Protegida pelo Bilionário


Capítulo 4 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 4
Beatriz Rodrigues
Mesmo que não precisasse mais trabalhar aquela noite – ou a semana, o
mês, quem sabe o ano –, cumpri o meu turno para não deixar o senhor Brown na
mão.
Afinal de contas, Clair e Hillary não apareceram. Então as outras garotas
e eu tivemos de suprir aquela falta, embora aquela noite não fosse tão badalada
quanto as outras.
— Você precisa parar com isso ou eu te mato — Valerie murmurou em
meu ouvido.
Virei-me, devagar, para encará-la.
Valerie  era  a  antiga  “estrela  que  fazia  chover  dinheiro”  antes  da  minha
chegada. Uma mulher loira, cheia de cirurgias, com uma expressão que não dava
para decifrar se ela estava com raiva, tendo um orgasmo ou com metade da cara
paralisada.
— Parar com o quê, Valerie? — perguntei.
—  Roubar  meus  clientes  —  ela  resmungou.  —  O  mundo  pode  ser
perigoso, Sabrina. Não torne as coisas mais difíceis do que já são.
Revirei os olhos e até desisti de ir dançar para um cliente, ao que ela me
empurrou, passou na minha frente e caminhou até o ricaço.
Todos os homens que frequentavam o La Chica eram ricos e poderosos,
mas poucos deles eram realmente atraentes. E entre os atraentes, Héctor era sem
dúvidas o top 1 da lista.
Com  aqueles  olhos  acinzentados,  ombros  largos  e  a  mão  tão  firme  e
generosa,  ele  me  fazia  suspirar  sem  sequer  ter  tido  a  oportunidade  de  ter  uma
intimidade a mais comigo. E isso já era o suficiente para me deixar hipnotizada.
O  resto  dos  homens,  em  comparação  com  ele,  era  tipo  um  time  de
segunda classe, os reservas. Ricos, poderosos, cheios de ego e atrevidos. Mas a
presença era incomparável, Héctor fazia o salão parar quando entrava.
Por que ele queria justamente eu para aquele contrato de casamento?
— Vai lá — Valerie voltou e sua voz saiu amarga. — Eles querem você.
Encarei  o  homem  rechonchudo  e  o  calvo.  Abri  o  meu  melhor  sorriso  e
dei um passo à frente.
Eles sempre querem você — Valerie murmurou às minhas costas, num


tom intimidador.
Após  dançar  para  aqueles  dois  homens  nota  2  e  encantar  os  outros  que
estavam no clube, consegui que Brown me liberasse mais cedo. Ele me entregou
um  cheque  de  meio  milhão  de  dólares  e  eu  o  guardei  dentro  do  bolso  da  calça
jeans e voltei para casa, tarde da noite, de táxi.
A  rua  estava  deserta,  tudo  estava  silencioso,  não  havia  uma  estrela  no
céu.
Era realmente isso o que eu queria para a vida? Dançar para homens não
tão atraentes e vê-los querendo passar dos limites comigo?
Ok que uma vez ou outra apareciam um Kevin, Derik ou Héctor da vida,
mas eles eram mais a exceção do que a regra.
O que era melhor para mim?
Assim,  distraída  e  dividida  em  pensamentos,  entrei  no  prédio  de  sete
andares que era habitado por pessoas de classe média e subi para o quinto andar
onde era meu apartamento.
Tirei  a  chave  da  bolsa  antes  de  sair  do  elevador  e  andei  pelo  longo
corredor até chegar na porta da minha casa que estava aberta.
Alguém em casa? — perguntei assim que fiquei diante da entrada. —
Oi? — meti a cabeça porta dentro.
Consegui manter a calmaria externa, embora por dentro eu estivesse em
pânico.
Tudo estava revirado.
A  cozinha  americana  que  dividia  o  cômodo  com  a  sala  estava  uma
verdadeira  zona:  fogão  revirado,  geladeira  caída  no  chão,  máquina  de  lavar
roupas  depredada.  Sofá?  Televisão?  Vasos  de  planta?  Falemos  de  restos,  de
sobras deles...
E para receber meu diploma de louca pirada, entrei.
Devagar, bem de fininho, um pé de cada vez.
Hill? — sussurrei, atenta ao redor. — Clair?
Revirei  a  bagunça  na  bolsa  e  tirei  o  aparelho  de  dar  choque  de  dentro
dela  e  me  preparei  para  dar  uma  descarga  elétrica  em  alguém,  mas  ninguém
apareceu.
Clair? — tornei a chama-las. — Hill...?
Ao chegar no quarto de Clair, vi seu corpo no chão, ensanguentado.
Cambaleei para trás e assumi toda a sanidade que me restava: saí dali o
mais rápido que pude.


Me  joguei  dentro  do  elevador  e  apertei  o  botão  para  descer
freneticamente.
Repentinamente o corredor que antes era apenas um corredor, se tornara
uma cena de filme de terror.
Fiquei  tensa,  mal  conseguia  pensar  no  que  estava  ocorrendo,  eu  só
conseguia bater com o dedo no botão de descer, desesperada para sair dali.
Quando a porta se abriu, me joguei com toda a força dentro e dei graças a
Deus quando a porta se fechou e comecei a descer.
No térreo, segui meu caminho sem olhar para trás.
Abracei  a  bolsa  contra  o  meu  corpo,  aproveitei  para  tirar  documentos  e
celular de dentro dela e colocar tudo no bolso, o resto era mero detalhe.
Andei  rápido,  virei  duas  esquinas  e  quando  eu  estava  prestes  a  pegar  o
aparelho de choque ao perceber que estava sendo seguida, senti uma mão forte
segurar em meu braço.
Quase apaguei minha amiga.
Hillary tremia e olhava para os lados, assustada.
Eles vieram... — ela olhava para todos os cantos.
Fui puxada para um beco, devo confessar que fiquei com mais medo do
que antes. Hillary se agachou e escondeu o rosto entre as pernas.
Eles vieram e a mataram...
Fiquei em silêncio, não sabia o que dizer. Só alisei seus cabelos e olhei
ao redor.
Eles sabem que nós trabalhamos no La Chica — foi difícil entender
porque ela se atrapalhava nas próprias palavras.
— E o que tem isso? — me agachei.
Eles sabem... eles sabem onde nos encontrar...
—  Quem  são  eles?  E  porque  eles  iriam  atrás  de  nós?  —  eu  precisava
entender.
Era pior ficar no escuro ou saber o que estava ocorrendo?
— Me conta, Hill! Você está bem? Fizeram algo contigo?
Ela ficou catatônica, balançando o corpo para frente e para trás, parecia
uma criança.
Eu a chacoalhei, não me agradava ficar ali na rua, as noites de Nova York
são  comumente  frias  e  não  é  uma  boa  opção  para  duas  mulheres  ficarem
sozinhas assim...


— Quem são eles? — insisti.
— Os caras que deram as drogas para ela... eles vieram cobrar a dívida...
eles a... eles a...
— Eu vi — poupei o seu sofrimento de me contar.
—  Eles  sabem  que  trabalhamos  no  La  Chica  —  ela  voltou  a  repetir  o
disco.
— E o que tem eles saberem que trabalhamos lá?
Hillary ergueu os olhos e me encarou, atemorizada.
— Eles acham que nós ajudávamos a Clair.
Merda. Ferrou tudo.
—  Ela  pegou  muito  com  eles,  era  uma  dívida  de  cinco  dígitos...  era
dinheiro de verdade...
Dei um passo para trás.
— Eles vão vir cobrar de nós também! — ela não chorou, mas continuou
naquele estado deplorável.
— Hill, precisamos sair da rua. Não podemos nos esconder em um beco
— olhei ao redor e como não vi nenhum táxi passando, eu mesma chamei numa
rápida ligação.
— Para que fugir? Eles vão nos encontrar!
— Hill! — a balancei com força. — Precisamos sair daqui!
— Mas as maquiagens caras... as roupas...
— Esqueça isso, mulher! — eu a levantei e a empurrei contra a parede.
— Eu tenho experiência em fugir, ok? Vou tirar a gente dessa!
Eu nem sabia se ia conseguir me livrar daquela merda, mas eu precisava
acalmá-la de alguma forma.
— O táxi já está chegando... você me sugere algum lugar para irmos?
Ela ficou quieta, olhando para o vazio.
Quando  o  carro  chegou,  eu  abri  a  porta  dos  fundos  e  a  joguei.  Cuidado
não é bem meu sobrenome, então sim, ela bateu com a cabeça, mas coisa boba.
Joguei três notas de dez dólares no colo do taxista e disparei:
— Dirija para o mais longe daqui, por favor.


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