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FIEP BULLETIN - Volume 80 - Special Edition - ARTICLE I - 2010  (http://www.fiepbulletin.net) 

ESPORTE ADAPTADO: CONCEITO HISTÓRICO E EVOLUÇÃO NA CIDADE DE 

PRESIDENTE PRUDENTE 

 

ISAQUE AUGUSTO

 

PAULO ROBERTO BRANCATTI



 

Universidade Estadual Paulista

 

Campus Presidente Prudente – São Paulo – Brasil 



 

 

1.  A HISTORIA DO ESPORTE ADAPTADO 



 

O esporte adaptado surgiu no começo do século XX, por volta de 1922, quando foi fundada a 

ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DE ESPORTES PARA SURDOS (CISS), sendo que as pessoas 

com está especifica deficiência se organizaram e realizaram sua própria competição: os jogos 

silenciosos. 

Em 1945,  após o término da Segunda Guerra Mundial, tendo em vista o grande número de 

pessoas lesionadas na coluna vertebral e também amputadas devido o conflito nos países 

europeus, um médico alemão neurocirurgião Ludwig Guttmann iniciou o trabalho de 

reabilitação  médica em veteranos de guerra, utilizou-se de práticas esportivas para tal 

finalidade. 

Segundo a CPB “Tudo começou no Centro Nacional de Lesionados Medulares de Stoke 

Mandeville. O próprio neurocirurgião teve sua vida influenciada pela 2ª Guerra, visto que teve 

de fugir da Alemanha nazista por ser judeu”. 

Na história do esporte adaptado, a primeira competição para pessoas com deficiência foi 

realizada em 29 de julho de 1948, em Stoke Mandeville, datada também a abertura dos jogos 

olímpicos de Londres. Após  quatro anos dessa primeira competição atletas holandeses 

participaram nesta mesma cidade, e assim surgiu o movimento paraolimpico, sendo que em 

1960, em Roma, aconteceu a primeira paraolimpiada, termo somente utlizado a partir de 1984. 

Em Roma, Antonio Maglio amigo do Doutor Guttmann e diretor do Centro de Lesionados 

Medulares de Ostia, na Itália, propôs que os Jogos Internacionais de Stoke Mandeville se 

realizassem naquele ano na capital italiana, imediatamente após a XVI Olimpíada, chamados 

então de "Olimpíadas dos Portadores de Deficiência", os jogos reuniram 400 esportistas em 

cadeira de rodas de 23 países. (CPB – COMITÊ PARAOLIMPICO BRASILEIRO) 

Até a paraolimpíada de 1972, apenas atletas cadeirantes participaram. Em Roma, oito esportes 

foram disputados: Snooker, Arremesso de peso, Lançamento  de disco, Basquete em Cadeira 

de Rodas, Natação, Tênis de Mesa, Arco e Flecha e Pentatlo. O Papa João XXIII recebeu os 

participantes em audiência privada e elogiou o trabalho  de Guttmann. A Itália foi a grande 

vencedora da competição, seguida pela Inglaterra e Estados Unidos. 

O esporte adaptado surge para proporcionar a pessoa com deficiência física a integração ao 

meio social, e proporcionando benefícios físicos nas quais ele necessita para sobreviver e ter 

uma melhor qualidade de vida. 

MELO & LÓPEZ(2002) fala que “a prática de atividade física e/ou esportiva por portadores de 

algum tipo de deficiência, sendo esta visual, auditiva, mental ou física, pode proporcionar 

dentre todos os benefícios da prática regular de atividade física que são mundialmente 

conhecidos, a oportunidade de testar seus limites e potencialidades, prevenir as enfermidades 

secundárias à sua deficiência e promover a integração social do indivíduo”. 

Para que isso aconteça os exercícios devem ser adaptados especificamente para tal 

deficiência, sendo que ela terá muita dificuldade de realizá-los ao primeiro contato com a 

atividade física. 

Tal atividade pode-se ressaltar ganhos de agilidade no manejo da cadeira de rodas, de 

equilíbrio dinâmico ou estático, de força muscular, de coordenação, coordenação motora, 

dissociação de cinturas, de resistência física; enfim, o favorecimento de sua readaptação ou 

adaptação física global (Lianza, 1985; Rosadas, 1989 e Souza, 1994) Na esfera psíquica, 



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podemos observar ganhos variados, como a melhora da auto-estima, integração social, 

redução da agressividade, dentre outros benefícios ( Alencar, 1986; Souza, 1994; Give it a go, 

2001). 


 Concordando com o Dr. Guttmann, Sarrias (1976), ressalta que o esporte pode ser um agente 

fisioterapêutico atuando eficazmente na reabilitação social e psicológica da pessoa com 

deficiência, não devendo ser considerada apenas como uma atividade recreativa. 

Atualmente, o esporte adaptado, através do Comitê Paraolímpico Brasileiro e de apoios 

financeiros de patrocinadores, estão assumindo um caráter profissionalizante, ficando evidente 

através da evolução tecnológica de alguns equipamentos, como próteses, órteses, cadeira de 

rodas, transformando o esporte adaptado em um trabalho moral e até como fonte de renda 

para muitos pará-atletas em diferentes modalidades. 

 

2.  O ESPORTE ADAPTADO NO BRASIL 



 

Em 1958, o esporte paraolímpico começou a ser praticado em solo nacional. No dia 1º de abril 

daquele ano, no Rio de Janeiro, o cadeirante Robson Sampaio de Almeida, em parceria com 

seu amigo Aldo Miccolis, fundou o Clube do Otimismo. Alguns meses depois, precisamente em 

28 de julho, Sérgio Seraphin Del Grande -  também deficiente físico -  cria o Clube dos 

Paraplégicos de São Paulo. A data foi escolhida para homenagear os dez anos de Stoke 

Mandeville. (CPB)

Os fundadores resolveram trazer o esporte adaptado para o Brasil após terem sido tratados em 

hospitais norte-americanos.  

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Na época os hospitais norte-americanos reabilitavam pessoas com lesão medular através do 

esporte, realizando atividades físicas de habilidade, coordenação, resistência e fortalecimento 

muscular. 

A primeira competição internacional que o Brasil teve participação foi o parapanamericano de 

Buenos Aires, em 1969. A  finalidade desta participação era de buscar conhecimento das 

modalidades que integravam os eventos paraolimpicos. Três anos depois, o Brasil foi 

representado em sua primeira Paraolimpíada, que teve a cidade alemã de Heidelberg como 

sede. 


Segundo CPB, “no Parapan da Cidade do México, em 1975, o Brasil teve duas delegações, 

conseqüência da falta de comunicação entre as maiores entidades paraolímpicas de São Paulo 

e do Rio de Janeiro. Este problema fez com que Stoke Mandeville exigisse a fundação de uma 

associação nacional. Assim, ainda no avião que retornava do México, foi criada a Associação 

Nacional de Desporto de Excepcionais, atual Associação Nacional de Desporto de Deficientes 

(ANDE). Em 1978, o Brasil sediou a quinta edição dos Jogos Parapan-Americanos, no Rio de 

Janeiro, com participação exclusiva de cadeirantes. Aldo Miccolis, José Gomes Blanco 

(presidente da SADEF-RJ) e Celso Coutinho (Clube dos Amigos) formaram a junta governativa 

do evento”. 

 

 



3.  BASQUETE SOBRE RODAS 

 

O basquete sobre rodas surgiu nos EUA tanto na costa leste, como na costa oeste. Os 



hospitais estavam repletos de jovens com lesão na coluna em virtude da maior tragédia da 

historia da humanidade, a Segunda Guerra Mundial. Deste empreendimento, resultou a criação 

do primeiro time de basquete em cadeira de rodas dos EUA, O The Flyng Wheels, de Wan 

Nuys, Califórnia. Essa equipe fez uma turnê pelo pais, cujo roteiro consistia em uma serie de 

apresentações com o objetivo de difundir o esporte adaptado, sensibilizar o público e, 

principalmente, despertar o interesse das pessoas com deficiência para a pratica de atividades 

físicas. 



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Winnick (1990) afirma que foi a partir desse movimento de mobilização que o governo norte 

americano estabeleceu metas visando fundamentar o seu programa de Reabilitação Desportiva, 

no período de 1946 a 1948. nesta época, Lipton uniu-se ao professor Timothy J. Nugent, diretor 

do studant Rehabilitation da Universidade de Illinois técnico do time Gizz Kids de Illinois, para 

organizar, treinar e promover equipes de basquete sobre rodas. Como nos diz Freitas (1997) 

“ as raízes do esporte para deficientes físicos podem  ser traçadas através da historia do 

Basquete sobre rodas”. 

Em 1958, foram criados os primeiros clubes de Basquete sobre rodas no Brasil. Como relata 

Araújo(1998) o basquete sobre rodas começou a ser praticado no Brasil em fevereiro de 1958 

pelo Clube dos Paraplégicos. Porem, no que consta dos registros oficiais, o precursor foi o 

clube do Otimismo, primeiro clube esportivo de basquete sobre rodas no Brasil a adquirir 

personalidade jurídica, no Rio de Janeiro, em primeiro de abril de 1958 por intermédio de 

Robson Sampaio de Almeida.  

 

4.  ATLETISMO ADAPTADO 



 

O atletismo é uma modalidade reconhecida mundialmente pelo seu histórico na humanidade, 

sendo a primeira modalidade dos jogos olímpicos gregos e também inseridos nos jogos 

olímpicos modernos. 

O atletismo é uma modalidade que abrange um grande número de pessoas devido a grande 

quantidade de provas, entre corridas, saltos e arremessos. Dentro do esporte paraolímpico não 

seria diferente, muito pelo contrário, o atletismo paraolimpico além da divisão de provas e sexo 

tem também a divisão por classificação funcional. 

O atletismo para pessoas deficientes cumpre com os mesmos objetivos do atletismo 

convencional, no entanto, exige adequações/adaptações para que possam cumprir com o 

objetivo proposto (BRANCATTI, P. R.; CASTELETI, J.P. 2006) 

A classificação funcional é o método utilizado para que não haja desvantagem entre os 

competidores. Tal classificação é feita de acordo com a deficiência, amplitude de movimento, 

musculatura preservada, entre outros, mais especificamente a potencialidade do atleta de 

acordo com a prova que ele ira realizar. 

Tendo assim, um aumento de aproximadamente 20 (vinte) classes por prova, ou seja, onde no 

atletismo convencional temos apenas uma prova de 100m rasos, temos aproximadamente 20 

(vinte) provas de 100m rasos no atletismo paraolímpico. 

O atletismo ao longo dos anos, vem crescendo como modalidade esportiva no âmbito mundial, 

tendo grande interesse por parte dos atletas desta prática. No calendário esportivo o aumento 

de investimentos vem ocasionando o maior número de competições ao longo do ano, ajudando 

na lapidação do atleta para sua evolução. 

No paradesporto o atletismo devido seu maior número de provas e através de suas varias 

classificações funcionais, a porcentagem de uma medalha ou  índice é maior do que no 

atletismo convencional. 

Como o paradesporto ainda está em crescimento, e mais do que no esporte convencional o 

investimento é fundamental, a tecnologia interfere diretamente no rendimento dos atletas 

devido aos equipamentos específicos utilizados pelos mesmos. Ex: (cadeira de rodas, bancos 

de lançamento e próteses esportivas) 

 

5.  O ESPORTE ADAPTADO EM PRESIDENTE PRUDENTE 



 

Desde 1998, um grupo de professores de Educação Física e Fisioterapia e alunos do curso de 

Educação Física oferecido pela FCT/UNESP  de Presidente Prudente, vem desenvolvendo o 

projeto de Atividade Motora Adaptada às pessoas com deficiência, trabalhando com as 

atividades físicas e o esporte como prática educativa, de lazer e de competição na área da 

Educação Física Adaptada.  




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Na FCT/UNESP o projeto nasceu com o nome de AMA – Atividade Motora Adaptada,  teve o 

objetivo em facilitar o relacionamento da pessoa com deficiência com o mundo externo através 

do esporte, tanto na reabilitação quanto na melhoria da qualidade de vida dos participantes. 

Normalmente o recrutamento de pessoas com deficiência acontecia no ambulatório de 

fisioterapia  da Universidade, com pessoas lesionadas na medula, através da professora 

responsável. 

BRANCATTI(1999)   apud ROSADAS(1989), considera que a  Educação física adaptada ou 

especial, é uma área do conhecimento em Educação física e esportes que tem como finalidade 

privilegiar a população caracterizada “deficiente”, e desenvolve-se através de atividades 

psicomotoras, pedagógicas, terapêuticas, lazer, esportiva, como também, nas diversas técnicas 

de orientação e locomoção. Para que esta área tenha sucesso, é necessário o 

desenvolvimento de pesquisas entre os profissionais de Educação física e o envolvimento da 

Universidade na prestação de serviços à comunidade, oferecendo condições para que o 

conhecimento e a prática dos esportes adaptados sejam expandidos cada vez mais à 

população deficiente 

O esporte adaptado dentro da FCT/UNESP, foi crescendo e tomando rumos maiores, sendo 

um dos projetos mais conhecido entre os campus da Unesp,  onde  alunos  dos cursos de 

Educação Física e fisioterapia começaram a participar, orientados  sobre as  modalidades 

esportivas. Na época, o numero de pessoas praticantes era apenas de 8 indivíduos com algum 

tipo de deficiência.. 

A modalidade esportiva que incentivou o grupo foi o basquete, na qual era jogado em cadeira 

de rodas, no inicio o jogo era realizado com as cadeiras dos próprios participantes, não havia 

recurso para adquirir uma cadeira especifica para esta modalidade. 

Em  2003, o projeto iniciou sua participação no Campeonato Paulista de Basquetebol Sobre 

Rodas, sendo sua primeira participação como um marco para os participantes que nunca 

haviam participado de um torneio dessa magnitude. 

Nesse torneio paulista, a equipe de Presidente Prudente, não obteve nenhuma vitória.  

Com o apoio da Universidade o projeto A.M.A. foi ganhando espaço dentro do campus, assim 

recursos financeiros foram chegando e cadeiras de basquete sobre rodas, especifica para a 

modalidade foram compradas com o apoio da Universidade. 

O objetivo no inicio era de reabilitação física e integração social, mas com os acontecimentos e 

participações em competições e torneios o objetivo passou a ser outro, voltado mais para a 

competição abrindo espaço para a iniciação esportiva e treinamento para o desempenho físico. 

Em 2005, deu-se iniciou as atividades na pista de atletismo “Mario Covas” em Presidente 

Prudente, com a modalidade de atletismo, onde alguns dos iniciados na modalidade vinham do 

basquete sobre rodas, começaram nas provas de arremesso de peso e lançamento do disco. 

Nas provas de pista era trabalhado com pessoas com paralisia cerebral. 

Nessa modalidade o projeto levou atletas para os jogos regionais e jogos abertos do interior 

representando a cidade de Presidente Prudente, e no mesmo ano para as etapas regionais e 

nacionais do circuito paraolimpico, competição da Comitê Paraolimpico Brasileiro. 

No final de 2007, o projeto de extensão tomou rumo ainda maior, com a ascensão das 

modalidades e precisando de maior investimento em nossos materiais e profissionais, tomou-

se a decisão de se fundar uma entidade filantrópica sem fins lucrativos, decidindo fundar uma 

associação. 

 

6.  ADAPP – ASSOCIAÇÃO DE DESPORTO ADAPTADO DE PRESIDENTE PRUDENTE 



 

Em três de dezembro de 2007, foi fundado a Associação de Desporto Adaptado de Presidente 

Prudente, objetivando incentivar o esporte adaptado nesta cidade. 

A ADAPP tem apoio de empresas particulares, SEMEPP – Secretaria Municipal de Esportes de 

Presidente Prudente  e a parceria com a Universidade Estadual Paulista no campus de 



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Presidente Prudente, hoje tem como sócios cerca de 50 membros devidamente registrados nas 

quais são atletas, pessoas que apóiam a entidade.  

Na área desportiva a associação consta com 3 profissionais formados em educação física, uma 

equipe de estagiários da FCT/UNESP e também psicólogas e fisioterapeutas. 

Um dos grandes marcos desta entidade foi a participação do campeonato paulista de 2008, na 

qual sagrou-se campeã paulista na serie bronze. 

Atualmente a associação consta com atletas reconhecidos nacional e internacionalmente, 

atletas recordistas brasileiros e com uma experiência internacionalmente, trazendo bons 

resultados das etapas do comitê Paraolimpico Brasileiro.  

A associação neste ano de 2009 começou com uma nova modalidade a natação, já mandando 

atleta para o circuito paraolimpico. 

Em 2010, espera-se o maior investimento no esporte paraolimpico, pensando desde já nas 

paraolimpiadas de 2016 que será realizado no Rio de Janeiro. 

Definindo a ADAPP, podemos concluir que ela cumpre seus objetivos propostos, visando suas 

ações e incentivos perante o esporte adaptado na cidade de Presidente Prudente e regiâo, na 

qual está em evolução nesses anos desde o inicio do projeto de extensão AMA. Retrocedendo 

na historia do esporte adaptado brasileiro, perante outros paises nosso esporte está 

caminhando em passos curtos por falta de incentivos e apoios tanto financeiro como social. 

 



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