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terdisciplinar na universidade (1974) e Interdisciplinaridade no ensino e na 

pesquisa (1979) nos quais esta tese era amplamente elaborada.

6

 Apesar de ter sido um dos mais poderosos inspiradores do método analí-



tico e, como tal, das suas consequências em termos de especialização cien-

tífica, a verdade é que Descartes, em momento algum, deixou de considerar, 

como o objectivo maior da Ciência, quer a totalidade como reconstituição 

do todo, quer a unidade das diversas disciplinas num esquema de conexões, 

integrado e globalizante. Como Descartes escreve, “sientiae inter se conne-

xae” (AT, X361, p. 12-13). o que, paradoxalmente, poderia fazer dele um dos 

primeiros defensores da interdisciplinaridade.

4

 

Para uma apresentação mais detalhada desta proposta, remetemos de 



novo para Pombo, Guimarães e levy (1993, p. 11-14).

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Em primeiro lugar, custos relativos ao próprio es-

pecialista que se transforma numa criatura estranha, 

alguém que sabe cada vez mais acerca de cada vez 

menos. Como diz Ortega y Gasset, em páginas céle-

bres de La rebelión de las masas (1929), numa das 

mais virulentas críticas à arrogância do especialista 

alguma vez traçadas:

Dantes os homens podiam facilmente dividir-se em 

ignorantes e sábios, em mais ou menos sábios e mais ou 

menos ignorantes. Mas o especialista não pode ser sub-

sumido por nenhuma destas duas categorias. Não é um 

sábio porque ignora formalmente tudo quanto não entra 

na sua especialidade; mas também não é um ignorante 

porque é um “homem de ciência” e conhece muito bem 

a sua pequeníssima parcela do universo. Temos que di-

zer que é um “sábio-ignorante”, coisa extremamente gra-

ve pois significa que é um senhor que se comporta em 

todas as questões que ignora, não como um ignorante

mas com toda a petulância de quem, na sua especialida-

de, é um sábio (GASSET, 1929, p. 173-4).

Pouco depois, o mesmo tipo de diagnóstico começa 

a ser feito por grandes homens de ciência. Por exemplo, 

Norbert Wiener escrevia em 1948:

“Há hoje poucos investigadores que se possam 

proclamar matemáticos ou físicos ou biólogos sem 

restrição. Um homem pode ser um topologista ou um 

acusticionista ou um coleopterista. Estará então to-

talmente mergulhado no Jargão do seu campo, conhe-

cerá toda a literatura e todas as ramificações desse 

campo mas, frequentemente, olhará para o campo vi-

zinho como qualquer coisa que pertence ao seu cole-

ga três portas abaixo no corredor e considerará mes-

mo que qualquer manifestação de interesse da sua 

parte corresponderia a uma indesculpável quebra de 

privacidade” (WIENER, 1948, p. 2).

E Oppenheimer, num texto de 1955, descreve nos 

seguintes termos esta mesma situação:

Hoje, não são só os nossos reis que não sabem mate-

mática mas também os nossos filósofos não sabem ma-

temática e, para ir um pouco mais longe, são também os 

nossos matemáticos que não sabem matemática. Cada 

um deles conhece apenas um ramo do assunto e escu-

tam-se uns aos outros com um respeito fraternal e ho-

nesto. [...] O conhecimento científico hoje não se traduz 

num enriquecimento da cultura geral. Pelo contrário, é 

posse de comunidades altamente especializadas que se 

interessam muito por ele, que gostariam de o partilhar, 

que se esforçam por o comunicar. Mas não faz parte do 

entendimento humano comum... O que temos em co-

mum são os simples meios pelos quais aprendemos a 

viver, a falar e a trabalhar juntos. Além disso, temos as 

disciplinas especializadas que se desenvolveram como 

os dedos da mão: unidos na origem mas já sem contacto 

(OPPENHEIMER, 1955, p. 55).

Três anos mais tarde, outra voz se faz ouvir para de-

nunciar, não tanto agora a pulverização disciplinar, mas 

o cisma profundo que se cavou entre duas formas da cul-

tura científica. Referimo-nos a Lord C. P. Snow, que, num 

pequeno texto de cerca de 50 páginas intitulado Two  

cultures, publicado em 1959 e, a partir daí, constante-

mente reeditado e traduzido em todas as línguas do 

mundo, dá conta da clivagem que, desde o início do sé-

culo XIX estava já latente sob a forma de oposição entre 

ciências da natureza e ciências do espírito. Snow reen-

contra essa ruptura no seu tempo, em termos de diag-

nóstico, na existência de duas culturas que deixaram de 

se comunicar. “De um lado, os intelectuais literatos, do 

outro os cientistas. Entre os dois um hiato mútuo de in-

compreensão e, às vezes, particularmente entre os jo-

vens, de hostilidade” (SNOW, 1959, p. 4). A especializa-

ção é aqui sobretudo essa incomunicabilidade entre ra-

mos fundamentais do que era antes “A cultura científi-

ca”. Mas Snow vai mais longe e aponta como raiz dessa 

separação o carácter incompleto dessas duas culturas. 

Diz ele: “os cientistas nunca leram uma obra de 

Shakespeare e os literatos não conhecem a segunda lei 

da termodinâmica” (SNOW, 1959, p. 15). Cada grupo des-

conhece e ignora o que o outro faz, chegando mesmo, 

em alguns casos, a considerar que o que o outro grupo 

faz não tem qualquer interesse.

Mas, também do ponto de vista institucional, a es-

pecialização tem consequências gravíssimas. Como sa-

bem, a ciência é hoje uma enorme organização dividida 

internamente por inúmeras comunidades de pares, ca-

da uma com os seus congressos, as suas revistas, as suas 

bibliotecas, os seus territórios, os seus espaços institu-

cionais, etc. Essas comunidades constituem agregados 

competitivos que lutam por apoios, subsídios, financia-

mentos, bolseiros, novos equipamentos, etc. Já não se 

trata de os cientistas viverem de costas voltadas uns 

contra os outros, de desconhecerem o que estão a fazer 

os seus colegas “três portas abaixo no corredor”. Trata-se 

agora de competir naquilo que deveria ser de todos, de 

cada um procurar defender os seus interesses particula-

res, se possível, retirando as benesses do colega do lado

7

.



Hoje em dia, por exemplo, está a desenvolver-se um 

tipo novo de patentificação de áreas de investigação, fe-

nómeno que, na sua displicente ocorrência, ameaça des-

truir a nossa própria ideia de ciência. Durante muito 

tempo, como sabem, só se faziam patentes quando o 

investigador descobria qualquer coisa de novo, desco-

berta essa que, depois, patenteava. Isso ocorria sobretu-

do nas áreas das tecnologias. As leis, os princípios, as 

teorias, essas ficavam naturalmente à mercê de todos, 

ligadas ao nome daqueles que tinham apresentado pela 

7

 Para uma análise detalhada do fenómeno da especialização da ciência e 



suas consequências institucionais, cf., em especial, Weinberg (1967), Whitley 

(1976), Knorr, Krohn e Whitley (1980) e, mais recentemente, um livro pene-

trante de Isabelle Stengers (1993).

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primeira vez (ou de forma completa e consistente) o re-

sultado da investigação. No caso das tecnologias, então 

sim, havia — e há — patentes para as mais diversas apli-

cações técnicas. Pois, neste momento, muitas institui-

ções onde se faz investigação científica de ponta estão a 

patentear, não resultados obtidos, mas áreas de investi-

gação. Quando um projecto de investigação se apresen-

ta, com os seus objectos de investigação e a sua metodo-

logia, antes mesmo de começar a trabalhar, a área selec-

cionada e a metodologia proposta são patenteadas

8



Qualquer coisa de muito estranho que vem pôr em cau-



sa a nossa ideia de ciência como saber universal, públi-

co, desinteressado. Sabíamos que, por diversas vezes na 

história da ciência, foram desenvolvidas pesquisas em 

simultâneo. Que diversos investigadores podiam ter 

uma mesma ideia, mais ou menos na mesma época e 

que, quando isso acontecia, estávamos perante um 

acontecimento festivo, um dos mais belos e significati-

vos acontecimentos da racionalidade imanente à produ-

ção científica. A existência dessas descobertas simultâ-

neas traduzia-se, em geral, no facto de os cientistas en-

volvidos serem consagrados em conjunto por uma mes-

ma descoberta. Hoje, é tudo isto que está em ruína. O 

projecto de investigação demarca o seu terreno antes de 

haver qualquer descoberta, antes mesmo de iniciar ver-

dadeiramente a investigação que se propõe fazer. Para 

que outros não possam trabalhar no mesmo objecto, pa-

ra inviabilizar ou dificultar tanto quanto possível as des-

cobertas simultâneas. E, nesse movimento, se esfuma o 

carácter público, universal e desinteressado da ciência.

Ora, tudo isto é uma consequência da especializa-

ção. Como se explica esta vontade de patentificação pre-

coce? Não é certamente porque os investigadores sejam 

hoje mais perversos do que antigamente, ou tenham 

maus instintos, ou falta de modéstia, ou sejam incapazes 

de colaboração. Não! É porque, sendo a ciência cada vez 

mais cara, os investigadores precisam de grandes finan-

ciamentos. E, para tal, precisam de garantir lucros das 

suas descobertas futuras. E, para garantir lucros anteci-

pados, têm que obter financiamento de empresas que, 

em troca, ficam com o direito de aplicar imediatamente 

as descobertas que os seus programas de investigação se 

propõem realizar. Ora, para darem esse financiamento, 

essas empresas exigem que as áreas de pesquisa sejam 

patenteadas antes que outras empresas se possam dedi-

car a essa mesma investigação científica (ou será explo-

ração?). Não são pois os investigadores mas as próprias 

empresas que financiam as pesquisas que, à partida, co-

locam como condição do seu financiamento, a existên-

cia de resultados precisos e altamente especializadas, 

susceptíveis desse tipo de patentificação. Outras vezes, a 

investigação altamente especializada faz-se em labora-

tórios comandados por generais. Nesse caso, não são 

sequer necessárias patentes antecipadas. O que é neces-

sário é garantir o segredo da investigação que está a ser 

desenvolvida, o silêncio do investigador-funcionário. Por 

outras palavras, estamos perante custos institucionais 

de uma lógica de especialização cada vez mais feroz.

Mas, para lá dos custos culturais e institucionais de 

uma ciência altamente especializada, há outros tipos de 

custos que importa referir, nomeadamente, a questão da 

heurística. É que, paradoxalmente, no estado de enorme 

avanço em que a nossa ciência se encontra, o progresso da 

investigação faz-se, cada vez mais, não tanto no interior dos 

adquiridos de uma disciplina especializada, mas no cruza-

mento das suas hipóteses e resultados com as hipóteses e 

os resultados de outras disciplinas. Ou seja, num número 

cada vez maior de casos, o progresso da ciência, a partir 

sobretudo da segunda metade do século XX, deixou de po-

der ser pensado como linear, resultante de uma especializa-

ção cada vez mais funda mas, ao contrário e cada vez mais, 

depende da fecundação recíproca, da fertilização heurísti-

ca de umas disciplinas por outras, da transferência de con-

ceitos, problemas e métodos — numa palavra, do cruza-

mento interdisciplinar. Trata-se de reconhecer que deter-

minadas investigações reclamam a sua própria abertura 

para conhecimentos que pertencem, tradicionalmente, ao 

domínio de outras disciplinas e que só essa abertura permi-

te aceder a camadas mais profundas da realidade que se 

quer estudar. Estamos perante transformações epistemoló-

gicas muito profundas. É como se o próprio mundo resistis-

se ao seu retalhamento disciplinar.

Gostaria de chamar a vossa atenção para um autor 

que tem tratado esta questão de uma forma muito inte-

ressante. Refiro-me a Gilbert Durand, para quem “a pas-

sividade monodisciplinar” é inibidora do “salto heurísti-

co” de que a ciência moderna necessita, salto esse que, 

por natureza, sempre esteve e continua a estar “depen-

dente de uma larga informação e cooperação interdisci-

plinar” (DURAND, 1991, p. 40-41). Aliás, a interdiscipli-

naridade tem — e sempre teve — um lugar decisivo na 

criação científica. Como recorda Gilbert Durand,

 [...] os sábios criadores do fim do século XIX e dos 

dez primeiros anos do século XX (esse período áureo da 

criação científica, em que se perfilam nomes como os 

de Gauss, Lobatchevski, Riemann, Poincaré, Hertz, 

Becquerel, os Curie, Rutherford, Pasteur, Max Plank, 

Bohr, Einstein), tiveram todos uma formação larga-

mente pluridisciplinar, herdeira do velho trivium (as 

humanidades) e do quadrivium (os conhecimentos 

quantificáveis e, portanto, também a música) medie-

vais (DURAND, 1991, p. 36).

Daí que, a seu ver, o paradoxo está no facto de termos, 

“de um lado, um ensino cada vez mais especializado,  

do outro, um procedimento heurístico que necessita — 

sob pena de esterilidade — da interdisciplinaridade” 

8

 Para mais detalhes sobre esta questão, veja-se levy (2003), (paper gentil-



mente cedido pela autora).

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(DURAND, 1991, p. 34). Trata-se de compreender que o pro-

gresso do conhecimento não se dá apenas pela especializa-

ção crescente, como estávamos habituados a pensar. A 

ciência começa a aparecer como um processo que exige 

também um olhar transversal. Há que olhar para o lado pa-

ra ver outras coisas, ocultas a um observador rigidamente 

disciplinar.

O que significa que, assim sendo, a interdisciplinari-

dade não é qualquer coisa que nós tenhamos que fazer. 

É qualquer coisa que se está a fazer quer nós queiramos 

ou não. Nós estamos colocados numa situação de transi-

ção e os nossos projectos particulares não são mais do 

que formas, mais ou menos conscientes, de inscrição 

nesse movimento. Podemos compreender este processo 

e, discursivamente, desenhar projectos que visam acom-

panhar esse movimento, ir ao encontro de uma realida-

de que se está a transformar, para além das nossas pró-

prias vontades e dos nossos próprios projectos. Ou po-

demos não perceber o que se está a passar e reagir pela 

recusa da interdisciplinaridade ou pela sua utilização 

fútil, superficial, como se tratasse de um mero projecto 

voluntarista formulado no contexto de uma simples mo-

da, passageira como todas as modas.

Perceber a transformação epistemológica em cur-

so é perceber que lá, onde esperávamos encontrar o 

simples, está o complexo, o infinitamente complexo. 

Que quanto mais fina é a análise, maior a complexida-

de que se abre à nossa frente. E, portanto, que o todo 

não é a soma das partes. Esta é, penso eu, uma das cha-

ves fundamentais para o entendimento desta questão. 

Colocado na ordem do dia pelos desenvolvimentos de 

diversas ciências (das matemáticas, às ciências da na-

tureza e às ciências humanas), este simples enunciado 

— “o todo não é a soma das partes” — tem tido um im-

pacto e uma influência extraordinária na nossa ciência 

e na nossa maneira de pensar a questão da interdisci-

plinaridade. É que, se o todo não é a soma das partes, a 

especialização tem que ser complementada, ou mes-

mo em alguns casos substituída, por uma compreen-

são interdisciplinar capaz de dar conta das configura-

ções, dos arranjos, das perspectivas múltiplas que a  

ciência tem que convocar para o conhecimento mais 

aprofundado dos seus objectos de estudo. Ou seja, o 

problema da especialização encontra os seus limites 

justamente aqui, no momento em que a ciência toma 

consciência que o todo não é a soma das partes.

É nesta nova situação epistemológica que se têm 

vindo a constituir novos tipos de disciplinas. Umas têm 

sido designadas como ciências de fronteira, novas dis-

ciplinas que nascem nas fronteiras entre duas discipli-

nas tradicionais. Como exemplos, refiram-se a bioquí-

mica, a biofísica, etc. Outras, como interdisciplinas, 

aquelas que nascem na confluência entre ciências pu-

ras e ciências aplicadas. O primeiro exemplo foi o da 

investigação operacional, o mais eloquente é o da en-

genharia genética, duas áreas — a engenharia e a gené-

tica — cuja mistura era impensável há 60, 70 anos. 

Finalmente há quem considere a existência de inter­

ciências que seriam conjuntos disciplinares onde não 

há já uma ciência que nasce nas fronteiras de duas dis-

ciplinas fundamentais (ciências de fronteira) ou que 

resulta do cruzamento de ciências puras e aplicadas 

(interdisciplinas) mas que se ligam, de forma descen-

trada, assimétrica, irregular, numa espécie de patch­

work combinatório que visa a constituição de uma no-

va configuração disciplinar capaz de resolver um pro-

blema preciso. O exemplo melhor é o das ciências cog-

nitivas. Elas não são especialmente a psicologia e a 

neurocirurgia, são as neurociências, são a filosofia, são 

a matemática, são as ciências da computação. Ou seja, 

são conjuntos de disciplinas que se encontram de for-

ma irregular e descentrada para colaborar na discus-

são de um problema comum

9

.



Além da constituição de novas disciplinas, assisti-

mos hoje à proliferação de novas práticas de investiga-

ção interdisciplinar

10

 e mesmo à constituição de novos 



problemas. Problemas grandes demais, problemas com-

plexos, que se não deixam pensar em laboratório porque 

comportam um número enorme de variáveis, problemas 

que nenhuma disciplina está preparada para resolver. A 

juventude urbana, o envelhecimento, a violência, o clima 

ou a manipulação genética, por exemplo, são novidades 

epistemológicas a que só a interdisciplinaridade tem 

condições para procurar dar resposta.

Novas disciplinas, novas práticas, novos problemas. 

Daqui decorrem duas consequências importantes: o 

alargamento do conceito de ciência e a necessidade de 

reorganização das estruturas da aprendizagem das ciên-

cias, nomeadamente, a universidade.

No que diz respeito ao alargamento do conceito de 

ciência, apenas chamar a atenção para o facto de, desde 

o início do século XX, a ciência ter entrado num proces-

so de perda da sua tão reclamada autonomia. Sabemos 

que, constituída por uma comunidade fechada, a ciência 

sempre se pensou autónoma, produtora de uma verdade 

de cujos critérios, ritmos e resultados era a única e legíti-

ma responsável. Eram os cientistas que estabeleciam as 

regras da sua actividade, constituíam os seus objectos de 

estudo, escolhiam as suas metodologias, validavam os 

seus resultados. Quem é que, fora da comunidade cientí-

fica, se dava o direito de dizer se um determinado enun-

ciado era científico ou não, se um resultado era válido ou 

não? Nem o homem comum, nem os grandes senhores, 

nem sequer o estado, tinham legitimidade, ou sequer 

9

 

remetemos para um livro da minha autoria, Interdisciplinaridade: ambições 




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