Pré-socráticos e a noçÃo de ser: uma panorâmica elnora Gondim osvaldino Marra Rodrigues resumo



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1518-Texto do artigo-4511-1-10-20171107
Sete Ideias Filosóficas que Toda a Gente Deveria Conhecer - Desidério Murcho

parte.
25
24 
RYLE, Gylbert et al. 
Ensaios. São Paulo: Abril Cultural, 
1985
, p. 217.
25
Metafísica, IV, 1, 1003a.
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Instituto de Ciências Humanas, Letras e Artes
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Com Parmênides e Zenão, o sentido do mundo 
seria estabelecido como uma ordem de conceitos 
conforme a razão: “pois o mesmo é pensar e ser”. Tal 
sentença parmenidiana é o fundamento do primeiro 
princípio para o conhecimento, pois implica uma 
lógica da não contradição, o 
princípio do terceiro 
excluído: o que pode ser pensado não pode, 
simultaneamente, não ser pensado e, inversamente, 
o não pensado não pode ser pensado; em outras 
palavras: não pode ser objeto de pensamento. É na 
razão que se concebe e se resolve o discernimento 
sobre as questões do vir-a-ser. 
Em Parmênides, se alguma coisa existe e é, não 
pode nascer ou perecer, transformar-se ou mover-se 
e nem estar sujeita às imperfeições; essa ideia foi 
magistralmente resumida a uma célebre formulação 
escolástica: “ex nihilo nihil fiat” [do nada se faz]. A 
mudança, ou movimento, ao contrário, é o que não 
é, porquanto, na mudança, o que é deixa de ser, o 
que era já não é, deixou de ser e o que será não será 
o que é atualmente. Na mudança, ou movimento, 
não há permanência e o vir-a-ser não pode ser 
adequadamente compreendido pelos sentidos. 
Pode-se apenas compreender a mudança, se há 
algo que nela permaneça e nos permita conhecer 
algo como tal. Para Parmênides, o movimento 
percepcionado é, portanto, mera aparência, um 
aspecto superficial da realidade. 
Portanto, para Zenão e Parmênides, assim 
como para Heráclito, os sentidos não constituem 
instrumentos adequados para o conhecimento 
verdadeiro, e a mera opinião não pode ser o critério 
para a verdade, porquanto estritamente vinculada às 
percepções individuais. Essa tese foi magistralmente 
exposta por Platão, no diálogo 
Teeteto: “se a verdade 
é para cada um que opina através da percepção 
e ninguém pode julgar a experiência de outro 
melhor que ele, ninguém será melhor a examinar 
a opinião de um outro, se é correta ou falsa”.
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Consequentemente, o acesso à verdade deve ser 
procurado numa instância distinta aos sentidos. 
Deve-se ressaltar que Parmênides, conforme 
Aristóteles, teria sido “forçado a levar em conta os 
fenômenos” e supôs que “o um é conforme a razão, 
enquanto o múltiplo é conforme os sentidos”.
27
Essa 
característica implica uma hierarquia necessária 
26
Teeteto, 161 d.
27
Metafísica, I, 5, 986 b.
na ordem do conhecimento, na qual a razão tem 
precedência sobre os sentidos.
A experiência do movimento é, dentre os dados 
da sensibilidade, um dos fenômenos mais imediatos 
e universais quanto ao nosso contato com o mundo 
efetivo. Os argumentos mais conhecidos de Zenão, 
preservados, mas reformulados por Aristóteles, 
são aqueles que problematizam o conceito de 
movimento. Cabe ressaltar que o filósofo de Eleia 
não negou a percepção que temos do movimento, 
do múltiplo e da variação. Seu objetivo foi submeter 
os dados oriundos dos sentidos às exigências 
lógicas da razão, demonstrando que a experiência 
do movimento e da multiplicidade, obtidos pelos 
sentidos, é, aos “olhos da razão”, irracional e 
absurda. Em outras palavras, os argumentos 
propostos por Zenão afrontam o senso comum 
(
doxa), pois procuram defender a tese da imobilidade 
do ser do ente. A argumentação contra as teses 
da pluralidade feita pelo Eleata foi importante 
porquanto, no seu tempo, surgiram não apenas as 
concepções de movimento e de infinito (
apeiron), 
como a concepção pluralista do real. Zenão 
vai criticar o pluralismo levando os argumentos 
deste às ultimas consequências e demonstrando 
logicamente os absurdos contidos nas teses sobre as 
quais se fundamentava a defesa da multiplicidade 
e do movimento: “Se a pluralidade existe, as coisas 
serão igualmente grandes e pequenas; tão grandes 
que serão infinitas em tamanho, tão pequenas que 
não terão qualquer tamanho”.
28
Nessa passagem, 
coisas devem ser entendidas 
como conjuntos de unidades, ou seja, de 
corpúsculos. Se os corpúsculos não têm dimensão, 
as coisas, por consequência, deverão ser iguais 
a zero, isto é, inexistentes – o que constitui um 
absurdo. Se os corpúsculos, que serão infinitos em 
cada coisa, têm dimensão, então, nesse caso, cada 
coisa será infinita. Ora, se existe um conjunto de 
coisas em que cada uma é infinita, encontramos 
o absurdo ao contemplar um mundo cheio de 
infinitos. Ao que parece, esse argumento poderia ser 
confirmado por outro fragmento considerado pelos 
estudiosos contemporâneos, inquestionavelmente, 
autêntico e que chegou a nós intacto: “Se há muitas 
coisas, são ilimitadas as coisas que existentes; pois 
há sempre outras entre as coisas que existem, e de 
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Frg. B 1.
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Prâksis - Revista do ICHLA
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novo outras no meio delas. E assim as coisas que 
existem são ilimitadas”.
29
Resumindo, parece que os argumentos 
de Zenão contra a pluralidade se deduzem, 
sistematicamente, das premissas que afirmam a 
pluralidade das coisas: (A) se há muitas coisas, 
essas devem ser grandes e pequenas (pequenas o 
bastante para não terem tamanhos e tão grandes 
como para serem infinitas). Quanto a esse ponto, 
caberia destacar um subargumento, que emprega o 
princípio de “dicotomia”, ou divisão: tudo aquilo 
que possui tamanho pode ser dividido em duas 
coisas, em três, quatro etc., num processo infinito; 
e a redução ao infinito é logicamente absurda – em 
outras palavras: a unidade não possui “grandeza”; 
(B) se existe pluralidade, o total das coisas deve ser, 
ao mesmo tempo, finito e infinito em 
número: finito 
porque pluralidade implica um número definido 
e, portanto, finito; infinito porque duas ou mais 
coisas requerem limites ou, generalizando, marcas 
distintivas: com isso, iniciamos outro argumento 
de progressão e regressão ao infinito – também um 
absurdo lógico; (C) se há muitas coisas, devem ser 
simultaneamente semelhantes e dessemelhantes. 
Mas esse é um argumento suscitado por Platão 
e desenvolvido, sobretudo, no seu diálogo 
Parmênides.
1.8 EMPÉDOCLES
Empédocles foi filósofo, médico e poeta, nasceu 
em Agrigento. Sua filosofia recebeu influências da 
teoria pitagórica quando:
1- ele admite uma inteligência divina 
difundindo uma alma universal no cosmos;
2- concede uma importância considerável à 
unidade, essa vista como o princípio primeiro das 
coisas e como algo que contém os quatro elementos 
materiais delas; 
3- crê na importância das formas simbólicas e 
faz uso de termos mitológicos, tais como: Edoneu 
(Hades), que significa Terra; Nestis, a água; Hera, o 
ar e Zeus, o fogo. 
Em relação à 
physis, Empédocles pode ser 
classificado, grosso modo, elementar, porquanto 
atribui a ela quatro elementos constituidores das 
coisas: terra, água, ar e fogo. Igualmente a Heráclito, 
Empédocles concedia a este último elemento um 
29
KR, § 315.
papel fundamental em relação à constituição das 
coisas.
A linguagem simbólica e a forma poética 
que Empédocles utilizou não permitem discernir 
quais eram as suas reais opiniões; por um lado, 
ele fala dos quatro elementos, atribuindo-lhes uma 
pluralidade de substâncias; por outro lado, ele se 
refere a uma unidade superior que absorve todas 
as coisas. Porém, conforme as afirmações mais 
correntes, o filósofo de Agrigento tem como fundo 
essencial de sua teoria a constatação de que os 
quatro elementos são substâncias de todas as coisas, 
inclusive não só dos corpos, mas também dos 
espíritos, isto é, da alma humana. Empédocles não 
pode ser considerado um materialista, porquanto a 
força e a matéria, para ele, são separadas. A força é 
dividida em dois aspectos: o amor e o ódio. Esses 
são encarregados da formação e da destruição do 
mundo, sendo relacionados à repulsão e a atração. 
Essas forças são independentes da matéria. Dessa 
forma, quando o amor reina, tudo fica em harmonia, 
em contrapartida, se for o ódio, tudo se dissipa.

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