Pré-socráticos e a noçÃo de ser: uma panorâmica elnora Gondim osvaldino Marra Rodrigues resumo


partes: a primeira trata do Ser e a segunda, da física



Baixar 309.85 Kb.
Pdf preview
Página8/12
Encontro14.07.2022
Tamanho309.85 Kb.
#24257
1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   12
1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho

partes: a primeira trata do Ser e a segunda, da física 
ou sistema do mundo. Nesse poema filosófico, a 
ênfase recai sobre os problemas relacionados ao 
“Ser” e aos princípios do conhecimento verdadeiro. 
Nele, Parmênides faz uma distinção entre a verdade 
(
aletheia) e aparência (doxa). A razão, pela primeira 
vez denominada 
Logos, conduzir-nos-ia à verdade, 
enquanto os dados obtidos pelos sentidos, à 
aparência. Essas são as duas vias do Ser; a do não-
Ser seria uma terceira, mas é inacessível, dirá a 
deusa:
Pois nunca à força será mantida a 
demonstração de que existe o que não 
é, mas deves afastar o teu pensamento 
desta via de investigação, e não 
permitir que o hábito, filho da muita 
experiência, te obrigue a seguir este 
caminho, ao fazer com que uses um 
14
Teeteto, 183 e – 184a.
15
Ibid.
16
Parmênides, 127 c.
MIOLO_ago2011.indd 37
16/04/2012 14:17:38


Instituto de Ciências Humanas, Letras e Artes
38
olhar que para nada se dirige ou um 
ouvido e uma língua cheia de sons e 
significados: julga com a razão a prova 
muito contestada, a que me referi.
17
A deusa que dita a Parmênides as palavras de 
Sabedoria o esclarece:
[...] te direi os únicos caminhos 
da investigação em que importa 
pensar. Um,  que é e 
que é impossível não ser, é a via da 
Persuasão (por ser companheira da 
verdade); o outro,  que 
não é e que forçoso se torna que não 
exista, esse te declaro eu que é uma 
vereda totalmente indiscernível, pois 
não poderás conhecer o que não é – 
tal não é possível – nem exprimi-lo por 
palavras.
18
1.7 ZENÃO DE ELEIA
Discípulo mais conhecido de Parmênides, 
Zenão também nasceu em Eleia, provavelmente por 
volta de 489 a.C. De sua vida sabe-se pouquíssimo: 
que seu pai seria Teleutágoras, que teria passado toda 
a sua vida na sua cidade natal; teria participado de 
uma conspiração contra um tirano; ficou conhecido 
pela coragem com a qual foi submetido a torturas, 
fruto dessa conspiração; desprezava Atenas e teria 
escrito um único livro. É conhecido, sobretudo, por 
seus intricados argumentos sobre o paradoxo do 
movimento, melhor: sobre a sua ilusão. É possível 
relacionar os problemas elaborados por Zenão em 
defesa das teses de Parmênides: 
[...] esses escritos prestam uma 
assistência ao argumento de 
Parmênides contra os que tentam 
caricaturá-lo, , se 

um é, resulta para o argumento ser 
afetado por coisas múltiplas e ridículas, 
e mesmo contrário e ele próprio. Assim 
sendo, esse escrito contesta os que 
dizem o múltiplo, e lhes 
devolve na mesma moeda, com juros, 
ao querer demonstrar que a hipótese 
deles, de que há múltiplas coisas, 
seria afetada por coisas ainda mais 
17
KR, § 294. 
18
KR, § 291.
ridículas do que  de que 
um é, se elas fossem desenvolvidas 
suficientemente.
19
Várias referências sobre Zenão se encontram 
na obra de Platão. Aqui, destacamos uma, quando 
Sócrates teria afirmado, comparando Zenão ao 
lendário inventor da aritmética: “Não sabemos que 
o Palamedes eleático falava com tanta arte que a 
mesma coisa parecia aos seus ouvidos semelhantes 
e dessemelhantes, unidade e diversidade, imóvel 
e em movimento?”
20
Também pela doxografia 
platônica sabe-se, resumidamente, do tema do 
único tratado que teria sido escrito por Zenão 
(embora, provavelmente, o encontro com Sócrates 
nunca tivesse efetivamente ocorrido):
– que queres dizer com isso, Zenão? 
Que, se os seres são múltiplos, então 
é necessário que eles sejam tanto 
semelhantes quanto dessemelhantes, 
mas que isso é impossível, pois nem 
as coisas dessemelhantes podem ser 
semelhantes nem as semelhantes, 
dessemelhantes? Não é isso que queres 
dizer? – É isso mesmo, disse Zenão. 
– Então, se é impossível as coisas 
dessemelhantes serem semelhantes, 
é também impossível haver múltiplas 
coisas, não é? Pois, se houvesse 
múltiplas coisas, seriam afetadas pelo 
que é impossível. Será isso que querem 
dizer teus argumentos: não outra 
coisa senão sustentar decididamente, 
contra tudo o que se afirma, que não 
há múltiplas coisas? E disso mesmo 
crês ser prova para ti cada um dos 
argumentos, de sorte que também 
acreditas apresentar tantas provas 
de não há múltiplas coisas quantos 
argumentos escreveste? É isso que 
queres dizer, ou não estou entendendo 
direito? – Ao contrário, disse Zenão, 
compreendeste muito bem o que, no 
todo, o escrito visa.
21
Conforme estudiosos, a Parmênides e a 
Zenão caberia a inspiração do método utilizado 
por Sócrates, o 
elenchus,
22
oriundo da dialética. 
19 
In: Platão, Parmênides, 128 c – d.
20
Fedro, 261 d.
21
Parmênides, 127 d – 128a. 
22
O termo significa, em linhas gerais: questionar o que 
MIOLO_ago2011.indd 38
16/04/2012 14:17:38


Prâksis - Revista do ICHLA
39
Inicialmente, dialética estava vinculada à política. 
Sua aplicação visava ao propósito de vencer 
as disputas públicas e derrotar publicamente o 
adversário. A dialética atingiu a maturidade com os 
sofistas, filósofos itinerantes e livres, sobretudo, com 

antiologia, um recurso discursivo que sustenta 
simultaneamente teses opostas ensinadas àqueles 
que procuravam destaque no espaço público e que 
precisavam, portanto, combater as oposições dos 
adversários e derrotá-los.
 
Cabe ressaltar que, para um antigo, a humilhação 
imposta pela derrota numa disputa pública era 
um fato insuportável. É possível, sobretudo pelo 
respeito devotado à memória devida a ambos, que 
Parmênides e Zenão nunca tenham sido derrotados 
numa discussão pública, num 
ágon. Giorgio Colli 
explica que o 
perfeito dialético se encarna no 
interrogante: ele coloca as perguntas, dirige 
a discussão dissimulando armadilhas fatais 
para o adversário, através de longos rodeios 
argumentativos, solicitações de anuências sobre 
questões óbvias e aparentemente inofensivas, 
que acabarão se revelando essenciais para o 
desenvolvimento da refutação.
23
Com Zenão, a dialética tornou-se um 
organon, um instrumento da razão, um método 
do pensamento, uma arte que consiste em 
confrontações de teses constituídas por intermédio 
de perguntas e respostas, procurando entre elas 
contradições que minam os argumentos falaciosos, 
ou seja, argumentos que não resistam à refutação 
e, por consequência, sejam comprovadamente não 
verdadeiros ou inconsistentes. Portanto, a dialética 
deixou de ser uma técnica meramente política, 
para se tornar uma teoria geral do
 Logos. Ante os 
argumentos zenonianos, toda crença e convicção, 
religiosa ou cientifica, e toda racionalidade 
construtiva mostram-se ilusórias e inconsistentes: 
qualquer objeto, sensível ou abstrato, expresso 
o outro afirma com vista a pôr à prova ou examinar a 
força ou credibilidade do que o outro diz ou afirma. Em 
Sócrates, o elenchus tinha, quase sempre, a intenção de 
demonstrar as confusões, contradições e outros defeitos 
nas posições de seus oponentes. Em Sócrates, portanto, o 
termo veio a significar a refutação de alguma concepção 
ou tese. 
23 
COLLI, Giorgio. 

Baixar 309.85 Kb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   4   5   6   7   8   9   10   11   12




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal