Português: trilhas e tramas, volume 2


partir → partas (segunda pessoa do singular do presente do subjuntivo)



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partir → partas (segunda pessoa do singular do presente do subjuntivo)

part-

(i)

-a-

-s

Imperativo afirmativo

O imperativo afirmativo é formado com base no presente do indicativo e no presente do subjuntivo. Note que não há uma forma do imperativo na 1ª pessoa do singular. Veja:



Presente do indicativo

Presente do subjuntivo

Imperativo afirmativo

Eu canto

Que eu cante

--------------------------------------

Tu cantas

Que tu cantes

Canta tu (segunda pessoa do presente do indicativo, sem o -s )

Ele canta

Que ele cante

Cante você

Nós cantamos

Que nós cantemos

Cantemos nós

Vós cantais

Que vós canteis

Cantai vós (segunda pessoa do presente do indicativo, sem o -s)

Eles cantam

Que eles cantem

Cantem vocês

Imperativo negativo

O imperativo negativo é formado com base no presente do subjuntivo. Veja o quadro com a conjugação do verbo vender nesses tempos e modos:



Presente do subjuntivo

Imperativo negativo

Que eu venda

-----------------------

Que tu vendas

Não vendas tu

Que ele venda

Não venda você

Que nós vendamos

Não vendamos nós

Que vós vendais

Não vendais vós

Que eles vendam

Não vendam vocês

Formas nominais

As formas nominais são assim chamadas porque, além de seu valor verbal, podem funcionar como nomes (substantivo, adjetivo ou advérbio).

O infinitivo indica o processo verbal sem situá-lo no tempo. Exemplos:

murmurar – percorrer – repetir

Já o gerúndio indica um processo verbal em desenvolvimento, muitas vezes reforçando a ideia de duração longa.

murmurando – percorrendo – repetindo


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O particípio indica uma ação ou processo acabado.

murmurado – percorrido – repetido

As formas nominais não apresentam flexão de tempo ou modo. Observe:

Chorar é um alívio. → chorar exerce a função de substantivo.

Ele estava aliviado. → aliviado tem função de adjetivo.

Anoitecendo, eles se encontrarão. → anoitecendo tem função de advérbio.

Locução verbal

A locução verbal é formada por um verbo auxiliar e um verbo principal.

O verbo auxiliar é flexionado, enquanto o principal está no gerúndio ou no infinitivo.

Entre o verbo auxiliar e o principal pode haver preposição.

Exemplo:

Começou a imaginar.


"Começou": verbo auxiliar
"a": preposição
"imaginar": verbo principal (no infinitivo)

Veja outros exemplos de locução verbal:

Ele tinha ido buscar o jornal na banca de revista.

O jornal iria publicar seu nome.



Verbos irregulares

São aqueles que não seguem o modelo da conjugação e sofrem alterações no radical ou na desinência. Exemplos:

• Verbo dar

dou, dás, dá...

presente do indicativo

dê, dês, demos...

presente do subjuntivo

dei, deste, deu...

pretérito perfeito do indicativo

• Verbo ver

vejo, vês, vê...

presente do indicativo

via, vias...

pretérito imperfeito do indicativo

vê, veja...

imperativo

veja, vejas...

presente do subjuntivo

vi, viste, viu...

pretérito perfeito do indicativo

verei, verás, verá...

futuro do presente do indicativo

Verbos anômalos

São aqueles que apresentam uma variação significativa no radical na conjugação. Exemplos:

• Verbo ir

vou, vais, vai, vamos, ides, vão

presente do indicativo

ia, ias...

pretérito imperfeito do indicativo

vá, vás, vá...

presente do subjuntivo

fui, foste, foi...

pretérito perfeito do indicativo

fora, foras, fora...

pretérito mais-que-perfeito do indicativo

irei, irás...

futuro do presente do indicativo

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• Verbo ser

sou, és, é, somos, sois, são

presente do indicativo

fui, foste, foi, fomos, fostes, foram

pretérito perfeito do indicativo

era, eras, era, éramos, éreis, eram

pretérito imperfeito do indicativo

fora, foras, fora, fôramos, fôreis, foram

pretérito mais-que-perfeito do indicativo

serei, serás, será, seremos, sereis, serão

futuro do presente do indicativo

seria, serias, seria, seríamos, seríeis, seriam

futuro do pretérito do indicativo

seja, sejas, seja...

presente do subjuntivo

fosse, fosses, fosse...

pretérito imperfeito do subjuntivo

for, fores, for...

futuro do presente do subjuntivo

Verbos defectivos

De acordo com os paradigmas (ou modelos) das conjugações verbais, os verbos defectivos são aqueles que não apresentam conjugação completa. Podem ser:

• Verbos que exprimem fenômenos da natureza, chamados impessoais ou unipessoais, usados apenas na terceira pessoa do singular. Exemplos:

Nevou muito na Rússia.
Está trovejando.

• Verbos onomatopaicos (em sentido denotativo), conjugados apenas na terceira pessoa do singular ou do plural.

latir – uivar – cacarejar

• Alguns verbos da terceira conjugação que não apresentam as conjugações em algumas pessoas.

colorir – falir – banir – demolir

Verbos abundantes

São aqueles que apresentam duas ou mais formas que se equivalem quanto ao sentido, geralmente de particípio. Leia o quadro:



Infinitivo

Particípio regular

Particípio irregular

aceitar

aceitado

aceito/aceite

assentar

assentado

assente

corrigir

corrigido

correto

emergir

emergido

emerso

expressar

expressado

expresso

imprimir

imprimido

impresso

limpar

limpado

limpo

ocultar

ocultado

oculto

omitir

omitido

omisso

pagar

pagado

pago

romper

rompido

roto

segurar

segurado

seguro

tingir

tingido

tinto

Muitas dessas formas verbais não são mais usadas com função verbal, e sim com função nominal. Exemplos:

Os sapatos do rapaz estão rotos.


Adoro vinho tinto.
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Costuma-se usar os particípios regulares antecedidos dos verbos ter e haver. Os particípios irregulares, por sua vez, geralmente são usados antecedidos dos verbos ser e estar. Exemplos:

Ela tem imprimido todos os relatórios em casa.
Eles estão impressos e arquivados, porém, no escritório.

Verbos dicendi

Os verbos de dizer (dicendi ou de elocução) são usados para:

• introduzir falas, revelando entonação, altura da voz, que não podem ser expressos na modalidade escrita. Exemplo:

– Coitado! – murmurou ele, muito triste.

• descrever a atitude de quem fala. Exemplos:

Ele quis protestar.


Maria acrescentou: – Apoiado!
Vencido o prazo, João respondeu: [...]
Ele repetiu: – Não vou aceitar mais isso...

• revelar opiniões do locutor a respeito da fala de alguém. Exemplo:

Ela destilou seu veneno: – Você é o culpado!

A tendência dos falantes à simplificação da língua

Você já deve ter percebido que, na maior parte do Brasil, o uso do pronome pessoal tu foi substituído pelo pronome de tratamento você. Essa ocorrência é um fenômeno natural na língua e pode ser exemplificada pela mudança na forma de tratamento Vossa Mercê, usada antigamente para se dirigir exclusivamente ao rei. Com o tempo, essa forma de tratamento foi sendo empregada também para se dirigir a outras pessoas e, paulatinamente, se transformando: de vossemecê a vosmecê, de vancê a você. Assim, nos dias de hoje, o pronome você é a forma mais usual com que nos dirigimos às pessoas, sobretudo em situações informais de uso da língua.

A substituição de tu por você, vós por vocês e nós por a gente tem mudado também a forma de conjugar os verbos. Leia a seguir a conjugação do verbo amar no pretérito imperfeito do modo indicativo, com os pronomes eu, tu, ele, nós, vós, eles:

Eu amava Nós amávamos

Tu amavas Vós amáveis

Ele amava Eles amavam

Observe que temos cinco formas verbais diferentes para seis pessoas gramaticais.

Ao substituir o tu/vós por você/vocês, há uma redução de cinco para três formas verbais diferentes. Leia:

Eu amava Nós amávamos

Você amava Vocês amavam

Ele amava Eles amavam

Ao substituir o nós por a gente, há uma redução para apenas duas formas verbais diferentes. Leia:

Eu amava A gente amava

Você amava Vocês amavam

Ele amava Eles amavam

Podemos dizer que a mudança da palavra vossa mercê a você e a redução das formas de conjugação verbal demonstram que a língua está sempre em mudança e tende à simplificação.


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Passos largos

1 (Fuvest/2005)

Leia o texto:



Às seis da tarde

Às seis da tarde


as mulheres choravam
no banheiro.
Não choravam por isso
ou por aquilo
choravam porque o pranto subia
garganta acima
mesmo se os filhos cresciam
com boa saúde
se havia comida no fogo
e se o marido lhes dava
do bom e do melhor
choravam porque no céu
além do basculante

o dia se punha


porque uma ânsia
uma dor
uma gastura
era só o que sobrava
dos seus sonhos.
Agora
às seis da tarde
as mulheres regressam do trabalho
o dia se põe
os filhos crescem
o fogo espera
e elas não podem
não querem
chorar na condução.

COLASANTI, Marina. In: Gargantas abertas.



basculante: tipo de janela.
gastura: inquietação nervosa, aflição, mal-estar.

a) O texto faz ver que mudanças históricas ocorridas na situação de vida das mulheres não alteraram substancialmente sua condição subjetiva. Concorda com essa afirmação? Justifique sucintamente.

b) No poema, o emprego dos tempos pretérito imperfeito e presente do indicativo deixa claro que apenas um deles é capaz de indicar ações repetidas, durativas ou habituais. Concorda com essa afirmação? Justifique.

2 (Enem/2002 – adaptada)

Leia o texto:

Narizinho correu os olhos pela assistência. Não podia haver nada mais curioso. Besourinhos de fraque e flores na lapela conversavam com baratinhas de mantilha e miosótis nos cabelos. Abelhas douradas, verdes e azuis, falavam mal das vespas de cintura fina – achando que era exagero usarem coletes tão apertados. Sardinhas aos centos criticavam os cuidados excessivos que as borboletas de toucados de gaze tinham com o pó das suas asas. Mamangavas de ferrões amarrados para não morderem. E canários cantando, e beija- -flores beijando flores, e camarões camaronando, e caranguejos caranguejando, tudo que é pequenino e não morde, pequeninando e não mordendo.

LOBATO, Monteiro. Reinações de Narizinho. São Paulo: Brasiliense, 1947.

No trecho lido há um período em que uma série de verbos no gerúndio contribuem para caracterizar o ambiente fantástico descrito.

a) Identifique esse período.

b) Que verbos foram usados no gerúndio?

c) Anote a resposta no caderno: Expressões como camaronando e pequeninando e não mordendo criam no texto lido, principalmente, efeitos de:

I. esvaziamento de sentido.

II. monotonia do ambiente.

III. estaticidade dos animais.

IV. interrupção dos movimentos.

V. dinamicidade dos cenários.
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3 Leia as frases a seguir:

I. Ah, se eu pudesse, viajaria mais!

II.Fique quieto. [...] (Martins Pena)

III. – O vigário está pronto para qualquer hora. (Martins Pena)

IV. – Minha Aninha, não chores. [...] (Martins Pena)

V. Quando ele saiu de casa, estava resolvido a tudo.

VI. Quando eu puder, vou me casar.

Em qual(is) frase(s) o fato é apresentado:



a) como certo, concreto?

b) como desejo ou hipótese?

c) como uma ordem?

d) como um pedido?

4 Leia a tirinha:

Jean Galvão

JEAN. Saber: Revista do Livro Universitário, ano I, n. 1, mar./abr. 2001, São Paulo: Imprensa Oficial/Abeu. p. 3.

a) Explique a formação e o significado do neologismo gerundismo.

-

b) Qual é o objetivo da tirinha?

5 Explique no caderno em qual dos enunciados a seguir a forma verbal com gerúndio foi usada em desacordo com o que é prescrito pela gramática normativa.

a) Eu vou estar saindo com meu irmão hoje à noite.

b) Eu vou ficar costurando, enquanto você passa a roupa.

c) Ela está agindo bem.

6 Os verbos onomatopaicos, em geral, são conjugados apenas na terceira pessoa do singular e do plural; já os verbos que indicam fenômenos da natureza, apenas na terceira pessoa do singular. Dê exemplos de situações em que esses verbos defectivos podem ser conjugados em outras pessoas.
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7 No caderno, complete as frases com a forma adequada do



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