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Linguagem Interacao 3 MP 0019P18013 PNLD2018
Aquarela

O corpo no cavalete

é um pássaro que agoniza

exausto do próprio grito.

As vísceras vasculhadas

principiam a contagem

regressiva.

No assoalho o sangue

se decompõe em matizes

que a brisa beija e balança:

o verde – de nossas matas

o amarelo – de nosso ouro

o azul – de nosso céu

o branco o negro o negro

CACASO. In: HOLLANDA, H. B. (Org.). 26 poetas hoje.  

Rio de Janeiro: Aeroplano, 2007.

Situado na vigência do Regime Militar que gover-

nou o Brasil, na década de 1970, o poema de Ca-

caso edifica uma forma de resistência e protesto a 

esse período, metaforizando

a) 


as artes plásticas, deturpadas pela repressão e 

censura.


b) 

a natureza brasileira, agonizante como um pás-

saro enjaulado.

c) 


o nacionalismo romântico, silenciado pela per-

plexidade com a Ditadura.

d) 

o emblema nacional, transfigurado pelas mar-



cas do medo e da violência.

X

e) 



as riquezas da terra, espoliadas durante o apa-

relhamento do poder armado.

9

Tudo era harmonioso, sólido, verdadeiro. No 



princípio. As mulheres, principalmente as mortas 

do álbum, eram maravilhosas. Os homens, mais 

maravilhosos ainda, ah, difícil encontrar família 

mais perfeita. A nossa família, dizia a bela voz de 

contralto da minha avó. Na nossa família, frisava, 

lançando em redor olhares complacentes, lamen-

tando os que não faziam parte do nosso clã. [...]

Quando Margarida resolveu contar os podres 

todos que sabia naquela noite negra da rebelião, 

fiquei furiosa. [...]

É mentira, é mentira!, gritei tapando os ouvi-

dos. Mas Margarida seguia em frente: tio Maximi-

liano se casou com a inglesa de cachos só por causa 

do dinheiro, não passava de um pilantra, a loirinha 

feiosa era riquíssima. Tia Consuelo? Ora, tia Con-

suelo chorava porque sentia falta de homem, ela 

queria homem e não Deus, ou o convento ou o sa-

natório. O dote era tão bom que o convento abriu- 

-lhe as portas com loucura e tudo. “E tem mais coi-

sas ainda, minha queridinha”, anunciou Margarida 

fazendo um agrado no meu queixo. Reagi com vio-

lência: uma agregada, uma cria e, ainda por cima

mestiça. Como ousava desmoralizar meus heróis?

TELLES, L. F. A estrutura da bolha de sab‹o. Rio de Janeiro: Rocco, 1999.

Representante da ficção contemporânea, a prosa 

de Lygia Fagundes Telles configura e desconstrói 

modelos sociais. No trecho, a percepção do núcleo 

familiar descortina um(a)

a) 

convivência frágil ligando pessoas financeira-



mente dependentes.

b) 


tensa hierarquia familiar equilibrada graças à 

presença da matriarca.

c) 

pacto de atitudes e valores mantidos à custa de 



ocultações e hipocrisias.

X

d) 



tradicional conflito de gerações protagonizado 

pela narradora e seus tios.

e) 

velada discriminação racial refletida na procura 



de casamentos com europeus.

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