Português: trilhas e tramas, volume 2



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Cultismo e Conceptismo

No Barroco, predominam duas tendências estéticas: o Cultismo (ou Gongorismo) e o Conceptismo (ou Quevedismo).

Influenciado pelo poeta espanhol Luís Góngora, o Cultismo caracteriza-se pela preocupação com a forma, com aspectos de construção da linguagem, com o emprego de recursos de ornamentação do texto, muito presentes na obra do poeta Gregório de Matos. Podemos citar como características do Cultismo:

• o uso de metáforas, antíteses, metonímias, hipérboles etc., recursos por meio dos quais o autor procura atrair o leitor/ouvinte, atingindo seus sentidos;

• o exotismo, que consiste no uso de linguagem culta, extravagante, com vocábulos raros e rebuscamento de forma;

• o jogo de palavras;

• o hipérbato, que consiste no uso de termos invertidos na oração;

• o uso frequente da função emotiva da linguagem.

O Conceptismo, por sua vez, preocupa-se em trabalhar as ideias, os temas e os conceitos. Influenciado pelo poeta espanhol Luís de Quevedo, está mais presente na prosa, especialmente nos sermões do padre Antônio Vieira. Algumas das características formais do Conceptismo são:

• a racionalização dos conflitos;

• o uso de relações de causa, consequência e condição na construção da argumentação;

• a repetição de ideias e de palavras que reforçam o conceito apresentado;

• o uso frequente da função da linguagem apelativa ou conativa para convencer os ouvintes/leitores;

• o uso de analogias, comparações, antíteses e metáforas, recursos linguísticos também comuns ao Cultismo;

• a valorização do raciocínio, do discurso, da lógica;

• a argumentação, por meio do uso de ideias e conceitos baseados na retórica aristotélica.

Nos sermões, gênero textual bastante praticado no Barroco, costumam ser empregados recursos de retórica aristotélica. Essa expressão se refere ao filósofo grego Aristóteles (384-322 a.C.) que escreveu a obra intitulada Retórica, na qual deu um tratamento filosófico à arte da persuasão por meio da palavra. Segundo o filósofo, a retórica é a capacidade que o locutor tem de identificar o que é adequado em cada situação comunicativa para persuadir o interlocutor. São três as formas, ou seja, as técnicas de argumentação aristotélica, representadas pelas palavras gregas ethos, pathos e logos.

Ethos: a argumentação é baseada no caráter e na qualificação do orador, que deve inspirar confiança no auditório para convencê-lo de sua tese.

Pathos: a argumentação é baseada na emoção do auditório. Com essa técnica, o locutor pretende sensibilizar o interlocutor para que ele aceite seus argumentos.

Logos: a argumentação está centrada na tese e na consistência dos argumentos, que devem ser claros e coerentes. O locutor dá importância à lógica, à coerência e à credibilidade.
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Na bagagem

• Sabe-se que o poeta Gregório de Matos não publicou suas obras. Como seus poemas chegaram até nós?

• Qual é a importância de sua poesia na literatura barroca brasileira?

• Por que ele foi apelidado de Boca do Inferno?

• As temáticas exploradas por Gregório de Matos no século XVII são comuns na atualidade?

• Que influências ele exerce sobre a literatura brasileira atual?





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