Prof. Thiago veronezzi



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Arte, política e censura

 

Se o conhecimento das relações que a arte mantém com a ação política – tanto conservadora 



quanto  revolucionária  –  abriu  espaço para o reconhecimento de sua importância, também alertou os 

poderosos  para  o  controle  da  produção  artística,  através  de  regulamentações  e  dispositivos  que 

cercearam  a  liberdade  dos  artistas.  Principalmente  os  regimes  autoritários  estabeleceram  rígida 

censura  às  partes  e,  embora  essa  tentativa  de  controle  da  produção  artística  não  seja  nova  na 

história,  ela  se  tornou  mais  radical  a  partir  do  século  XIX,  à  medida  que  a  profissionalização  e 

autonomia  dos artistas garantiram-lhe  maior liberdade criativa. 

No  Brasil,  a  censura  esteve  presente  nos  diversos  momentos  de  sua  história,  com  a  corte 

portuguesa  e  a  Igreja  Católica  se  revezando  na  função  fiscalizadora  de  nossa  produção  artísticas 

desde  os  tempos  coloniais.  E,  quando  proclamada  a  independência,  a  monarquia  se  incumbiu  de 

continuar  vigiando  nossos  hábitos  culturais.  Para  isso  proibiu  o  uso  de  outra  língua  que  não  o 

português  e  investiu  contra  o  Barroco,  que  caiu  em  desapreço  por  suas  raízes  ao  mesmo  tempo 

religiosas  e  mestiças.  Os  templos  tiveram então suas paredes caiadas e o branco cobriu alegorias e 

madonas  mulatas. 

Com  a  república,  houve  o  legado  autoritário  da  monarquia e novos mecanismos de controle 

da  arte  se  estabeleceram.  O  Modernismo,  pelo  seu  caráter  renovador  e  por  ter  coincidido  com  a 

tendência totalitária da década de 1930, foi um dos movimentos mais cerceados da primeira metade 

do  século  XX.  Nessa  época,  o  Teatro  de  Experiência,  dirigido por Flávio de Carvalho foi fechado 

pela  polícia,  e  durante  todo  o  Estado  Novo  a  censura  usou  de  rigor  e  arbitrariedade  contra  os 

artistas.  O  Departamento  de  Imprensa  e  Propaganda  (DIP)  transformou-se  num  grande  ministério 

com os objetivos de promover e fiscalizar a produção artística e os meios de comunicação.  

Com  o  final  dos  regimes  autoritários  no mundo e o contato com artistas estrangeiros, muitos 

dos  quais  emigraram  para  o  Brasil,  nas  décadas  de  1940  e  1950,  as  artes  amadureceram  e  as 

instituições  artísticas  se  legitimaram.  Quando,  enfim,  atingimos  um  ponto  de  sintonia  com  a 

produção    internacional  da  arte  e  quando  uma  infra-estrutura  mínima  para  promover a formação de 

novos  artistas  já  existia  nas  maiores  cidades,  houve  o  golpe  militar  de  1964.  O  controle  e  a 




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