Português: trilhas e tramas, volume 2


Paio Vaz – Agora posso eu dizer, e jurar e apostar, qu’és Mofina Mendes toda. (**) Pessival



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Paio VazAgora posso eu dizer,
e jurar e apostar,
qu’és Mofina Mendes toda. (**)

Pessival (*) – E s’ela baila na boda,
qu’está ainda por sonhar,
e os patos por nascer,
e o azeite por vender,
e o noivo por achar,
e a Mofina a bailar;
que menos podia ser?

(Vai-se Mofina Mendes, cantando):



Mofina “– Por mais que a dita m’enjeite,
a sorte me deixe
pastores, não me deis guerra;
que todo o humano deleite,
como o meu pote d’azeite,
há-de dar consigo em terra.”

Guazzelli



(*) Paio Vaz e Pessival: são pastores e personagens de uma das cenas do auto.

(**) Mofina Mendes: Mofina significa desgraça; Mendes, mesma. Mofina Mendes ou Própria Desgraça é a personificação do azar.

VICENTE, Gil. Auto de Mofina Mendes. In: Três autos e uma farsa. Lisboa: Editorial Verbo, 1971. v. 60. p. 90-91.


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Gil Vicente nasceu em Guimarães provavelmente em 1465. Foi um dos principais animadores da corte portuguesa, escrevendo, encenando e até representando mais de 40 autos, entre eles o Monólogo do vaqueiro (1502), que foi escrito e representado por ele na câmara da rainha, para comemorar o nascimento do príncipe Dom João. Seu último auto, Floresta de enganos, foi escrito em 1536, ano de sua morte, presumivelmente. A primeira edição do conjunto de sua obra se deu em 1562. Alguns de seus autos foram impressos sob a forma de folhetos, enquanto outros foram proibidos pela Inquisição. Ao todo, Gil Vicente escreveu 46 peças. Entre as mais famosas, podemos destacar Mistérios da Virgem ou Auto de Mofina Mendes (1531), Farsa de Inês Pereira (1523), Auto da barca do inferno (1517) e Auto da Lusitânia (1532).

Daniel Klein





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