Potencial utilização do ácido acetilsalicílico como anticancerígeno



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ii) O cancro colorretal 

O  CCR  é  um  tumor  maligno,  invasivo,  que  tem  origem  nas  células  que  formam  a 

camada  epitelial  da  parede  do  intestino  grosso.  As  células  epiteliais  do  cólon, 

responsáveis pela constituição do tecido da mucosa do cólon, vão sofrendo regeneração 

quando  se  encontram  no  seu  estado  normal;  porém,  quando  as  células  perdem  este 

mecanismo  de  controlo  e  sofrem  alterações  no  seu  genoma,  podem  transformar-se  em 

células  cancerígenas,  resultando  na  formação  de  um  tumor  (http://www.roche.pt/sites-

tematicos/infocancro/index.cfm/tipos/cancro-do-colon-recto/) (Figura 8). 

 

 



Potencial utilização do ácido acetilsalicílico como anticancerígeno 

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Figura 8 – Ilustração das etapas da formação do cancro colorretal.  



Disponível em http://www.cancer.gov/ 

O cancro que tem início no cólon chama-se cancro do cólon e o cancro que tem início 

no  reto,  chama-se  cancro  retal.  O  cancro  que  afete  qualquer  um  destes  órgãos  pode, 

também,  ser  chamado  de  CCR.  A  diferença  entre  cólon  e  reto  está  na  localização 

anatómica  e na necessidade de tratamento  diferente; no entanto a biologia tumoral  é  a 

mesma.  


Muito frequentemente, o CCR tem origem num pólipo que é um crescimento anómalo 

de  tecido  epitelial  na  parede  do  intestino.  No  entanto,  nem  todos  os  pólipos  se 

transformam  em  cancro.  Os  pólipos  podem  ser  removidos  antes  de  se  tornarem 

malignos.  Quando  identificadas  células  malignas  no  pólipo  removido,  o  doente  pode 

ficar  curado  desde  que  as  células  não  tenham  invadido  outras  camadas  do  órgão.  Não 

sendo  removidos,  os  pólipos  podem  transformar-se  em  adenocarcinomas  podendo 

invadir as várias camadas do órgão e disseminar-se pelo organismo. 

Não se sabe, exatamente, quais as causas do CCR. No entanto, investigações nesta área 

demonstraram que pessoas com determinados fatores de risco, têm maior probabilidade 



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de  desenvolver  este  tipo  de  cancro  do  que  outras.  Um  fator  de  risco  é  algo  que  está 

ligado a uma possibilidade aumentada de desenvolver a doença. Nos estudos efetuados, 

foram já identificados os seguintes fatores de risco: 

  Idade:  a  probabilidade  de  ter  CCR  aumenta  com  a  idade.  Mais  de  90%  dos 



diagnósticos  desta  doença  são  efetuados  em  pessoas  com  mais  de  50  anos.  A 

idade média do diagnóstico é 65 anos; 

  Pólipos colorretais: os  pólipos são saliências do tecido da parede do  cólon ou 



do reto. São comuns em pessoas com mais de 50 anos. A maioria dos pólipos é 

benigna  (não  cancerígena),  mas  alguns  deles  podem  tornar-se  cancerígenos 

(adenomas). Detetar e remover os pólipos, pode reduzir o risco de cancro

  História familiar de cancro colorretal: os familiares próximos (pais, irmãos ou 



filhos)  de  uma  pessoa  com  história  de  CCR,  têm  maior  probabilidade  de 

desenvolver a doença, especialmente se o familiar teve a doença ainda jovem. Se 

muitos familiares tiverem história de cancro CCR, então o risco ainda é maior; 

  Alterações genéticas: As alterações em determinados genes, aumentam o risco 



de cancro. 

O cancro do cólon não-polipoide hereditário (HNPCC) é o tipo de cancro hereditário, ou 

genético, mais comum; representa cerca de 2% de todos os casos de cancro colorretal e 

resulta  numa  alteração  de  vários  genes  mismatch  repair.  Aproximadamente  3  entre  4 

pessoas, com alteração no gene HNPCC, desenvolvem cancro do cólon; a idade média 

do diagnóstico de cancro do cólon é 44 anos.  

A Polipose Adenomatosa Familiar (PAF) hereditária é rara e corresponde à formação de 

centenas de pólipos no tubo digestivo, mas sobretudo no cólon e no reto (Figura 9). 




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Figura 9 – Colonoscopia de um intestino com Polipose Adenomatosa Familiar.  



Disponível em

 

https://gi.jhsps.org 

É  causada  por  uma  alteração  num  gene  específico,  chamado  APC.  Se  a  polipose 

adenomatosa familiar não for tratada resulta em CCR, aproximadamente aos 40 anos de 

idade. 


Estima-se  que  cerca  de  20%  dos  tumores  colorretais  apresentam  uma  componente 

hereditária,  e  por  isso,  é  de  extrema  importância  a  determinação  da  natureza  de  uma 

neoplasia  intestinal.  Pensa-se,  também,  que  síndromes  de  predisposição  ao  cancro 

hereditário  geralmente  predispõem  à  ocorrência  de  mais  de  um  tipo  de  cancro  no 

mesmo paciente ou na família. 




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