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Palavras jogadas fora

Quando criança, convivia no interior de São 

Paulo com o curioso verbo pinchar e ainda o ouço 

por lá esporadicamente. O sentido da palavra 

é o de “jogar fora” (pincha fora essa porcaria) ou 

“mandar embora” (pincha esse fulano daqui). Te-

ria sido uma das muitas palavras que ouvi menos 

na capital do estado e, por conseguinte, deixei de 

usar. Quando indago às pessoas se conhecem esse 

verbo, comumente escuto respostas como “minha 

avó fala isso”. Aparentemente, para muitos falan-

tes, esse verbo é algo do passado, que deixará de 

existir tão logo essa geração antiga morrer.

As palavras são, em sua grande maioria, resul-

tados de uma tradição: elas já estavam lá antes de 

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QUESTÕES DO ENEM

nascermos. “Tradição”, etimologicamente, é o ato 

de entregar, de passar adiante, de transmitir (so-

bretudo valores culturais). O rompimento da tradi-

ção de uma palavra equivale à sua extinção. A gra-

mática normativa muitas vezes colabora criando 

preconceitos, mas o fator mais forte que motiva 

os falantes a extinguirem uma palavra é associar 

a palavra, influenciados direta ou indiretamente 

pela visão normativa, a um grupo que julga não 

ser o seu. O pinchar, associado ao ambiente rural

onde há pouca escolaridade e refinamento citadi-

no, está fadado à extinção?

É louvável que nos preocupemos com a extin-

ção de ararinhas-azuis ou dos micos-leão-doura-

dos, mas a extinção de uma palavra não promove 

nenhuma comoção, como não nos comovemos 

com a extinção de insetos, a não ser dos extraor-

dinariamente belos. Pelo contrário, muitas vezes a 

extinção das palavras é incentivada.

VIARO, M. E. Língua Portuguesa, n. 77,  

mar. 2012 (adaptado).

A discussão empreendida sobre o (des)uso do ver-

bo pinchar nos traz uma reflexão sobre a linguagem 

e seus usos, a partir da qual compreende-se que

a) 

as palavras esquecidas pelos falantes devem 



ser descartadas dos dicionários, conforme su-

gere o título.

b) 

o cuidado com espécies animais em extinção é 



mais urgente do que a preservação de palavras.  

c) 


o abandono de determinados vocábulos está 

associado a preconceitos socioculturais.

d) 

as gerações têm a tradição de perpetuar o in-



ventário de uma língua.

e) 


o mundo contemporâneo exige a inovação do 

vocabulário das línguas.

16

TEXTO I


O meu nome é Severino,

não tenho outro de pia.

Como há muitos Severinos,

que é santo de romaria,

deram então de me chamar

Severino de Maria;

X

como há muitos Severinos



com mães chamadas Maria,

fiquei sendo o da Maria

do finado Zacarias,

mas isso ainda diz pouco:

há muitos na freguesia,

por causa de um coronel

que se chamou Zacarias

e que foi o mais antigo

senhor desta sesmaria.

Como então dizer quem fala

ora a Vossas Senhorias?

MELO NETO, J. C. Obra completa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1994 

(fragmento).

TEXTO II


João Cabral, que já emprestara sua voz ao rio, 

transfere-a, aqui, ao retirante Severino, que, como 

o Capibaribe, também segue no caminho do Recife.

A autoapresentação do personagem, na fala 

inicial do texto, nos mostra um Severino que, 

quanto mais se define, menos se individualiza, 

pois seus traços biográficos são sempre partilha-

dos por outros homens.

SECCHIN, A. C. João Cabral: a poesia do menos. Rio de Janeiro: 

Topbooks, 1999 (fragmento).

Com base no trecho de Morte e Vida Severina (tex-

to I) e na análise crítica (texto II), observa-se que a 

relação entre o texto poético e o contexto social a 

que ele faz referência aponta para um problema so-

cial expresso literariamente pela pergunta “Como 

então dizer quem fala / ora a Vossas Senhorias?” A 

resposta expressa no poema é dada por meio da

a) 


descrição minuciosa dos traços biográficos do 

personagem-narrador.

b) 

construção da figura do retirante nordestino 



como um homem resignado com a sua situação.

c) 


representação, na figura do personagem-narra-

dor, de outros Severinos que compartilham sua 

condição. 

d) 


apresentação do personagem-narrador como 

uma projeção do próprio poeta, em sua crise 

existencial.

e) 


descrição de Severino, que, apesar de humilde, 

orgulha-se de ser descendente do coronel Za-

carias.

X

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QUESTÕES DO ENEM

17

Cultivar um estilo de vida saudável é extrema-



mente importante para diminuir o risco de infarto, 

mas também de problemas como morte súbita e 

derrame. Significa que manter uma alimentação 

saudável e praticar atividade física regularmente já 

reduz, por si só, as chances de desenvolver vários 

problemas. Além disso, é importante para o con-

trole da pressão arterial, dos níveis de colesterol 

e de glicose no sangue. Também ajuda a diminuir 

o estresse e aumentar a capacidade física, fatores 

que, somados, reduzem as chances de infarto.

Exercitar-se, nesses casos, com acompanha-

mento médico e moderação, é altamente reco-

mendável.

ATALIA, M. Nossa vida. Época, 23 mar. 2009.

As ideias veiculadas no texto se organizam estabe-

lecendo relações que atuam na construção do sen-

tido. A esse respeito, identifica-se 

a) 


a expressão Além disso marca uma sequencia-

ção de ideias.

b) 

o conectivo mas também inicia oração que ex-



prime ideia de contraste. 

c) 


o termo como, em como morte súbita e derra-

me, introduz uma generalização.

d) 


o termo Também exprime uma justificativa.

e) 


o termo fatores retoma coesivamente “níveis 

de colesterol e de glicose no sangue”.

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Reclame

Se o mundo não vai bem

a seus olhos, use lentes

... ou transforme o mundo

ótica olho vivo

agradece a preferência

CHACAL et al. Poesia marginal. São Paulo: Ática, 2006. 

Chacal é um dos representantes da geração poé-

tica de 1970. A produção literária dessa geração, 

considerada marginal e engajada, de que é repre-

sentativo o poema apresentado, valoriza 

a) 


o experimentalismo em versos curtos e tom 

jocoso. 


b) 

a sociedade de consumo, com o uso da lingua-

gem publicitária. 

X

X



c) 

a construção do poema, em detrimento do 

conteúdo. 

d) 


a experimentação formal dos neossimbolistas. 

e) 


o uso de versos curtos e uniformes quanto à 

métrica.


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