Português: trilhas e tramas, volume 2



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Predicado verbal

Leia esta oração:

Você denunciaria um ato de violência?

Agora, observe como o predicado dela é construído:



Sujeito

Predicado verbal

Verbo transitivo indireto

Objeto indireto

Você

denunciaria

um ato de violência?

Quando o predicado de uma oração é construído com um verbo transitivo (e seus complementos) ou intransitivo, esse verbo é o núcleo do predicado, chamado de predicado verbal.

Veja outros exemplos:



Sujeito__Predicado_verbal__Verbo_intransitivo'>Sujeito

Predicado verbal

Verbo transitivo indireto

Objeto indireto

Os infratores

respondem

ao Código Penal.



Sujeito

Predicado verbal

Verbo intransitivo

O índice de denúncias

cresceu.

Predicado nominal

Agora, leia esta outra oração:

Violência é problema nosso.

Observe como o predicado dessa oração é construído:



Sujeito__Predicado_verbo-nominal__Verbo_transitivo_direto'>Sujeito

Predicado nominal

Verbo de ligação

Predicativo do sujeito

Violência

é

problema nosso.

Quando o predicado de uma oração é construído com um verbo de ligação, o núcleo desse predicado é o predicativo do sujeito. Nesse caso, o predicado é classificado como nominal.

Veja outro exemplo de predicado nominal:



Sujeito

Predicado nominal

Verbo de ligação

Predicativo do sujeito

As mulheres

estão

mais corajosas.

Página 271



Predicado verbo-nominal

Observe agora o predicado da oração a seguir. Ele é construído com um verbo transitivo direto, e seu respectivo objeto direto, e um predicativo do objeto:



Sujeito

Predicado verbo-nominal

Verbo transitivo direto

Objeto direto

Predicativo do objeto

A violência

deixa

a população

insegura.

O predicado verbo-nominal é construído com um verbo intransitivo ou transitivo (com seu respectivo objeto) mais um predicativo (do sujeito ou do objeto).

Sujeito

Predicado verbo-nominal

Verbo intransitivo

Predicativo do sujeito

Todos

voltaram

esperançosos.



Sujeito

Predicado verbo-nominal

Verbo transitivo direto

Objeto direto

Predicativo do objeto

O auditório

considerou

a palestra

entediante.

Passos largos

1 Leia a seguir orações extraídas de um boletim meteorológico do jornal O Globo. Registre no caderno a alternativa que não apresenta verbo nocional.

a) O dia começa com névoa, mas ainda cedo o sol aparece e faz calor.

b) Há previsão de pancadas de chuva só no fim do dia.

c) Ontem a mínima foi de 19,3 no Alto da Boa Vista e a máxima de 34,7 na Praça Mauá (Inmet).

d) Até domingo o tempo não muda muito, com sol, nebulosidade variável e chuva no fim da tarde.

e) Na segunda-feira o tempo muda e chove desde cedo devido à chegada de uma nova frente fria.

2 Na língua portuguesa, um mesmo verbo, dependendo do contexto, pode ser nocional ou relacional. Leia o texto e preste atenção ao título.

Como é que um fato vira notícia?

Os manuais das redações prescrevem que, quanto mais pessoas forem afetadas ou se interessarem potencialmente por um fato, mais “notícia” ele será; quanto mais desconhecido e inesperado ele for, também. O problema, como sempre, está na forma de interpretar essas regras.

FRIAS FILHO, Otávio. Folha de S.Paulo, São Paulo, 28 jun. 2001. Opinião, p. A2.

Em qual das frases a seguir uma forma verbal do verbo virar é relacional como nesse título?



a) Virou de lado na cama.

b) A canoa virou.

c) “Quem sabe o príncipe virou um chato...” (Cazuza e Frejat)

d) Virou a água na jarra.

e) O carro virou à direita.
Página 272

3 Dependendo do contexto, o verbo estar também pode ser relacional ou nocional. Leia a tira:

Os Anjinhos © 2013 Creators Syndicae/ Ipress

RUGRATS. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 23 jul. 2011. Cultura, p. 6.

a) O verbo estar em “Diga à mamãe e ao papai que estarei de volta pro jantar” é nocional ou relacional?

b) Em que consiste o humor da tira?

4 Agora leia esta outra tira:

Tira © 2013 King Features Syndecate/Ipress

TINA. Hoje em Dia, Belo Horizonte, 13 nov. 2011. Mosaico/Intervalo, p. 10.

a) O verbo estar em “Esta sopa está exótica!” é relacional ou nocional?

b) Em que consiste o humor da tira?

5 (Ifba/2016 – adaptada)

Leia a anedota de Ziraldo e, no caderno, indique a alternativa que corresponde aos tipos de predicado presentes na fala atribuída à professora, obedecendo à ordem em que eles aparecem no texto.

A inspetora da escola visitando todas as turmas quando o Juquinha levou um tombo no corredor e berrou todos os palavrões que conhecia.

Escandalizada, a inspetora perguntou:

– Onde essa criança aprendeu tanto palavrão?

E a professora, muito sem graça:

– Aprendeu nada! Isso é dom natural.

ZIRALDO. Mais anedotinhas do Bichinho da Maçã. 10. ed. São Paulo: Melhoramentos, 1993. p. 10-11.



a) Nominal e verbal.

b) Verbal e nominal.

c) Verbal e verbo-nominal.

d) Verbo-nominal e verbal.

e) Verbo-nominal e nominal.
Página 273

24 Concordância nominal e concordância verbal



Na bagagem

• O que é concordância nominal? E concordância verbal?

• Qual é o papel da concordância nominal e da concordância verbal na construção e na coesão dos textos?

Graphorama


Página 274

Nas trilhas do texto

Leia o texto a seguir:



Xongas

Cadê os plural?

Ricardo Freire

ESPANHOL

É só impressão minha, ou está cada vez mais difícil ouvir plurais ortodoxos? Aqueles de antigamente, arrematados com um “s” – plurais tradicionais, quatrocentões? Os plurais agora estão cada vez mais enrustidos, dissimulados, problemáticos. Cada vez menos plurais são assumidos. Os plurais agora precisam ser subentendidos.

Verdade seja dita: não somos os únicos no mundo a ter problemas com a maldita letra “s” no final das palavras. Os franceses, debaixo de toda aquela empáfia, há séculos desistiram de pronunciar o “s” dos plurais. No francês oral, o plural é indicado pelo artigo, e pronto. Ou seja: eles falam “as mina” e “os mano” desde que foram promovidos de gauleses a guardiães da cultura e da civilização.

Os italianos também não podem com a letra “s” no fim das palavras. Fazem seus plurais em “i” e em “e”, dependendo do sexo, ops, do gênero das palavras. Quando a palavra é estrangeira, entretanto, eles simplesmente desistem de falar no plural: decretaram que termos forasteiros são invariáveis, e tudo bem. Una foto, due foto; una caipirinha, quattro caipirinha. Quattro caipirinha? Hic! Zuzo bem!

Os alemães, metódicos que só, reservam o “s” justamente a esses vocábulos estrangeiros que os italianos permitem que andem por aí sem plural. Com as palavras do seu próprio idioma, no entanto, os alemães são implacáveis. As palavras mais sortudas ganham apenas um “e” no final, mas as outras são flexionadas com requintes de tortura – com “n” (!) ou com “r” (!!), às vezes em conjunto com um trema (!!!) numa vogal da penúltima sílaba (!!!!), só para infernizar a vida dos alunos do Instituto Goethe ao redor do planeta.

Práticos são os indonésios, que formam o plural simplesmente duplicando o singular: gado-gado, padang-padang, ylang-ylang. Pelo menos foi isso que eu li uma vez. (Claro que não chequei a informação. Eu detestaria descobrir que isso não é verdade.) Já pensou se a moda pega aqui, feito aquele pavoroso cigarro de cravo? Os mano-mano. As mina-mina. Um chopps e dois pastel-pastel.

Nem mesmo nossos primos de fala espanhola escapam da síndrome dos comedores de plural. Os andaluzes e praticamente todos os latino-americanos também não são muito chegados a um “s” final. Em vez do “s” ríspido e perigosamente carregado de saliva dos madrilenhos (que chiam quase tanto quanto os portugueses), eles transformaram o plural num acontecimento sutil, perceptível apenas por ouvidos treinados. Em Sevilha, Buenos Aires ou em Santo Domingo, o “s” vira um “h” aspirado – lah cosah, lah personah, loh pluraleh.

Entre nós, contudo, a mutilação do plural não tem nada a ver com sotaques ou incapacidade de pronunciar fonemas. Aqui em São Paulo, a falta de “s” é um fenômeno sociocultural. Os pobres não falam no plural por falta de cultura. Da classe média para cima, deixamos o plural de lado quando há excesso de intimidade. É como se o plural fosse algo opcional, como escolher entre “você” e “o senhor”. Se a situação exige, você vai lá e aperta a tecla PLURAL. Se a conversa for entre amigos, basta desligar, e os esses desaparecem em algum ponto entre o cérebro e a boca.

O que se deve fazer? Uma grande campanha educativa, com celebridades declarando que é chique falar os plurais? Lançar pagodes e canções sertanejas falando da dor de cotovelo causada por não usar “s” no final das palavras? Ou contratar um grupo de artistas alternativos para sair pichando nos muros por aí uma mensagem subversiva? Tipo assim: OS MANOS E AS MINAS.

FREIRE, Ricardo. Época. São Paulo: Globo, 21 fev. 2005. p. 98.



xongas: gíria que tem o significado de “absolutamente nada, coisa nenhuma, neca”.
empáfia: arrogância, presunção; orgulho excessivo ou em vão; soberba, altivez.
gaulês: natural ou habitante da Gália, antiga região da Europa onde hoje se situa o território da França e cuja língua era o gaulês.
Página 275

1 Qual é o assunto tratado pelo colunista?

2 Em que tom o colunista trata o assunto?

3 O que é “plural ortodoxo”?

4 De acordo com o colunista, qual é a tendência da linguagem coloquial do português falado no Brasil em relação à concordância de número?

5 De acordo com o texto, essa tendência ocorre apenas na língua portuguesa falada no Brasil?

6 Releia este trecho: Os pobres não falam no plural por falta de cultura.

a) O que essa afirmativa revela?

b) Em que trecho da coluna o autor faz uma ressalva aos falantes de variedades mais prestigiadas?

7 Como você interpreta o título do texto e o último parágrafo?

Panorama

Concordância nominal

Regra geral

• De acordo com a gramática normativa, adjetivos, artigos, pronomes adjetivos, numerais e particípios concordam em gênero (masculino/feminino) e em número (singular/plural) com o substantivo a que se referem.



As duas maiores preocupações apontadas pela pesquisa são o desemprego e a violência.

ISTOÉ. São Paulo: Ed. Três, 5 maio 2004.

As → artigo

duas → numeral

maiores → adjetivo

preocupações → substantivo

apontadas →



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