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Estar  com  você  poucos  meses  foi  como  viver  uma  eternidade  onde  eu
podia ser inteiramente eu.
E cada momento valeu à pena.
Não se culpe.
Obrigada por despertar o melhor em mim. Por me ajudar a enfrentar as


chagas  do  passado  sem  saber  de  minha  história.  E  por  confiar  o  seu  tesouro
mais precioso aos meus cuidados.
Assim como Serena, quando eu me for, não terei desaparecido.
Permanecerei, pelo menos num pequeno fragmento, contigo.
Bia”.

O gosto amargo voltava à boca.
Peguei  todos  os  papeis  pequenos  e  coloquei  na  pasta  de  couro,  as
pinturas eu segurei com as mãos.
Tranquei o quarto de Bia e desci as escadas, onde encontrei uma dúzia de
homens atrás de um bem alto, de óculos escuros, chapéu fedora e sobretudo.
— Vamos varrer toda a casa — Ethan disse com segurança.
— Estarei no escritório — avisei e procurei Anthony pelo lugar.
Ethan  fungou  bem  forte  ao  se  aproximar  de  mim,  fiz  uma  careta  e  o
empurrei.
— Você é um cão farejador agora? — reclamei.
— Só queria atestar que está sóbrio, sem efeito de drogas — ele sorriu no
fim.  —  É  comum  ceder  a  algo  que  anestesie  a  mente  e  o  corpo  em  busca  de
melhoras temporárias, você sabe...
— É, eu sei — reclamei. — Mas eu não sou o meu pai. E nem quero uma
melhora temporária. Eu quero a minha mulher — rosnei.
—  Aí  fizemos  panquecas  e  sujamos  toda  a  cozinha...  —  ouvi  a  voz  de
Anthony vindo da cozinha.
Caminhei em passos largos até o cômodo e o chamei.
Hora de ir, filho!
— Ah, ele não vai ficar? — Yone perguntou.
— Preciso leva-lo, Yone.
—  Vocês  estão  precisando  de  algo  lá  no  apartamento?  Precisam  que
eu...?
— Não, não, fique aqui. Mantenha tudo como está, por favor. Anthony e
eu vamos sobreviver sozinhos. Acho, até, que precisamos desse tempo juntos.
Yone abriu um fino sorriso e concordou.
— Vamos, filho? — o chamei.
Anthony deu adeus a Yone e se dirigiu ao carro.


—  Obrigado  por  manter  tudo  como  estava,  Yone.  Ethan  veio  rastrear  o
local,  pegar  todas  as  imagens  que  precisa,  trouxe  uma  equipe  técnica  para
estudar algumas coisas... volto assim que possível.
— Certo, senhor Mitchell. Espero que o senhor esteja bem.
— Vai ficar, em breve.
Da mansão no Hamtpons fui direto para o hospital onde meu pai estava
internado.
Ethan disse que eu teria uma surpresa ao chegar lá.
Não  poupei  tempo.  Dirigi  até  o  hospital  e  levei  o  meu  filho  no  quarto
onde seu avô estava.
Eu  já  não  podia  mais  poupá-lo  da  realidade.  Anthony  precisava  sair,
enfim, da bolha que eu havia criado e ter contato com o mundo externo.
Já de cara ele ficou meio espantado ao ver homens de preto com armas
grandes guardando o corredor.
Quando  entramos  no  quarto  ele  ficou  quieto,  se  aproximou  devagar  e
examinou o avô, que estava de olhos abertos.
—  Ele  começou  a  responder  a  vários  estímulos  —  a  enfermeira
informou, animada. — É um avanço e tanto!
— Ele já está fora de risco? — era o que eu precisava saber.
— Não posso dar essa resposta nesse momento, mas assim que possível
lhe informarei isso, senhor Mitchell.
— Ok.
— Ele está dormindo? — Anthony perguntou.
—  Deve  ser  algo  parecido  com  isso  —  respirei  fundo.  —  Quando  ele
acordar, vamos perguntar-lhe como foi a sensação.
—  Ele  devia  estar  tomando  a  mesma  sopa  que  eu  —  Anthony  fez  uma
careta. — Eu tomava e dormia por dias...
Meu  pai  tinha  muitos  problemas  de  saúde,  já  estava  velho  e  bem
debilitado, além dos caprichos que ele fazia com drogas, bebidas, pílulas azuis...
— O que você disse, filho? — voltei-me para Anthony.
— A Amanda. Ela me dava aquela sopa que eu...
Concordei de imediato e dei-lhe as costas.
— Não saia daí — mandei e saí do quarto.
Chamei a enfermeira que ainda estava pelo corredor e ela veio a mim.
— Sim, senhor Mitchell?


— Quando ele começou a responder aos estímulos? — perguntei.
— Há uma semana, na verdade. Tentamos entrar em contato, mas...
— Obrigado — dei-lhe as costas e peguei o celular.
Procurei o número de Ethan no histórico e liguei para ele.
—  Não  sou  o  Sherlock  Holmes,  Hex. Não  encontrei  nada  ainda.  Dê-me
mais algumas horas e... — Ethan já começou a tentar se justificar.
— Ethan, quando descobrimos que meu pai estava sendo envenenado?
Era uma possibilidade, no início, até que infiltramos um dos nossos no
hospital e tivemos a certeza... fazem um mês e meio talvez.
— E quando o nosso pessoal fechou o corredor? — perguntei.
— Um mês ou menos que isso. Aonde você quer chegar?
—  Durante  as  minhas  aulas  após  a  sindicância  Lilith  me  contava  uma
história — fechei os olhos.
—  Não  era  nenhum  romance  de  banca,  né?  Sabrina...  essas  coisas...  —
ele riu do outro lado.
—  A  Caverna  de  Platão  —  revirei  os  olhos.  —  Onde  as  imagens  eram
projetadas na parede e eram tomadas como realidade. Mas na verdade elas eram
reflexo de algo que estava acontecendo fora da caverna.
—  É.  Meu  síndico  foi  o  Terence  Smith,  você  sabe.  Ele  também  me
contava a droga dessa história...
O termo “síndico” se referia aos nosso padrinhos e madrinhas dentro da
Grande Ordem, as pessoas que nos instruíram, que passaram seus conhecimentos
para nós, que foram nossos professores e cuidadores durante o nosso processo de
formação.
— Às vezes as ilusões podem se confundir com a realidade quando não
olhamos para o lado certo. Ficamos tão concentrados na projeção das imagens,
do que achamos que estamos vendo, que ignoramos a verdade...
— Que é...? — Ethan perguntou, ansioso, do outro lado.
— Que é o que ignoramos.
Eu me arrepiei.
Ouvi aquela voz feminina atrás de mim e me virei rapidamente.
— Que é o quê? Não ouvi — Ethan reclamou do outro lado da linha.
Engoli  em  seco  e  pisquei  os  olhos  várias  vezes  para  confirmar  se
realmente estava vendo quem eu estava vendo.
Lilith — murmurei.


Ela  fechou  a  porta  atrás  de  si  e  deu  alguns  passos  à  frente.  Sorriu  para
Anthony e espiou o meu pai em cima da cama.
— Estou de volta, meu bem — ela sorriu.
*
* *
Ninguém diria que Lilith tinha a idade que tinha. Qualquer um lhe daria
entre trinta e trinta e cinco anos.
Tinha  um  olhar  jovem,  uma  pele  bem  cuidada,  gostava  de  se  trajar
daquele jeito estranho que lembrava uma cigana na maioria das vezes, mas como
estávamos em Nova York, aquilo era mais do que natural.
Adornada com muitas joias e com um olhar misterioso, a minha síndica
caminhou pelo quarto em um silêncio tão solene que pareceu que o tempo parou.
O  andar,  o  movimento,  cada  gesto  dela  era  silencioso.  Diziam  que  ela
tinha  poderes  mágicos  e  era  capaz  de  se  teletransportar,  desaparecer  sem  ser
vista,  aparecer  em  lugares  fechados  do  nada.  Eu  sabia  que  era  pura  verdade,
ainda mais porque ela fora a minha professora.
—  Espero  não  ter  atrapalhado  sua  ida  a  Europa  —  eu  disse,  admirado,
um tanto embasbacado em vê-la.
— Não atrapalhou — ela disse com firmeza. — Meus netos nasceram —
ela sorriu. — Precisei estar lá. Quando você tiver os seus, entenderá.
— Os filhos do Ricardo?
— Victor — ela fez um cafuné em Anthony que era totalmente avesso a
estranhos,  mas  Lilith  tinha  um  certo  encanto  que  nem  mesmo  meu  filho  era
capaz de resistir. — Deixe-me ver sua mão, querido — ela pediu.
Anthony estendeu.
Lilith  olhou  rapidamente  a  mão  esquerda  e  a  fechou.  Deu  umas
palmadinhas em cima do dorso dela.
— Guarde bem essa mão — ela sorriu de forma significativa e se voltou
para mim. — A linha da vida da mão do seu filho é bem longa e nítida para um


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