Português: trilhas e tramas, volume 2



Baixar 8.62 Mb.
Página24/546
Encontro13.08.2021
Tamanho8.62 Mb.
1   ...   20   21   22   23   24   25   26   27   ...   546
Nas trilhas do texto

Você vai ler o trecho de uma cantiga provençal do século XII, do trovador Arnaut Daniel. Ela foi traduzida e recriada pelo poeta Augusto de Campos, no século XX. Durante a leitura, verifique se a cantiga trata da consumação do amor ou da aceitação de um sentimento sofrido.



Se eu não a tenho, ela me tem

Arnaut Daniel (tradução-recriação de Augusto de Campos)

Se eu não a tenho, ela me tem


o tempo todo preso, Amor,
e tolo e sábio, alegre e triste,
eu sofro e não dou o troco.
É indefeso quem ama.
Amor comanda
à escravidão mais branda
e assim me rendo,
sofrendo,
à dura lida
que me é deferida.

Se calo, é porque mais convém


calar, em mim, o meu calor.
A língua hesita, o corpo existe
e, doendo, acha pouco,
sofre mas não reclama.
A sombra vã da
memória me demanda
e eu me surpreendo
mexendo
nesta ferida
sempre revolvida.

CAMPOS, Augusto de. Mais provençais – Arnaut Daniel/Raimbaut D’Aurenga. São Paulo: Companhia das Letras, 1987. p. 79.



Complot


Arnaut Daniel de Ribérac nasceu em Périgord, na atual França, por volta de 1150 ou 1160. Foi um dos principais representantes do estilo de poesia trovadoresca trobar clus. Foram conservadas 18 composições suas, duas delas com música, tratando quase sempre de temas amorosos. É considerado o criador da sextina, uma canção com estrofes de seis versos. No século XX, o interesse por sua obra foi retomado, o que repercutiu no Brasil por meio dos ensaios e das traduções de Augusto de Campos.

Daniel Klein





Compartilhe com seus amigos:
1   ...   20   21   22   23   24   25   26   27   ...   546


©historiapt.info 2019
enviar mensagem

    Página principal