Protegida pelo Bilionário



Baixar 1.31 Mb.
Pdf preview
Página10/124
Encontro29.07.2021
Tamanho1.31 Mb.
#16598
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   124
@ligaliteraria Protegida pelo Bilionario - Yule Travalon (1)
Héctor Mitchell

A  assisti  se  levantar  cautelosamente,  assustada,  e  se  sentar  na  mesa,
virada para mim. Naquele instante eu não via a desinibida e novo ícone sexual
da Nova York noturna e secreta, mas a menina por detrás da máscara.
— Você não parece tão confiante agora — analisei.
Sabrina  ergueu  os  olhos  timidamente,  parecia  que  haviam  roubado  seu
personagem. E que inferno, ela ficava muito melhor assim.
Por  detrás  da  máscara  que  comumente  era  a  mulher  jovem  e  poderosa,
cheia de si e que tinha poder para negar a qualquer homem, agora eu podia ver
sua verdadeira face. Uma garota, apenas uma garota. Parecia ter sido pintada por
um artista muito apaixonado no êxtase de seu amor.
— O que o senhor quer?
Ela  tentou  recuperar  a  pose,  mas  era  difícil.  Impossível,  para  dizer  a
verdade, ainda mais diante de mim. Altivo, sério e com pose de dono do mundo,
sentei-me  com  os  caras  que  governam  o  mundo.  E  mesmo  que  eu  tentasse
reproduzir a postura intimidante, eu não podia esconder que por detrás daquela
armadura eu era apenas... um fã.
Tantos  corpos  e  mulheres  pela  noite,  todas  elas  cheias  de  cirurgias,
silicone e escondidas em armaduras de falsas belezas e conteúdo artificial... mas
aquela garota era um poço de beleza genuína.
Ela tentava ser selvagem, forte, imitar uma pose que chamava a atenção


no primeiro olhar, mas para quem tivesse a curiosidade de encarar-lhe nos olhos
para além da bunda e seios, dava para perceber que aquela não era exatamente
ela.
Era sim uma parte deliciosa de um todo, mas não era ela.
— Você ainda não me respondeu. Prefere Sabrina ou Beatriz? — tornei a
perguntar.
Ela respirou fundo. Livrar-se daquela máscara foi como deixá-la nua. Ela
sabia quem eu era – quem não saberia?
Mas eu também sabia quem ela era.
Tinha  ido  a  fundo  em  tudo  o  que  poderia  saber  sobre  a  jovem  Beatriz
Rodrigues da bela terra chamada Brasil, lá no sul da América.
Como  eu  já  disse,  sou  apenas  um  fã.  Com  poder  aquisitivo,  bons
detetives e interesse.
— Beatriz — ela decidiu e me encarou com seriedade.
— Dia ruim? — ofereci meu copo com whisky e gelo.
Ela pegou e examinou. Passou os lábios pela borda do copo, seu batom
ficou  por  lá.  Cheirou  o  aroma  caliente  da  bebida  e  deu  um  gole.  No  segundo
seguinte virou o rosto e cuspiu tudo, tossiu bastante.
— Um dia péssimo — ela limpou a boca com o braço. — Descobriram
minha  identidade  secreta  e  a  minha  colega  de  apartamento  está  envolvida  com
drogas com gente muito perigosa. Acho que é um modo da vida dizer que não é
dessa vez, melhor voltar para o Brasil e tentar na próxima encarnação.
Permaneci  sério,  altamente  concentrado  em  seus  lábios  enquanto  se
moviam.  Peguei  o  copo  de  volta  e  saboreei  o  líquido  enquanto  a  olhava,  sem
demora.
Desde o primeiro instante em que a vi, percebi que Beatriz era o tipo de
mulher  que  precisava  ser  analisada  com  muita  paciência,  pois  os  detalhes  se
perdem, e quando os detalhes se perdem, não sobra mais nada.
—  Estou  aqui  para  resolver  os  seus  problemas  —  ofereci  a  bebida
novamente.
Ela recusou, mas se sentiu tentada a pegar o copo.
No  jogo  da  vida  a  parte  que  brinca  com  dinheiro,  sexo  e  poder  é
exatamente sobre isso: não importa se no fim se aceita ou recusa, o importante é
ficar tentado.
— Vai fazer o quê? Me dar um milhão de dólares e um Green Card?
ela debochou.


—  Eu  já  dei  os  um  milhão  de  dólares  —  cruzei  as  pernas  e  a  fitei  com
seriedade,  mesmo  sob  seu  olhar  de  descrença.  —  O  Green  Card  pode  ser
negociável.
— “Negociável?”
Viu? Tentada.
—  Assim  como  você,  senhorita  Beatriz,  eu  também  tenho  os  meus
problemas. Mas eu me esforço em como resolvê-los e é por isso que estou aqui.
—  Eu  posso  resolver  os  seus  problemas?  —  foi  a  vez  dela  cruzar  as
pernas.
Não me restava opção além de abrir o jogo.
— Sou herdeiro de...
—... Uma mega empresa responsável por energia — ela completou e me
encarou como se soubesse o suficiente para me intimidar ou impressionar.
—  O  que  a  senhorita  não  sabe  é  que  meu  pai  é  um  homem  sádico  e
descompensado  da  cabeça,  embora  um  excelente  pai  —  fiz  uma  pausa  para
beber. — E em seu testamento ele me deixa tudo. Não deixa para minha mãe ou
irmãs, não deixa para nenhum outro membro da família, apenas para mim. E ri
da minha cara quando coloca na cláusula que eu devo me casar para receber tudo
o que me é de direito. E ficar junto com essa pessoa por pelo menos um ano.
— E o que você pretende fazer? — ela se curvou e repousou os braços
nas coxas.
— Eu estou aqui, não estou?
Era uma pergunta retórica e ela apenas me fitou.
— E o que você quer de mim?
Beatriz  descruzou  as  pernas  e  deslizou  as  mãos  pela  roupa  de  látex  que
deixava seu corpo tão bem desenhado.
— Quero te oferecer o seu Green Card.
Beatriz riu, fiquei em silêncio enquanto ela se divertia.
— Você só pode estar brincando...
Permaneci com minha face austera.
— Mesmo que nos casemos, o Green Card não vai sair na hora. Eu ainda
vou precisar esperar um bom tempo para que tudo se ajeite.
—  Burocracia  para  um  homem  como  eu  é  um  mero  detalhe.  Posso
garantir  que  ao  fim  de  um  ano  você  terá  seu  visto  permanente  e  uma  conta
bancária gorda para aproveitar sua experiência na América.


Ela  mordisca  o  lábio  e  abaixa  o  rosto,  dá  brecha  para  mostrar  que
consegue pensar na proposta. Está tentada, vê?
A palavra secreta que abre caminhos é: tentação.
Beatriz olhou ao redor, mexeu um pouco nos dedos, evitou me olhar por
um longo tempo.
— Preciso pensar.
E eu não precisava de mais nada.
—  Pense  também  que  não  precisará  mais  viver  clandestinamente,  com
medo de ser deportada a qualquer instante...
— Mas como você...?
— Eu fiz o meu dever de casa — me levantei e arrumei a roupa para que
ficasse  acertada  ao  corpo.  —  Faça  o  seu  —  entreguei-lhe  um  cartão  com  meu
número.
— Eu vou ter um cartão de crédito sem limites? Poderei viajar livremente
pelo país? Vou ter que dormir com você? — ela disparou as perguntas.
Normal. Isso mostrava que ela já começara a fazer o dever de casa.
Que garota eficiente.
Pisei  em  cima  da  mesa,  o  sapato  social  preto  italiano  repousado  no
espaço  vago  que  suas  coxas  deixaram  ali  e  inclinei  meu  corpo  para  poder
examiná-la de perto. Dessa vez não apertei seu queixo com os dedos, mas com a
mão. Toquei seu lindo rosto, subi os dedos até a nuca e a assisti se contorcer em
leves espasmos quando eu a massageei.
—  Cartão  de  crédito  sem  limites,  sim.  Viajar  livremente  pelo  país?
Certamente, você será a minha mulher, não uma prisioneira. E dormir comigo?
Não, infelizmente não — a olhei de cima abaixo.
— Não?
— Infelizmente eu me sinto desconfortável em dividir a cama enquanto
durmo — tirei minha mão de sua nuca. — Mas se você quis perguntar se vamos
foder com força, como dois animais selvagens que você sabe que somos...
Ela abriu bem os olhos, assustada.
— Pode apostar que sim.



Baixar 1.31 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   6   7   8   9   10   11   12   13   ...   124




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal