Potencial utilização do ácido acetilsalicílico como anticancerígeno



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Potencial utilização do ácido acetilsalicílico como anticancerígeno 

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VIII. Conclusão

 

Com  bases  nos  estudos  anteriormente  descritos,  verifica-se  que  há  várias  evidências 

clínicas  que  apoiam  a  hipótese  de  que  a  aspirina  exerce  uma  ação  protetora  para  os 

diferentes  tipos  de  cancro,  nomeadamente  cancro  colorretal.  Pensa-se  que  que  o  seu 

efeito antiplaquetário é um mecanismo central para o seu efeito antitumoral.  

A  descoberta  de  uma  eficácia  máxima  aparente  da  aspirina  como  agente 

quimiopreventico  contra  o  cancro  e  aterotrombose  é  bastante  convincente.  Em  baixas 

doses, administradas a cada 24h, a aspirina atua por uma inibição completa e persistente 

da COX. 

A  função  das  plaquetas  tem  sido  reconhecida,  desde  há  muito  tempo,  na  doença 

metástica,  ou  seja,  no  processo  de  disseminação  de  células  neoplásicas  para  outros 

órgãos  ou  nódulos  linfáticos  distantes  do  tumor  primário.  No  entanto,  as  recentes 

descobertas  clínicas com a aspirina sugerem  que  as  plaquetas desempenham  um  papel 

nas fases iniciais da tumorigénese; são ativadas na tumorigénese intestinal nos humanos 

de  modo  a  contribuir  para  o  desenvolvimento  do  tumor  através  da  libertação  de 

diferentes  constituintes,  tais  como  fatores  de  crescimento  e  mediadores  lipídicos 

angiogénicos.  Estes  podem  desencadear  a  libertação  de  altos  níveis  de  fatores  de 

crescimento  de  células  do  estroma,  possivelmente  como  consequência  da 

superexpressão  da  COX-2.  A  ativação  do  estroma  pode  levar,  em  seguida,  à 

transformação de células epiteliais, ou pelo menos em parte, através da indução de uma 

expressão anormal da COX-2 nas células epiteliais. Aqui as prostaglandinas estimulam 

a  proliferação  celular  ocorrendo  a  acumulação  de  mutações,  como  consequência  da 

inibição da apoptose.  

Serão, no entanto, necessárias novas investigações científicas extensivas, nos próximos 

anos, para confirmar a hipótese da tumorigénese do cólon mediada por plaquetas. Novos 

estudos  deverão  incidir  sobre  a  atual  incerteza  acerca  da  dose  ideal  da  aspirina  e  o 

regime  posológico  para  a  prevenção  do  cancro  e  da  possível  contribuição  de 

suscetibilidade  individual  à  aspirina  para  a  resposta  ao  cancro  genético.  Isto  levará  a 

identificar  novos  mecanismos  da  doença,  novas  abordagens  terapêuticas  na 

quimioprevenção e no desenvolvimento de biomarcadores para o diagnóstico precoce e 

prevenção individualizada. 


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