Potencial utilização do ácido acetilsalicílico como anticancerígeno


V. Aplicações da aspirina na prevenção do cancro



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V. Aplicações da aspirina na prevenção do cancro

 

Em  virtude  do  crescente  interesse  pela  aspirina,  têm  vindo  a  ser  realizadas  novas 



pesquisas  clínicas  e  farmacêuticas  ao  longo  dos  anos.  Uma  das  aplicações  mais 

conhecidas  da  espirina  é  como  anti-agregante  plaquetário.  Em  1948,  o  clínico  geral 

californiano, Lawrence Craven, observou que a toma regular da aspirina poderia reduzir 

consideravelmente  o  risco  de  enfarte  miocárdio.  Num  estudo  realizado  com  400 

pacientes  tratados com  aspirina diariamente, verificou-se que nenhum  sofreu acidentes 

cardiovasculares durante o período de investigação. Tais resultados incentivaram várias 

organizações, nomeadamente a FDA (Food and Drug Administration) a testar a aspirina 

como  profilático  para  o  enfarte  do  miocárdio  em  pacientes  com  problemas  cardíacos. 

Em  1988,  a  FDA  também  aprovou  a  sua  utilização  para  a  prevenção  de  ataques 

isquémicos transitórios recorrentes, fazendo da aspirina a terapia padrão para indivíduos 

com histórico de acidentes vasculares cerebrais (Childs, 2006). 

Entretanto, diversos estudos epidemiológicos demonstraram que a ingestão frequente de 

aspirina e outros anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), parecia contribuir para uma 

redução  do  risco  de  cancro,  em  particular,  o  cancro  colorretal  (Childs,  2006).  O 

resultado  desse  benefício  da  aspirina  seria  conseguido  com  baixas  doses  diárias 

(aproximadamente  75mg),  o  mesmo  utilizado  para  a  prevenção  de  doenças 

cardiovasculares,  posicionando  a  ação  anti-agregante  plaquetária  da  aspirina  no  centro 

de sua ação anticancerígena.

 

A descoberta de que baixas doses de aspirina são eficazes 



tanto para a prevenção de eventos cardiovasculares como para o cancro, sugere que as 

duas  condições  patológicas  podem  ter  um  mecanismo  de  ação  comum.  Nesse  sentido, 

foram realizadas pesquisas de modo a comprovar esta hipótese. 

Apesar  de  existir  uma  grande  variedade  de  AINEs,  nomeadamente  o  ibuprofeno,  o 

cetoprofeno, o naproxeno, o diclofenac e o meloxicam, entre outros, a aspirina tornou-

se,  nos  últimos  30  anos,  o  foco  de  uma  investigação  mais  aprofundada  sobre  a  sua 

utilização  quer  na  prevenção,  quer  no  tratamento  do  cancro  (Orellana,  2003).  Os  seus 

benefícios  conhecidos  a  nível  cardiovascular  e  os  dados  de  eficácia  e  segurança 

disponíveis  apontam  para  aspirina  como  o  AINE  mais  provável  para  utilização  na 

profilaxia  do  cancro.  Desde  então,  tem-se  assistido  ao  crescente  interesse  nos  seus 

efeitos clínicos e farmacológicos neste campo, impulsionando a realização de diversos 



Potencial utilização do ácido acetilsalicílico como anticancerígeno 

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estudos in vitro e estudos experimentais em animais. Mesmo assim, o grupo de peritos 

da  USPTF  (Preventive  Services  Task  Force  of  USA)  não  recomenda  a  aspirina  para 

quimioprevenção  primária,  embora  tenha  destacado  a  necessidade  de  se  estabelecer  a 

idade  em  que  o  tratamento  deve  ser  iniciado,  a  duração  mais  eficaz  de  ingestão  e  a 

dosagem ideal. 






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