Portugues ling int vol3 pnld2018 capa al pr indd



Baixar 39.74 Mb.
Pdf preview
Página265/273
Encontro07.02.2022
Tamanho39.74 Mb.
#21486
1   ...   261   262   263   264   265   266   267   268   ...   273
Linguagem Interacao 3 MP 0019P18013 PNLD2018
tions linguistiques. Bruxelas: De Boeck Duculot, 2000.

6

 mArCuSCHI, l. A. op. cit.



7

 Idem, ibid.

8

 FAYol, m.; ABDI, H. Influence of script structure on punctuation. Cahiers 



de Psychologie Cognitive, n. 3, jun. 1988.

que precede a alimentação, tempo de alimentação, tempo 

que segue a alimentação, ao passo que é a vírgula que apa-

rece quando os fatos narrados se inserem dentro de uma 

dessas etapas. A partir daí, pode-se concluir que, “no iní-

cio da aquisição da escrita, o emprego da pontuação não 

parece depender do critério sintático”, mas sim, “da estru-

tura do 


script” (ibidem: 268). Em redações de escriptores 

adultos, a mesma lógica se encontra, dublada, porém com 

uma pontuação mais complexa, apta a dar conta da sinta-

xe. Assim, vale ressaltar o fato de que esse tipo de estudo 

trouxe à tona uma certa interdependência (de fato, não é 

total) entre a pontuação sequencial e a maneira como o 

script, que é um tipo de roteiro culturalmente estabiliza-

do, articula suas diferentes ocorrências.

Outro resultado interessante consistiu em observar 

o fato de que “a hierarquia dos sinais”, tal como os auto-

res a obtiveram através da análise das redações, “é muito 

similar à obtida através das produções em inglês e em 

alemão” (ibidem: 272). Essa observação, se necessário, 

confirmaria o fato de que esse tipo de emprego da pon-

tuação não é de ordem sintática, porque teria então uma 

pontuação que segmentaria de acordo com cada uma 

das línguas em questão, e sim processual, pois mostra a 

maneira como o escriptor instaura e, de certo modo, 

avalia as relações entre os vários eventos presentes no 

script. Em outras palavras, essa observação mostra que o 

script não diz respeito às línguas nas suas singularida-

des, e sim ao esquema mental ativado, do qual podemos 

razoavelmente pensar que se elabora a partir do com-

partilhamento de um mundo cultural dado (no maior 

nível da expressão). Assim, é alta a probabilidade de que 

uma mesma ação, cujo procedimento é considerado co-

mo altamente cultural (por exemplo: visitar alguém, ofe-

recer um presente), não desencadeie um 

script idêntico, 

ou até parecido, conforme se trate, por exemplo, de corea-

nos ou de brasileiros.

Essa observação é ainda interessante quando compa-

ramos a situação em que os escriptores estão redigindo 

cada um na sua língua materna (lembremos a compara-

ção que foi feita entre escriptores escrevendo em francês, 

alemão e inglês), com a situação em que os escriptores 

redigem em língua estrangeira, quando esta última está 

em curso de aquisição. Em várias ocasiões mostramos 

que, quando não de nível avançado, o aprendiz de língua 

estrangeira, ao escrever, adota estratégias diferentes, que 

são perceptíveis através da maneira de pontuar. Assim, 

por exemplo, no tocante à paragrafação em redações de 

alunos de francês em língua estrangeira, pela observação 

da qual foi possível estabelecer o grau de avanço dos es-

criptores no seu percurso de aquisição. Com efeito, par-

tindo da constatação de que os alunos recorrem de ma-

neira excessiva à paragrafação, foi possível mostrar que 

esse recorte textual se deve ao fato de que o aluno que 

escreve, em decorrência da insegurança propiciada pela 

“estrangeiridade” da língua, anula sua atividade de planifi-

Linguagem_Interacao_LP_V3_PNLD2018_361a414_MP_geral.indd   398

5/28/16   7:36 PM




MANUAL DO PROFESSOR

399


cação (ou, no melhor dos casos, a reduz), de tal modo que 

avança passo a passo. Essa modalidade de avanço torna-

-se tangível a partir do momento que se percebe uma fre-

quência alta de parágrafos, o que leva a uma superpontua-

ção, não sendo raro o parágrafo coincidir com uma frase 

só. De fato, o início de parágrafo é sentido pelo aluno co-

mo um novo início, uma nova partida: tudo acontece, 

portanto, como se não tivesse fôlego para tratar além da 

unidade paragráfica, que não raro se reduz à dimensão de 

frase. A superpontuação paragráfica acarreta um des-

membramento textual que não apenas pode chegar a difi-

cultar a leitura, como também pode pôr em risco a coe-

rência do texto. De fato, iniciar um novo parágrafo parece 

prescindir do uso de conectivos, encarregando-se o reco-

lhido da alínea desse papel: cabe ao leitor, então, preen-

cher o vazio semântico das articulações textuais.

Num outro estudo, pudemos analisar outra forma 

de mau uso da pontuação sequencial, dessa vez ligada à 

microplanificação. Esse mau uso diz respeito sobretudo 

à vírgula, que está inserida num segmento não segmen-

tável, como o sujeito e o verbo. Assim, no enunciado a 

seguir: “Depois, de muito trabalho, ele se dizia um self­

made man”, a vírgula que segue “Depois” parece aberran-

te. Note-se que esse tipo de vírgula se encontra também 

em redações em língua materna. Luft

9

 fornece vários 



exemplos extraídos de redações de vestibular, dos quais: 

“Mas, esta, não é suficiente”; “Porque, as respostas, não 

satisfazem”. Ora, esse tipo de ocorrência da vírgula, lon-

ge de retratar, no dizer de Luft, “a confusão mental” ou “a 

indisciplina do espírito”, constitui uma marca da ativida-

de cognitiva no decorrer da redação. 

[...] Na perspectiva normativa, estaríamos diante de 

erros de pontuação, se não levássemos em conta o crité-

rio cognitivo. Em certos casos como este, portanto, pare-

ce-me pertinente acrescentar ao critério interno à lín-

gua — sabendo que “o dialético padrão é apenas uma 

das variedades de uma língua” (Possenti, 1999: 77)

10

 — o 


critério de processo redacional, no intuito de entender 

(previamente à possível avaliação) o escrito não só como 

produto, mas também como produção. O fato de essa 

vírgula encontrar-se em escritos redigidos em língua 

materna ou em língua estrangeira deve-se a que as pau-

sas cognitivas, durante as quais ocorre a microplanifica-

ção, acontecem independentemente da língua emprega-

da. Em contrapartida, a frequência aumenta proporcio-

nalmente à insegurança perante essa atividade, pois es-

crever requer um conjunto de tarefas a serem resolvidas. 

Essas resoluções de problemas acontecem, na maioria 

dos casos, no tempo intervalar que são as pausas cogni-

tivas (graficamente presentificadas pela / , /).

9

 luFT, C. P. A vírgula: considerações sobre o seu ensino e o seu emprego. 



São Paulo: ática, 1996.

10

 



PoSSeNTI, S. Por que (não) ensinar gramática na escola. Campinas: 

mercado de letras, 1999. 

Ora, é impossível enfrentar todas ao mesmo tempo. É 

por isso, aliás, que progredir na atividade redacional signi-

fica já ter automatizado várias tarefas. Estas dizem respei-

to às que podem de fato tornar-se automatizadas: trata-se 

sobremaneira das tarefas chamadas de baixo nível (sinta-

xe, regência, morfologia, vocabulário, ortografia). A auto-

matização alivia a memória de trabalho, de tal modo que 

quem escreve pode dedicar-se a tarefas de maior âmbito, 

inclusive consideradas mais complexas, na medida em 

que não podem ser aplicadas de maneira mecânica. E 

exatamente porque o aprendiz de língua estrangeira está 

no processo de aquisição e automatização das tarefas de 

baixo nível que seu rendimento, no nível textual, pode fi-

car aquém do nível quando redige em língua materna. 

DAHLET, Véronique. As (man)obras da pontuação: usos e significações. 

São Paulo: Humanitas, 2006. p. 280-290.

muitas vezes, confundem-se as noções de gênero, tipo-

logia e modo de organização do discurso. Como temos 

utilizado esses termos neste manual do Professor, decidimos 

acrescentar aqui alguns textos que procuram esclarecer es-

sas diferentes noções. extraídos do Dicionário de análise do 


Baixar 39.74 Mb.

Compartilhe com seus amigos:
1   ...   261   262   263   264   265   266   267   268   ...   273




©historiapt.info 2022
enviar mensagem

    Página principal