Pré-socráticos e a noçÃo de ser: uma panorâmica elnora Gondim osvaldino Marra Rodrigues resumo


partes da doutrina de Pitágoras. Não há dúvida



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Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho

partes da doutrina de Pitágoras. Não há dúvida 
de que essas foram transmitidas verbalmente. Aos 
iniciados, Pitágoras exigia, provavelmente, que 
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Instituto de Ciências Humanas, Letras e Artes
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as memorizassem. Portanto, pode-se, em certo 
sentido, mas não com certeza, ter certo crédito 
nos escritos atribuídos a Pitágoras. Dentro dos 
ensinamentos aos seus seguidores, podemos citar 
as regras da abstinência. Algumas dessas regras 
parecem precauções rituais prescritas aos iniciados; 
seus preceitos eram os seguintes: não atiçar o fogo 
com a faca, não forçar a balança, não sentar sobre 
a medida de grãos, não comer coração de pássaro, 
ajudar a depor a carga e não agravá-la, ter sempre as 
cobertas enroladas juntas, não pôr a imagem de um 
deus na placa de um anel, não deixar a marca das 
panelas nas cinzas, não esfregar um vaso com uma 
tocha, não urinar voltado para o sol, não caminhar 
por fora das estradas, não apertar mãos com 
facilidade, não ter andorinhas sob o próprio teto, 
não criar animais com artelhos aduncos, não urinar 
nem pisar sobre unhas e cabelos cortados, não 
voltar na fronteira quando sair da pátria. É plausível 
afirmar que Pitágoras jamais teve a intenção de 
ser interpretado na íntegra. Esses dados refletem 
as preocupações pitagóricas que, possivelmente, 
dizem que as máximas assim expostas têm, em sua 
origem, um sentido mais amplo, tal como informa 
Diógenes Laércio:
[...] com o preceito não atiçar o fogo 
com uma faca, Pitágoras queria dizer: 
não se deve provocar a ira ou o 
orgulho inflado dos poderosos; com 
não forçar a balança, não atentar 
contra a eqüidade e a justiça; com não 
sentar sobre a medida de grãos, cuidar 
também do futuro, pois a medida de 
grãos é ração para um dia; com não 
comer o coração de pássaro, queria 
significar não consumir a psique com 
aflições e penas; com não voltar na 
fronteira quando sair da pátria, advertia 
todos os que partem da vida, a não se 
deixarem deter pelo desejo de viver 
nem se deixarem atrair pelos prazeres 
desta vida. Poderíamos explicar 
também os outros preceitos, mas isto 
nos levaria muito longe. 
Além das regras acima citadas, pode-se constatar 
que, nas informações que foram repassadas sobre o 
ensinamento de Pitágoras, há muita coisa que foi 
divulgada e que não era dele. Um exemplo se pode 
constatar na seguinte passagem de Xenófanes:
[...] agora passo a outro tema e 
mostrarei o caminho. [...] Dizem que, 
ao passar em uma ocasião junto a um 
cachorro que estava sendo espancado
sentiu compaixão e disse: - Pára, pois 
a psique que reconheci ouvindo-lhe a 
voz é a de um amigo.
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Porém, nesse texto, não é citado o nome de 
Pitágoras, sendo que a observação de Xenófanes 
pode ter sido criada por ele pelo fato de Pitágoras 
ser um transmigracionista. Por esse motivo, é apenas 
provável o fato de que Pitágoras acreditava em 
uma reencarnação, fazendo, assim, surgir amplas 
interpretações e criações a respeito da sua doutrina.
Pitágoras dividia em duas modalidades os tipos 
de alunos que ele tinha: alguns de seus seguidores 
recebiam o título de matemáticos, outros eram 
conhecidos como ouvintes (acusmáticos). Os 
matemáticos, depois de assimilarem o discurso do 
saber, aprofundavam os estudos em busca de rigor. 
Os acusmáticos contentavam-se com síntese de 
assuntos tratados, desinteressados de exposições 
avançadas. Dentro desse contexto, uma das 
inferências que se pode fazer quanto à questão da 
divulgação do pensamento pitagórico é a de que ela 
seria feita por 
acusmáticos, ou seja, ouvintes que 
não tinham o direito de fazer perguntas ao mestre e 
que o entendiam na íntegra sem uma preocupação 
maior com a interpretação daquilo que eles ouviam. 
Logo, os 
acusmáticos eram pessoas que só ouviam, 
mas não questionavam, porque isso era atribuído 
aos matemáticos.
Outro aspecto a merecer atenção: eram muitas 
pessoas que ouviam as preleções de Pitágoras. 
Segundo Diógenes Laércio, embora isso possa 
parecer exagero, não menos de 600 pessoas 
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