Pré-socráticos e a noçÃo de ser: uma panorâmica elnora Gondim osvaldino Marra Rodrigues resumo



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1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho
anathymíasis) (fumaça, 
vapores do sol); e isso era a alma. 
1.5 PITÁGORAS
Pitágoras de Samos (580 a.C. - 500 a.C.) 
fundou, em Critona, uma comunidade que tinha 
como objetivo a purificação (
katarsis) da alma das 
paixões do corpo através de certas práticas que 
não deveriam ser reveladas a ninguém estranho 
à comunidade. Pitágoras considerou que a alma 
era imortal, cuja união com o corpo significava 
uma prova de que esta deveria sofrer antes de sua 
definitiva liberação dos ciclos das reencarnações. 
Pitágoras foi um pensador envolto em elementos 
legendários, o que faz ficar difícil distinguir nele e 
em seus discípulos o histórico do fantástico. Apesar 
de tudo isso, ele não deixa de ser uma pessoa 
muito importante no desenvolvimento da história 
do saber. Ele não deixou escritos; historiadores 
atribuem três textos trabalhados por ele, que versam 
sobre a educação, o homem de estado e a natureza.
Dessa maneira, ele é considerado um 
reformador moral e religioso. Algumas vezes, 
ele é apresentado como um homem de ciência, 
outras, como o mentor de doutrinas místicas. Isso 
tudo se deve ao fato de ele não ter escrito nada e 
dos 
acusmáticos terem divulgado a sua doutrina. 
Portanto, dessa maneira, ocorreu uma literatura 
advinda, em grande parte, de testemunho histórico 
das doutrinas do próprio Pitágoras. Atualmente, 
alguns trabalhos são considerados ficções, 
pseudônimos de origem posterior.
O problema da 
arché é, precisamente, também, 
o de Pitágoras. Para ele, o número é a 
arché de 
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todas as coisas. Este é entendido tanto no sentido 
quantitativo, isto é, matemático, como no sentido 
qualitativo, ou seja, metafísico.
Nos números, são distintos os pares (ilimitado) 
e o ímpar (limitado). Eles são entre si opostos e 
essa oposição se encontra em toda a natureza, 
explicando, assim, os seus contrastes. Os números, 
dessa forma, são a razão do devir e da harmonia. 
Por esse motivo, nas coisas, há um princípio de 
ordem e harmonia.
Nesse sentido, o mundo é um cosmos, onde 
há, também, um princípio de desarmonia, a matéria. 
Aqui cabe salientar que as leis da natureza podem 
ser ditas em termos matemáticos, dessa forma, é 
adotado um princípio de inteligibilidade da ordem 
e da unidade do mundo.
Os números constituem a força geradora 
da natureza tanto em relação ao devir quanto à 
harmonia, em que a harmonia das quantidades
tais como limitado-ilimitado, é a fundamental. Os 
números constitutivos do cosmos e de sua ordem 
têm um princípio gerador, ou seja, o Um eterno e 
imutável. Portanto, dessa maneira, há um dualismo 
caracterizado, por um lado, o Um (princípio) 
e, de outro, os números e as coisas das quais os 
próprios são leis intrínsecas. A unidade compõe-
se de antíteses, essas sofrendo as suas mutações e 
aquietando-se.
O cosmos, para Pitágoras, é uno, sem partes, 
compacto e limitado. Ele é uma esfera vivente 
dotada de respiração e, ao respirar, algo penetra no 
seu interior, desagregando sua unidade, com isso, 
origina-se a pluralidade numérica das coisas, em 
que cada uma é igual à unidade ou a um número. 
Nesse sentido, surge o conceito do contrário, pois, 
ao respirar, o cosmos provoca uma dualidade no 
conceito de todas as coisas, gerando uma antítese de 
todos os elementos criados. Porém, há um vínculo 
que os coordena, isto é, a harmonia e os números 
são os princípios de todas as coisas. Sendo assim, o 
infinito e a verdade são a essência das coisas. Através 
dos números, Pitágoras explica as realidades físicas 
e as qualidades morais, sendo que os números não 
são abstrações, e sim coisas concretas.
Para Pitágoras, o mundo conhecido poderia 
ser explicado a partir da matemática, pois o mais 
profundo nível da realidade é dessa natureza, sendo 
que todas as relações poderiam ser reduzidas a 
relações numéricas.
Em astronomia, Pitágoras contribuiu com três 
importantes paradigmas: 1° - os planetas, o Sol, a 
Lua e as estrelas se movem em órbitas perfeitas; 2° 
- a velocidade dos astros é uniforme; 3° - a terra 
encontra-se no centro dos corpos celestes.
A alma é prisioneira do corpo. Ela, no cosmos, 
vai tomando distintos corpos em todas as coisas, 
sendo que a forma mais alta são os astros: a alma é 
eterna por ser semelhante aos astros e tem com eles 
sua verdadeira morada. Ela, por sua vez, pode eleger 
em que corpo vai encarnar, como, por exemplo, o 
corpo de um animal, de uma planta, de um homem 
etc. Por esse motivo, há um parentesco entre todos 
os seres vivos. Em se tratando do homem, ele é 
composto de corpo e alma. As almas são partículas 
depreendidas da 

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