Português: trilhas e tramas, volume 2



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Canção para minha morte

Bem que filho do Norte,


Não sou bravo nem forte.
Mas, como a vida amei
Quero te amar, ó morte [...]

BANDEIRA, Manuel. Canção para minha morte. In: Estrela da vida inteira. 6. ed. Rio de Janeiro: José Olympio, 1976. v. 85. p. 258. (Coleção Sagarana.)



a) Manuel Bandeira faz uma paráfrase ou uma paródia dos versos de “I-Juca Pirama”? Justifique sua resposta.

b) Que palavra ou expressão poderia substituir Bem que, sem alterar o sentido do verso?

Vesna Longton


Página 122

8 Gonçalves Dias também escreveu poemas líricos. Leia:

Olhos verdes

Eles verdes são:
E têm por usança,
Na cor esperança.
E nas obras não.

Camões


São uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos de verde-mar,
Quando o tempo vai bonança;
Uns olhos cor de esperança,
Uns olhos por que morri;
Que ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como duas esmeraldas,


Iguais na forma e na cor,
Têm luz mais branda e mais forte,
Diz uma – vida, outra – morte;
Uma – loucura, outra – amor.
Mais ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São verdes da cor do prado,


Exprimem qualquer paixão,
Tão facilmente se inflamam,
Tão meigamente derramam
Fogo e luz do coração;
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

São uns olhos verdes, verdes,


Que podem também brilhar;
Não são de um verde embaçado,
Mas verdes da cor do prado,
Mas verdes da cor do mar.
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Como se lê num espelho,


Pude ler nos olhos seus!
Os olhos mostram a alma,
Que as ondas postas em calma
Também refletem os céus;
Mas ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós, ó meus amigos,


Se vos perguntam por mi,
Que eu vivo só da lembrança
De uns olhos cor de esperança,
De uns olhos verdes que vi!
Que ai de mi!
Nem já sei qual fiquei sendo
Depois que os vi!

Dizei vós: Triste do bardo!


Deixou-se de amor finar!
Viu uns olhos verdes, verdes,
Uns olhos da cor do mar;
Eram verdes sem esp’rança
Dizei-o vós, meus amigos,
Que ai de mi!
Não pertenço mais à vida
Depois que os vi!

DIAS, Gonçalves. Olhos verdes. In: Poesia. Rio de Janeiro: Agir, p. 49. (Nossos Clássicos).





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