele queria o divórcio — ela disse com rancor. — Eu nunca permitiria


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