Prof. Thiago veronezzi


M3- APOSTILA DE ARTE p. V



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M3- APOSTILA DE ARTE p. V 

COLÉGIO INTEGRADO DE CAMPO MOURÃO 

PROF.THIAGO VERONEZZI 

 



fiscalização  da  arte  que,  na  verdade,  jamais  haviam  se  ausentado  das  políticas  culturais 

desenvolvidas  no  Brasil,  atingiram  um  patamar  insustentável  de  repressão  após  1968,  com  a 

promulgação  do  AI-5.  Foram  vetadas  músicas  de  artistas  famosos  como  Chico  Buarque  e  Caetano 

Veloso,  peças  de  teatro  foram  proibidas  no  dia  de  estreia,  novelas  de  televisão,  romances  e 

espetáculos foram considerados imorais ou subversivos, isto é, capazes de subverter a ordem social 

e política.  

A  produção  artística  dessa  época,  entretanto,  foi  das  mais  representativas,  principalmente 

por  mostrar  a  capacidade  de  resistência  e  denúncia  dos  artistas.  De  forma  sutil  e  velada,  eles 

conseguiram  enfrentar  a  censura  e  transmitir  suas  mensagens.  Compositores  usaram  pseudônimos 

para escapar da censura – caso de Chico Buarque que, na década de 1970, compôs algumas músicas 

com  o  pseudônimo  de  Julinho  da  Adelaide  –  e  autores  de  telenovelas  criaram  enredos  nos  quais 

incríveis  metáforas  teciam  duras  críticas  à  sociedade  –  por  exemplo,  Jorge  Andrade,  na  novela  



Grito,  em  1975.  Nessa  trama  um  edifício  inteiro  não  conseguia  dormir  em  razão  de  uma  criança 

doente que acordava gritando.  

O  desenvolvimento  dos  meios  de  comunicação  de  massa  fez  com  que os governos criassem 

dispositivos ainda mais rígidos de censura para o cinema, o rádio e a televisão.  

A  censura  foi extinta no Brasil em 1988 e desde então ao governo cabe somente a indicação 

da  faixa  etária  a  que  se destina a obra ou o programa. Mas as questões ligadas à função política da 

arte  e  às  relações  desta  com  o  poder  ainda não se encontram definidas. O advento da rede mundial 

de  computadores,  a  Internet,  sobre  a  qual,  até  o  momento,  não  há  nenhum  mecanismo  político 

centralizados  de  controle,  traz  à  tona  novamente  essas  questões,  avivando  a  discussão  acerca  da 

liberdade de expressão.  

Mas o controle sobre a produção artística, que era privilégio do Estado, hoje é exercido pelo 

mercado.  Com  o  enfraquecimento  das  instituições  públicas,  mecanismos  de  financiamento  da 

produção  artística  foram  criados  e,  através  deles,  as  empresas  privadas  podem  atuar  sobre  a  arte, 

patrocinando  espetáculos,  edições  de  livros e realização de filmes, em troca de abonos das dívidas 

contraídas  junto  ao  Estado.  Trata-se,  de alguma forma, do antigo mecenato renascentista, quando os 

artistas, no alvorecer de sua autonomia e profissionalização, empregavam-se nas cortes europeias. A 

escolha  por  este  ou  aquele  espetáculo,  todavia,  foge  aos  interesses  do  campo  artístico  e  se  traduz, 

principalmente,  por uma  opção de caráter publicitário.  

 

  

 



 

 

 



 

 

 



 

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