Presente do passado



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Encontro21.07.2021
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Dom, 08 de Maio.

PRESENTE DO PASSADO.

Olho pra minha frente e lá está ele, dormindo meio esticado na nossa cama. Adentro o quarto na tentativa de vivenciar melhor essa cena. Ele sorri como se estivesse feliz demais para sonhar com algo que não fosse tão bom quanto à realidade, e eu sorrio de volta, mesmo que ele não me veja, porque a realidade é muito melhor do que o sonho. Porque os dias já foram nublados e a vida meio tempestade (aqui dentro já doeu ‘pra’ cacete).

E já achei que não ia dar conta de juntar todos os meus caquinhos para recomeçar outra vez. Porque eu me enfiei em muitas historias que estavam na cara que dariam errado só para ter alguém para me completar. Engano tolo, a gente não se completa com qualquer migalha, nem com outros.

Analiso o calendário do celular, falta vinte e três dias para o fim do mês, sete meses para o ano acabar, há nove meses eu não era eu. Eu não tinha os mesmos planos que alimento agora, não tinha a mesma fé, criei coragem e temor ao Altíssimo ao longo dos meses, não tinha segurança de quem acha que nunca vai estar sozinha. Há nove meses eu procurava desesperadamente pelo amor da minha vida. Olho mais uma vez pra ele adormecido nas minhas almofadas de algodão e sinto vontade de correr até lá e deitar ao seu lado e mergulhar no mesmo lugar em que seu inconsciente vagueia, mas permaneço olhando-o.

Eu não encontrei o amor da minha vida como nas historias de amor, nem como nos filmes de comédia romântica, a gente não cruzou a mesma esquina, não trocou risadas e nem o telefone numa dessas festas sem graça. Eu encontrei o amor da minha vida enquanto lamentava descontroladamente por ter conhecido o ex-amor da minha vida, depois dele ter um porre e enviar pra mim enxurradas de mensagens sem respostas. Eu encontrei o amor da minha vida quando olhei no espelho e reconheci ali, naquela imagem de mulher destruída, o que eu tanto estava buscando em outros corpos.

Depois ele apareceu, numa noite linda, de surpresa, com o uniforme do trabalho. Lindo. Atraente e com aquele sorriso feito a pincel. Já chegou mostrando ao que veio, deixou claro desde o início que vinha para ficar e ficou. Mas não foi porque nos completamos e unimos as nossas metades da laranja, foi porque a gente transbordou. O amor é isso: quando a água não cabe mais dentro do copo e transborda, preencher o outro copo é responsabilidade sua. Eu fui aprendendo meio que ‘na marra’ que precisava fazer isso sozinha, que a minha felicidade não podia depender de ninguém. Sou eu quem me faço feliz. Olho para ele mais uma vez, e me enfio no meio dos seus braços. Ele é só mais um dos motivos para que o meu sorriso não saia da minha boca. Um ótimo motivo, um dos melhores motivos.

RABISCO diário



Por JANIELLE.

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