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Linguagem Interacao 3 MP 0019P18013 PNLD2018
texto: como construir um objeto de ensino, de autoria de 

Joaquim Dolz e Bernard Schneuwly, publicado originalmen-

te no ano de 1998 em francês na obra Pour un enseignement 

de lÕoral. Por essa razão, ao longo do texto os autores se 

referem ao ensino do francês como língua materna. Porém, 

acreditamos que o que é descrito no texto a propósito do 

francês vale como referência para a situação do ensino da 

língua portuguesa nas escolas brasileiras.

TExTO 2


A respeito do ensino do oral

Joaquim Dolz e Bernard Schneuwly

1. Oral e escrita: duas formas de realização da 

linguagem na interação

O desenvolvimento da expressão oral constitui um 

dos grandes objetivos do Ensino Fundamental. Entretanto 

[...], a leitura, a escrita, a gramática e a ortografia permane-

cem como as subdisciplinas privilegiadas na aula de fran-

cês. Se o oral encontra dificuldades para tomar seu lugar 

no ensino é também porque a distinção entre oral e escri-

ta traz consigo inúmeras confusões e parece de difícil 

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MANUAL DO PROFESSOR

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compreensão, se pensarmos além das diferenças superfi-

ciais diretamente ligadas ao modo de produção [...]

1.1. A relação entre oral e escrita em linguística

Em oposição à linguística histórica, que tinha, es-

sencialmente, uma visão retrospectiva e fundava seus 

estudos sobre os textos escritos, a linguística estrutural 

atribuía uma prioridade ao oral. Estudava-se primeira-

mente a cadeia da fala (e escuta) e, somente depois, estu-

dava-se a cadeia escrita e lida [...].

A confusão persiste ainda hoje, apresentando-se a 

língua escrita como um simples sistema substitutivo da 

língua oral (“natural”) ou a expressão escrita como uma 

simples transposição da expressão oral. Mas, como no-

tamos anteriormente e como analisa com pertinência 

Walter

1

, a escrita está longe de representar uma “réplica 



exata” do oral. A escrita, vista como sistema de notação 

da linguagem oral, adquire um caráter incompleto e ine-

xato. A transcrição do oral, que anota o fluxo do oral por 

meio de unidades descontínuas, coloca uma série de 

problemas para aqueles que têm de dar conta de aspec-

tos ligados às dimensões prosódicas; as convenções grá-

ficas impõem uma ordem num domínio cujos mecanis-

mos são complexos e ainda mal conhecidos

2

.

Uma vez que a escrita não pode ser considerada 



uma simples substituta do oral, será que então devemos 

considerar a língua e a escrita como dois sistemas dife-

rentes, irredutíveis? Para responder a esta questão, ten-

taremos esclarecer dois mal-entendidos.

O primeiro diz respeito aos registros ou às varia-

ções da língua. Com frequência, a linguagem falada é 

considerada pobre, comum, distensa, popular e mal es-

truturada, enquanto a língua escrita constitui o funda-

mento de toda a norma de correção do francês padrão. 

Essa simplificação ignora as múltiplas possibilidades de 

escrever numa variante “popular” ou “familiar” e de fa-

lar num registro cultivado ou acadêmico. As formas pa-

drão e não padrão manifestam-se tanto no oral quanto 

na escrita. [...]

O segundo mal-entendido se refere aos aspectos le-

vados em consideração para descrever o francês oral e 

para precisar uma eventual distinção que marcaria a dis-

tância entre o sistema do oral e da escrita.

1.2. As relações entre oral e escrita no ensino

No ensino, o oral também não está bem compreen-

dido como objeto autônomo de trabalho escolar, e, se-

guindo a concepção da linguística histórica, permanece 

bastante dependente da escrita. Como mostra a pesqui-

sa sobre as práticas dos professores realizada por Di 

Pietro e Wirthner

3

, ele permanece incompreendido, 



 

1

 WAlTer, Henriette. Le Français dans tous les sens. Paris: laffon, 1988.



2

 

BlANCHe-BeNVeNISTe, Claire et al. Le Français parlé. Paris: CNrS-Inalf, 



Didier Érudition, 1997.

3

 DI PIeTro, J. F.; WIrTHNer, m. Oral et écrit dans des représentations des 




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