Português: trilhas e tramas, volume 2



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Passos largos

1 Leia uma epigrama do poeta português Bocage:

A moléstia e a receita

Para curar febres podres


Um doutor se foi chamar,
Que, feitas as cerimónias,
Começou a receitar.
A cada penada sua
O enfermo arrancava um ai!

– “Não se assuste (diz Galeno),


Que inda desta se não vai.”
– Ah! senhor! (torna o coitado,
Como quem seu fado espreita)
Da moléstia não me assusto,
“Assusto-me da receita.”

In: GOMES, Álvaro Cardoso. Poemas escolhidos de Bocage. São Paulo: Cultrix, 1974. p. 32.



Galeno: no sentido de “o médico; qualquer médico” ou referência a Galeno de Pérgamo (129-200), célebre médico grego da Antiguidade que é considerado, ao lado de Hipócrates, um dos pais da Medicina.
fado: destino, sorte.

Manuel Maria de Barbosa l’Hedois du Bocage ou apenas Bocage (1765- 1805) nasceu em Setúbal (Portugal) e faleceu em Lisboa (Portugal). Além da literatura, sua vida foi marcada por aventuras amorosas, viagens e prisões. Em 1790, entrou para a Academia das Belas Letras e, sob o pseudônimo de Elmano Sadino, começou a escrever ferozes sátiras contra os companheiros. Numa época em que a Inquisição ainda era muito presente em Portugal, sua irreverência diversas vezes lhe custou a liberdade.



Daniel Klein



a) Qual é o objetivo da epigrama “A moléstia e a receita”? Justifique sua resposta citando versos da epigrama.

b) Que recurso característico do gênero teatral (dos autos vicentinos, por exemplo) Bocage usa em sua epigrama? Com que objetivo esse recurso é utilizado?
Página 109

2 Leia agora um soneto de Bocage:



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