Praça Dr. Augusto Gonçalves



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Dinheiro sobrando no caixa

Praça Dr. Augusto Gonçalves 

 De: 07 Hs às 19 Hs

itaparkest@hotmail.com

O original de Itaúna

Folha


povo

Itaúna.com

Itaúna, Sábado, 25 de julho de 2020 |  Ano 24 |  Edição nº 1388 | 11  páginas

Fundado por Renilton Gonçalves Pacheco, em 1º de janeiro de 1996

  |  R$ 2,00 

pandemia

PÁGINA 5


COLÉGIO SANT’ANA

Como a FOLHA publicou na edição passada, o coronel, 

empresário, benfeitor e jornalista Manoel Gonçalves de Souza 

Moreira está sendo lembrado por completar 100 anos de seu 

falecimento no dia 20 de julho. O historiador Guaracy de Castro 

Nogueira informa em seus escritos que Manoelzinho foi um dos 

responsáveis pelo surgimento das duas maiores empresas da 

história da cidade, até aqui: a Tecidos Santanense e Cia. Indus-

trial Itaunense.

Também explica que foi através da doação de Manoelzinho 

que pôde ser construída a maior obra benemérita de Manoel 

Gonçalves de Souza Moreira, que é a Fundação Casa de Caridade 

que leva seu nome, mantenedora do único hospital da cidade, 

que ganha ainda mais importância nestes tempos de pandemia 

do novo coronavírus.

Outra grande obra ligada ao benfeitor é o Orfanato de Itaúna, 

este construído a partir da doação da sua esposa, a também 

grande benemérita itaunense Dona Cota. Parte desta história 

será relembrada na entrega da comenda criada por lei, pela 

Câmara de Itaúna, em solenidade marcada para a terça-feira, 

dia 28, a partir das 16 horas, e que está sendo abordada nesta 

edição pelo diretor do jornal, Renilton Gonçalves Pacheco, em 

sua coluna “Ponta da Caneta”, na página 02.

Mas o ponto alto desta importante história para os itaunenses 

está no artigo do jovem itaunense Rafael Corradi, também na 

página 02. O articulista aponta a necessidade de a memória de 

Manoelzinho também ser resgatada na história da construção 

do Colégio Santana, importante centro educacional de Itaúna. 

E mais, cobra, com apontamentos do historiador Guaracy de 

Castro Nogueira, que aquela escola respeite a vontade do be-

nemérito Manoel Gonçalves de Sousa Moreira e abra espaços 

para que crianças carentes de Itaúna possam frequentar aquele 

educandário. Afinal, foi por isto que Manoelzinho destinou sua 

rica herança, avaliada hoje em cerca de R$ 97,5 milhões, para a 

saúde e a educação da classe menos favorecida dos itaunenses. 

Servidora

denuncia

vereadora

invasão

PÁGINA 3


Quatro 

veículos


recuperados

polícia


PÁGINA 7

PÁGINA 3


Índices 

melhores 

a cada ano

edUcaÇão


PÁGINA 4

Emissão 


on-line

em agosto

iTBi

Também é obra 



do Manoelzinho

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A herança do Tenente-Coronel Manoel 

Gonçalves de Sousa Moreira pertence ao 

povo carente da cidade de Itaúna. Por isso, 

“Itaúna é moralmente dona do Colégio 

Sant’Ana e a congregação legalmente” 

– segundo o sétimo parágrafo da Ata 

da Assembleia Geral Extraordinária da 

Congregação do Espírito Santo, em 12 de 

setembro de 1991. Sem que nossa gente 

tivesse controle, ocorreu a dilapidação da 

obra filantrópica e os desvios institucionais 

das finanças provenientes do espólio dei-

xado pelo benemérito Manoelzinho para se 

criar o hospital da cidade. Seriam noventa 

e sete milhões e meio de reais, em valores 

atualizados. E milhares de crianças itau-

nenses em “pobreza, aptidão intelectual e 

boa formação” teriam tido seus estudos de 

qualidade patrocinados – segundo a Escri-

tura Pública (31/05/1955) de transferência 

do Colégio Sant’Ana e seu imóvel, que per-

tenciam ao Hospital Manoel Gonçalves de 

Sousa Moreira. Hoje, uma mobilização dos 

poderes públicos municipais tem a chance 

de realizar a maior homenagem que Ma-

noelzinho poderia receber na celebração 

de seu centenário. Em pleno 2020, nossos 

líderes possuem tudo o que precisam para 

pressionar o Colégio Sant’Ana a conceder 

as bolsas de estudo devidas às crianças 

carentes da cidade, conforme obrigação 

registrada nos estatutos da escola e no 

testamento que a financiou.

No dia 23 de junho de 1945, a Santa 

Casa itaunense usou do dinheiro doado por 

Manoelzinho para comprar o imóvel onde 

hoje funciona o Colégio Sant’Ana, à rua Dr. 

José Gonçalves – segundo transcrição no 

Cartório de Registo de Imóveis da Comarca 

de Itaúna. Formalmente, entre 1945 e 1955, 

o Ginásio Sant’Ana (seu nome à época) 

pertencia à Escola Normal, que era pro-

priedade da Casa de Caridade. Da herança 

benemérita, já haviam saído investimentos 

educacionais fracassados. Segundo o histo-

riador Guaracy de Castro Nogueira, foram 

uma escola para moços. Logo após o hos-

pital direcionar dinheiro para construção 

e funcionamento da Escola Normal, para 

moças, tentou-se dar força ao “Gymnásio 

Itaunense e Escola Comercial Anexa”. 

Funcionou no antigo prédio da Fundição 

Corradi, na avenida Getúlio Vargas, em 

frente ao atual Lua Clara. A iniciativa data 

de 02 de abril de 1931 e tem a liderança do 

Padre Inácio Fidelis Campos, apoiado pelo 

Dr. Joaquim de Araújo Mendes. O intento 

deu errado e jogou nas costas do sucesso 

do Colégio Sant’Ana a responsabilidade do 

retorno sobre o investimento em Educação 

feito com o dinheiro do Manoelzinho, 

desde antes.

A principal condição imposta pela dire-

ção da Casa de Caridade Manoel Gonçalves 

à injeção de dinheiro no Colégio Sant’Ana 

era a concessão de bolsas de estudo para 

a população carente de Itaúna. Era o ponto 

que materializava a razão de ser da herança 

de Manoelzinho. Isso era tão importante 

que virou requisito para a transferência de 

administração do Colégio, quando ele foi 

entregue à Congregação do Espírito Santo, 

mediante um minúsculo valor simbólico. 

Na escritura pública (nº 15.362, fls.81, livro 

3_T do Registro de Imóveis de Itaúna) que 

realizou o negócio, consta da página dois 

que a Congregação deveria se comprome-

ter a distribuir “gratuidades” em cada série 

sob o critério de “pobreza, aptidão intelec-

tual e boa formação moral”. Este propósito 

constou dos termos estatutários do Colégio 

durante 60 dos 77 anos de sua existência, 

até que foi curiosamente ocupando menos 

espaço no texto, e desapareceu, na reforma 

estatutária de 15 de dezembro de 2003, 

quando o lugar se tornou formalmente 

uma Associação. Antes disso, o documento 

definia o Sant’Ana como uma entidade 

filantrópica que, ao possuir condições 

financeiras, deveria criar mecanismos ca-

pazes de levar Educação para a “juventude 

mais abandonada”.

Dom Mário Clemente Neto, membro 

da Congregação do Espírito Santo, es-

creveu um e-mail para os colegas: Padre 

Giovanni Van de Laar, Professora Yedda 

Machado Borges, Padre Geraldo Hoger-

vorst, Padre Eduardo Miranda, Advogado 

Dr. Divaldo Roque de Meira, no dia 30 de 

janeiro de 2012. Ele relata ter descoberto 

que “hoje o Colégio estaria sendo adminis-

trado simplesmente como uma empresa 

comercial, visando lucro com o controle 

administrativo feito por meio de docu-

mentos e atas de assembleias fictícias, em 

que os cargos [assentos] da Associação são 

todos ocupados dentro da mesma família” 

[a família de Márcio Augusto Nogueira dos 

Santos – o Marcinho]. O religioso continua 

a descrever sua inquietação e relata que 

“em 2011, o Dr. Guaracy Nogueira o sur-

preendeu com preocupação pelo fato de o 

Padre José ter sempre resistido à transfor-

mação do colégio em Fundação, o que fez 

Dom Mário ficar realmente (sic) surpreso, 

pois toda a negociação de transferência 

do Colégio para o grupo que lá está ‘era 

condicionada a isto!’ (sic)”.

Segundo o website ‘econodata.com.

br/lista-empresas/Minas Gerais/Itaúna’, o 

faturamento anual estimado do Colégio 

Sant’Ana gira hoje entre 20 e 50 milhões de 

reais, com algo entre 101 e 150  funcionários.  

A Câmara Municipal de Itaúna progra-

mou realizar, na próxima terça-feira, uma 

sessão solene de celebração ao centenário 

da morte de Manoel Gonçalves de Sousa 

Moreira. Uma das entidades homena-

geadas convidada é o Colégio Sant’Ana. O 

evento pode ser uma oportunidade de os 

vereadores colocarem a História de Itaúna 

a serviço do bem atual da população, em 

lugar de simplesmente afagar vaidades 

de algum homenageado. Vaidades, estas, 

sustentadas às custas de filantropia e 

trabalho feitos com as mãos de outros. É 

um típico caso do homenageado que faz 

graça com chapéu alheio. Um exemplo: 

Itaúna terá motivos fortes para aplaudir 

caso compareçam como representantes 

do Colégio, a Professora Yedda de Paula 

Machado Borges e o Padre Giovani Van 

Der Lar. Ambos responsáveis pelo espírito 

de responsabilidade social que criou e 

gestou a escola durante décadas, mas que 

assim como eles, foi colocado para fora da 

instituição sem que a atual administração 

desse qualquer explicação. Dona Yedda 

Machado Borges, filha do histórico Dr. 

Ovídio Machado, foi uma das primeiras 

professoras – começou a lecionar lá em 

1947. Trabalhou gratuitamente quando 

os alunos precisavam estudar, mas o 

orçamento era curto. Hoje, com quase 

cem anos de idade, mora na Praça Doutor 

Augusto Gonçalves e tem enorme alegria 

em contar os bastidores da escola que 

ajudou a construir em favor da cidade de 

Itaúna. Padre Giovani Van Der Lar chegou 

ao Sant’Ana junto com os padres holande-

ses e batalhou pela responsabilidade social 

do lugar. Fora do Colégio, há mais de trinta 

anos, se dedica diuturnamente a um centro 

de obras sociais educacionais que ele criou 

no Bairro Piedade e atende filantropica-

mente, primordialmente com seu esforço, 

a dezenas de crianças do Morada Nova.

Para as crianças pobres dos bairros 

da cidade, de nada adianta promover 

discursos chapa-branca em seguidas ho-

menagens a Manoel Gonçalves de Sousa 

Moreira. É preciso abrirmos a boca para 

instigar reflexões sobre o que ainda pode 

ser cumprido da vontade testamentária 

do benemérito. Isso faz jus à altura da 

memória de quem é considerado o maior 

cidadão itaunense de todos os tempos. Se 

por um lado a herança de Manoelzinho 

foi sendo dilapidada por aqueles que 

não otimizaram seu dinheiro a favor do 

nobre espírito social e filantrópico que ele 

registrou em testamento, por outro ainda 

é possível nos unirmos com o apoio da 

Câmara dos Vereadores e da Prefeitura 

para homenagear gente viva que traduza 

com suas ações o verdadeiro significado 

do centenário de Manoelzinho. Com isso, 

adquirimos uma chance de sensibilizar 

aqueles que ainda controlam os frutos 

institucionais existentes viabilizados pela 

famosa herança, mas que ainda têm muito 

a cumprir em favor do município.

Folha

povoitauna.com



2

opinião


itaúna | sábado, 25 de julho de 2020 | edição 1388

Manoel Gonçalves de Sousa Moreira, representada pela 

sua provedora, Marilda Chaves; a Fundação São Vicente, 

representada pelo seu provedor; Colégio Estadual de 

Itaúna, representado pela sua diretora; o Instituto Maria de 

Castro, representado pelo seu presidente atual; e o Colégio 

Sant’Ana, representado pelo seu diretor e/ou o presidente 

da Associação que o gere hoje.

E é aí que começamos a desconfiar desta intenção de 

“homenagear” o filantropo Manoel Gonçalves. No artigo 

3º da Resolução nº 05/2020, que cria a comenda, consta 

que nos anos subsequentes ao da sua promulgação as Co-

mendas serão entregues a personalidades que contribuem 

para o desenvolvimento social do nosso município, e serão 

regulamentadas através de portaria feita pelo presidente 

do Poder Legislativo. Fica explicado. A comenda será 

mais um instrumento político para que os vereadores e o 

presidente da Casa Legislativa possam afagar a quem lhes 

interessar, desde que obedecido o mínimo de critério para 

se reconhecer os que contribuem (personalidades e ins-

tituições) para o desenvolvimento social do Município. E 

isso fica evidente já nesta primeira condecoração. Por que 

o Colégio Sant’Ana está sendo condecorado? A instituição 

de ensino que abriga em suas salas de aulas os filhos da 

elite econômica e social de Itaúna contribui com o quê no 

desenvolvimento social da comunidade? Nesta mesma 

página, logo abaixo, é possível ver os absurdos cometidos 

em nome da religião e dos bons costumes. Não há motivos 

para o Colégio Sant’Ana estar entre os homenageados. 

Não contribui em nada para o desenvolvimento social 

de Itaúna. Além disso, há dúvidas quanto ao seu destino 

quando se vai estudar a doação de Manoel Gonçalves ao 

povo itaunense, as mudanças estatutárias e os desmem-

bramentos do testamento. A Escola Estadual, antes o 

colégio para moças, é hoje um órgão de ensino do Estado

cumpre o seu papel e pronto. É dever do Estado oferecer a 

educação básica. Fim. À Cia. Industrial Itaunense não vejo 

nenhum motivo para a condecoração. No passado, no seu 

auge, pode ter contribuído para o desenvolvimento social 

da comunidade, mas sempre atuou visando o lucro e o 

poder político. Não justifica receber hoje uma comenda. 

charge


Em outras oportunidades já discutimos neste 

espaço problemas que envolvem diretamente a nossa 

comunidade e ações que poderiam ter mudado o destino 

de muitos itaunense pobres, não fosse a arquitetura do 

mal exalada da alta sociedade da então Sant`Ana do São 

João Acima e depois Itaúna, no século passado. No mês 

que registra o centenário de morte do maior filantropo 

itaunense, o Coronel Manoel Gonçalves de Sousa Mo-

reira, o Manoelzinho – homem que deixou sua fortuna 

ao povo itaunense, pensando em toda a coletividade, 

com distinção aos pobres –, trava-se nos bastidores, 

por pseudointelectuais e historiadores de fachada, uma 

briga surda para ver quem pode melhor exaltar o mais 

nobre itaunense. A palavra nobreza, um substantivo 

feminino, pode ter múltiplos significados e definições, 

mas em todos eles a característica ou a particularidade 

do que é nobre é definida como ter caráter generoso, 

magnanimidade; qualidade conferida a pessoas cuja 

origem há pureza, boa educação, requinte e bons 

comportamentos ou que contém excelência; elevação, 

etc. Como podem ver, são qualidades que poucos têm, 

principalmente na atualidade, quando a individualidade 

é priorizada em uma sociedade consumista. 

Definido a nobreza do maior benfeitor, entendemos 

que Itaúna deve muito a esse homem e agora, 168 anos 

após seu nascimento e ao relembrar o centenário de 

sua morte, resolveram homenageá-lo instituindo uma 

comenda com seu nome. A Comenda Manoel Gonçalves, 

instituída pelo Poder Legislativo Itaunense, que será 

entregue pela primeira vez na terça-feira, dia 28, às 16 

horas, no plenário da Câmara Municipal, conferida a 

representantes dos poderes constituídos, Legislativo, 

Executivo e Judiciário, além de instituições e empresas 

que tiveram a participação de Manoel Gonçalves ou 

foram instituídas graças ao seu desprendimento e vonta-

de. Entre elas estão a Cia. de Tecidos Santanense e a Cia. 

Industrial Itaunense. As instituições Casa de Caridade 

Uma 


comenda 

“ensaboada”

Ponta 

da Caneta






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