Português: trilhas e tramas, volume 2



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Nas trilhas do texto

O Romantismo em Portugal se inicia com a publicação da obra Camões (1825), de Almeida Garret, considerado por alguns críticos a mais complexa figura do Romantismo português.

Leia um dos poemas mais discutidos e analisados desse autor.

Não te amo

Almeida Garrett

Não te amo, quero-te: o amar vem d’alma.


E eu n’alma – tenho a calma.
A calma – do jazigo.
Ai! Não te amo, não.

Não te amo, quero-te: o amor é vida.


E a vida – nem sentida
A trago eu já comigo.
Ai, não te amo, não!

Ai! Não te amo, não; e só te quero


De um querer bruto e fero
Que o sangue me devora.
Não chega ao coração.

Não te amo, és bela; e eu não te amo, ó bela.


Quem ama a aziaga estrela
Que lhe luz na má hora
Da sua perdição?

E quero-te, e não te amo, que é forçado,


Do mau feitiço azado
Este indigno furor Mas oh!
Não te amo, não.

E infame sou, porque te quero; e tanto


Que de mim tenho espanto.
De ti medo e terror...
Mas amar! ... não te amo, não.

GARRET, Almeida. In: TUFANO, Douglas (Org.). De Camões a Pessoa: antologia escolar da poesia portuguesa. São Paulo: Moderna, 1994. p. 35.





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