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Capítulo 35 Beatriz Rodrigues



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Capítulo 35
Beatriz Rodrigues

— Bia — ouvi a voz de Héctor. Era fácil estremecer ao ouvir meu nome
sair de seus lábios.
— Sim — respondi, de olhos fechados.
— Me desculpe, acho que eu não serei capaz...
— Capaz de quê? — perguntei, preocupada.
— De deixá-la ir embora.
Fiquei sem ar. Eu não sabia se seria capaz de ir embora e deixá-lo.
O  toque  de  Héctor  em  meu  rosto  me  fez  fechar  os  olhos  novamente.
Suspirei ao perceber que sua respiração ficou cada vez mais próxima.
Ele não precisava de argumentos bem elaborados para me fazer ficar.
Apenas aquele beijo era o suficiente.
Uma  sensação  anestésica  tomou  conta  do  meu  corpo.  Estar  nos  braços
dele parecia o suficiente para fazer o tempo parar e o espaço se tornar um mero
detalhe.
Nunca imaginei que pertencer a alguém fosse tão arrebatador, prazeroso
e libertador.
Você faz com que eu me sinta... seu — Héctor murmurou.
A  cena  foi  se  distanciando  até  que  me  vi  em  fuga.  Hillary  e  eu,
desesperadas, correndo para salvar a própria vida...
Até o momento em que tive a impressão de ter visto Clair... e apaguei.
Como?! — acordei atordoada.
Ouvi o som da voz das duas discutindo em outro cômodo.
Eu estava amordaçada, vendada, algemada, que sensação horrível!
Grunhi, me contorci no chão, nada adiantou. Permaneci presa a escuridão
e sem movimentos.
— Não faça nada estúpido, Bia — Hillary pediu.
Como se eu pudesse fazer alguma coisa!
— Precisamos ir. Eles podem nos achar aqui.
O quê? Para onde? O que está acontecendo?
Senti  mãos  fortes,  parecia  um  homem,  que  me  ergueu  do  chão  e  me


carregou.  Ouvi  o  som  do  elevador  e  antes  que  a  porta  fechasse,  senti  aquele
cheiro intenso, profundo, que ecoou por dentro de mim e me fez apagar.
Acordei.
Dia  após  dia  senti  aquela  sensação  que  deixava  o  corpo  cada  vez  mais
pesado até sentir todas as funções motoras se desligarem.
Minha  boca  estava  seca.  Meu  estômago  doía,  era  como  se  eu  tivesse
levado  uma  porrada  no  baixo  ventre.  Fiquei  dias  vendada  que  abrir  os  olhos,
mesmo  naquele  quarto  com  pouca  luz,  trouxe  uma  nova  dor.  Uma  que  eu  não
merecia.
Onde estou? — murmurei.
Não havia ninguém ali.
Onde eu estava?
Não  era  sujo,  os  móveis  eram  luxuosos  e  havia  muito  espaço  no  lugar.
Estava limpo, não parecia de longe um hotel 3 estrelas.
— Acordou — uma voz feminina veio da escuridão, saiu pela porta e a
trancou.
— Volta aqui! — pedi. — Eu preciso de ajuda! — olhei ao redor. A voz
saiu  fraca,  debilitada,  entreguei-me  ao  silêncio  porque  o  corpo  desidratado
pesou.
Meu  rosto  encontrou  o  chão  gelado,  meus  olhos  conseguiam  distinguir
uma luz vindo por debaixo da porta do cômodo.
Que merda eu fiz?! Era Héctor que estava fazendo isso comigo? Eu tive
devaneios e vi Clair?
A porta se abriu.
Meus olhos conseguiram distinguir uma silhueta feminina, mesmo com a
pouca luz.
Cada  vez  que  seu  scarpin  batia  no  chão,  vindo  em  minha  direção,  meu
coração retumbava e eu me encolhia.
Ela parou diante de mim, não pude ver seu rosto. Se esperava que eu me
levantasse, iria desapontá-la, não tinha forças nem para ficar acordada.
—  Espero  que  tenha  sido  muito  bem  tratada  —  havia  um  quê  de
felicidade no tom da voz.
A  mulher  demorou  poucos  segundos  diante  de  mim,  se  afastou  em
seguida e sentou-se em algum lugar escuro da sala.
— Não entendo porque vocês nunca aceitam o dinheiro — agora seu tom
vinha  carregado  de  desapontamento.  —  Vocês  são  mulheres  da  vida.  Não  tem


ideia do que é o amor e como esse sentimento puro é capaz de nos tornar fortes
para proteger a nossa família — ela suspirou.
Por favor — era tudo o que eu conseguia dizer.
— Você não é mais do que uma mancha na história dos Mitchell — ela
resmungou, como se estivesse descontente com um prato de restaurante que veio
errado.  —  Nada  que  eu  não  possa  lidar.  Já  enfrentei  mulheres  piores  do  que
você. Nocivas, perigosas, astutas. Mas você... — ela estalou os lábios, num “tsc,
tsc” que me fez gemer. — Por que cavou tão profundamente no passado? Quem
diabos você pensa que é? Não poderia ser essa puta suja que dorme com o meu
filho e o entretém para que ele se esqueça o quanto é fraco?
Senhora Mitchell — implorei. Eu não fazia ideia do que essa mulher
iria fazer comigo.
Onde estavam Hillary e Clair?
Haviam me entregado a ela e fugido?
A mulher se levantou.
— Sim. Eu sou a senhora Mitchell. Diferente de você, uma aproveitadora
que pensa que pode desestruturar essa família — passo a passo ela caminhou até
mim.
Eu não sabia mais o que dizer.
Minha cabeça girava, meus lábios doíam, meu corpo estava fraco.
—  Imigrante  nojenta.  Mesticinha  imunda.  Você  nunca,  nunca  devia  ter
saído  da  merda  do  seu  país  de  terceiro  mundo.  Essa  terra  não  foi  feita  para
pessoas como você. Pessoas como você precisam ir para trabalhos forçados até
a morte, alimentar a máquina, servir-nos e nunca nos dirigir a palavra.
Ouvi  um  som  alto.  Pensei  que  fosse  um  tiro.  Num  suspiro  e  gemido
entreguei-me  ao  choro.  Sem  grande  drama  e  sem  força,  apenas  lágrimas  e  a
sensação dolorosa do meu rosto se contorcendo.
—  Irei  garantir  que  você  não  destrua  a  única  coisa  que  restou  dessa
família:  o  dinheiro.  A  manterei  aqui  como  garantia  de  que  tudo  ocorrerá  bem
até que a minha fortuna esteja segura.


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