Português: trilhas e tramas, volume 2



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Nesta página você encontra fotos, entrevistas e notícias sobre o movimento hip-hop brasileiro, além de vários raps que abordam a temática da exclusão, da violência, da discriminação e do preconceito étnico-racial: . Acesso em: 10 dez. 2015.



Flávio Kauffmann


Página 135

Na bagagem

• Como a poesia lírico-amorosa de Castro Alves se diferenciou do lirismo dos poetas da 2ª geração?

• Seria um lirismo ainda platônico, como o dos poetas do “mal do século”?

Nas trilhas do texto

Leia, a seguir, um dos poemas líricos mais conhecidos de Castro Alves.



O gondoleiro do amor – Barcarola

Castro Alves

Dama-negra


Teus olhos são negros, negros,
Como as noites sem luar...
São ardentes, são profundos,
Como o negrume do mar.

Sobre o barco dos amores,


Da vida boiando à flor,
Douram teus olhos a fronte
Do Gondoleiro do amor.

Tua voz é cavatina


Dos palácios de Sorrento,
Quando a praia beija a vaga,
Quando a vaga beija o vento.
E como em noites de Itália
Ama um canto o pescador,
Bebe a harmonia em teus cantos
O Gondoleiro do amor.

Teu sorriso é uma aurora


Que o horizonte enrubesceu,
Rosa aberta com o biquinho
Das aves rubras do céu;

Nas tempestades da vida


Das rajadas no furor,
Foi-se a noite, tem auroras
O Gondoleiro do amor.

Teu seio é vaga dourada


Ao tíbio clarão da lua,
Que, ao murmúrio das volúpias,
Arqueja, palpita nua.

Como é doce, em pensamento,


Do teu colo no langor
Vogar, naufragar, perder-se
O Gondoleiro do amor!?

Teu amor na treva é – um astro,


No silêncio uma canção,
É brisa – nas calmarias,
É abrigo – no tufão;

Por isso eu te amo, querida,


Quer no prazer, quer na dor...
Rosa! Canto! Sombra! Estrela!
Do Gondoleiro do amor.

gondoleiro: aquele que guia as gôndolas, embarcações típicas de Veneza (Itália).


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