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microconto

O miniconto e o microconto são narrativas em que se tenta, com o mínimo 

de recursos, contar ou sugerir, com muita expressividade, uma história. Pelo ta-

manho, deve causar impacto sobre o leitor. Esse tipo de narrativa, especialmente 

o microconto, exige do leitor o desvendamento da história, que deve ter começo, 

meio e fim, mas que é quase sempre subentendida. 

A seguir, leia um microconto extraído dessa coletânea organizada por Mar-

celino Freire.

O mais famoso microconto do mundo, de autoria do guatemalteco Augusto 

Monterroso, é o reproduzido a seguir.

Além do suporte de papel, os contos curtíssimos têm na internet um poderoso 

meio de veiculação. Blogs, redes sociais e o Twitter têm veiculado micronarrativas 

de gente famosa e de autores desconhecidos. 

II.  Literatura africana em língua 

portuguesa: tendências 

Ao longo dos volumes desta coleção, foram apresentados, de diferentes 

formas, os principais autores da literatura brasileira. Estudaram-se também 

alguns escritores portugueses que, por razões especiais, influenciaram decisiva 

e profundamente a literatura brasileira. 

TEXTO 20


Adriana Falcão

Ali, deitada, divagou: 

se fosse eu, 

teria escolhido lírios. 

FREIRE, Marcelino (Org.). Os cem menores contos brasileiros do século

São Paulo: Ateliê Editorial, 2008.

Mauricio Pier

ro/Arqui


vo da editora

Mauricio Pierro/Arquivo da editora

TEXTO 21

Augusto Monterroso

Quando acordou, o dinossauro ainda estava lá.

FREIRE, Marcelino (Org.). Os cem menores contos brasileiros do século

São Paulo: Ateliê Editorial, 2008

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UNIDADE 4  MUNDO DO TRABALHO (II)

Mas a literatura em língua portuguesa não se restringe a autores brasileiros e 

portugueses. Sobretudo a partir do século XX, nos países africanos que também 

foram colonizados por Portugal, como Angola, Moçambique e Guiné-Bissau, 

tem-se desenvolvido uma produção literária muito rica e variada. Neste capítulo, 

apresentamos a você alguns dos autores de língua portuguesa de maior destaque 

dessas literaturas africanas. 

Uma literatura engajada

A literatura, conforme você sabe, não se preocupa em mobilizar apenas o sen-

timento do leitor, mas também sua consciência. Por isso, muitas vezes trata de 

questões políticas e ideológicas. Quando esse objetivo predomina numa produção 

literária, estamos no terreno da literatura engajada, que, grosso modo, procura 

denunciar aspectos problemáticos da realidade em que vive o escritor, de forma a 

contribuir para que se produzam certas mudanças na sociedade da qual ele faz parte.

Na literatura africana em língua portuguesa, predomina esse engajamento, que 

se centra nas lutas pela libertação dos territórios colonizados pelos portugueses. 

Como se sabe, diversos países do continente africano foram ocupados pelos 

portugueses desde o século XV: Angola, Moçambique, Guiné-Bissau, ilhas de São 

Tomé e Príncipe, o arquipélago de Cabo Verde. O processo de libertação desses 

países só se concluiu em 1974. 

Muitos escritores africanos do século XX participaram ativamente na luta 

pela libertação desses povos. Agostinho Neto, por exemplo, fundou o clandestino 

Movimento Anticolonialista (MAC). O Frelimo (Frente de Libertação de Moçam-

bique) contou com a participação de vários escritores. 

A seguir, propomos a leitura de dois poemas em que fica claro esse engajamen-

to dos escritores nas lutas pela libertação do continente africano: um de Vasco 

Cabral (escritor de Guiné-Bissau, 1926-2005) e outro de José Craveirinha (natural 

de Moçambique, 1922-2003). 

 Insista no fato de a África 

ser um continente. Muitos alu-

nos imaginam a África como 

um país.

Bandeira da Comunidade 

dos Países de Língua 

Portuguesa (CPLP). O 

grupo, formado pelos 

países lusófonos Angola, 

Brasil, Cabo Verde,  

Guiné-Bissau, Guiné 

Equatorial, Moçambique, 

Portugal, São Tomé e 

Príncipe e Timor-Leste, 

visa firmar uma relação 

de amizade e cooperação 

entre os países-membros, 

baseando-se no 

princípio de que a língua 

portuguesa constitui um 

vínculo histórico e um 

patrimônio comum entre 

esses povos.

África! Ergue-te e caminha

Vasco Cabral 

Mãe África!

Vexada


Pisada

Calcada até às lágrimas!

Confia e luta

E um dia a África será nossa!

[...]

CABRAL, Vasco. África! Ergue-te e caminha. Disponível em:  



.  

Acesso em: abr. 2016.

TEXTO 22

R

eprodução/

tp://guinela.blogs.sapo.pt/>

Natalivector/Shutterstock

O escritor Vasco Cabral [s.d.].

5

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CAPÍTULO 8  DISSERTAÇÃO EM PROSA

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1

  Explique a diferença de sentido entre a primeira ocorrência do substantivo 



África (no título do poema) e a última ocorrência (no último verso).

2

  Esse poema foi escrito em 1955. Quando o escreveu, em que leitor provavel-



mente o poeta pensou?

3

  Por que Vasco Cabral utilizou o modo imperativo quatro vezes em um trecho 



tão curto do poema como esse?

1.   Espera-se que os alu-

nos concluam que no título o 

poeta conclama os africanos 

— o substantivo África é uma 

metonímia (o continente pelo 

conteúdo). No último verso, 

o substantivo África refere-se 

ao próprio continente, está 

empregado em sentido deno-

tativo. 


Provavelmente no leitor africano, seu compatriota. 

TEXTO 23


Grito negro

José Craveirinha 

Eu sou carvão!

E tu arrancas-me brutalmente do chão

e fazes-me tua mina, patrão.

Eu sou carvão!

E tu acendes-me, patrão,

para te servir eternamente como força motriz 

mas eternamente não, patrão.

Eu sou carvão

e tenho que arder sim;

queimar tudo com a força da minha combustão. 

Eu sou carvão;

tenho que arder na exploração 

arder até às cinzas da maldição 

arder vivo como alcatrão, meu irmão, 

até não ser mais a tua mina, patrão. 

Eu sou carvão.

Tenho que arder

Queimar tudo com o fogo da minha combustão.

Sim!

Eu sou o teu carvão, patrão.



CRAVEIRINHA, José. Grito negro.  

Disponível em:

negro.html>. Acesso em: abr. 2016.

 O poema reflete a aquisição da consciência do negro (“Eu sou carvão!”) como força de trabalho barata para o colonizador (o branco). Sendo negro, 

é carvão; sendo carvão, se queimado, produz força de trabalho, mas se transforma em cinza. Porém, o fato de ser carvão (negro), motivo de sua 

submissão ao colonizador, também traz, latente, a possibilidade de destruir o sistema que o explora e, consequentemente, o patrão (ideia dos cinco 

últimos versos).

5

10



15

20

Panorama da literatura africana



A literatura africana expressa-se em mais de um idioma. A 

que nos interessa é a literatura africana em língua portuguesa. 

Trata-se de uma visão de mundo concretizada por meio da 

mesma língua que se fala em Portugal e no Brasil e, por isso, 

tem forte relação com nosso patrimônio cultural.

Divulgada no Brasil de forma mais sistemática apenas 

nas duas últimas décadas, a literatura africana é uma fonte 

bastante consistente de conhecimento a respeito de algumas 

nações africanas, assim como de nossas raízes culturais e da 

notável interação das duas culturas: muitos autores brasilei-

ros influenciaram autores africanos.

Neste breve estudo, consideraremos apenas a literatura 

escrita, mas não se deve esquecer a literatura oral que circula 

nas nações africanas, literatura rica em contos, fábulas, mitos, 

lendas, entre outros gêneros. 

Bruno Morandi/R

ober

t Harding/Latinstoc



k

Numa cultura marcada pela força do oral como é a africana, os 



griots 

exercem papel fundamental na conservação da palavra, da narração, 

do mito. São os guardiões, intérpretes e cantores da história oral de 

muitos povos africanos, e costumam ser acompanhados por instrumentos 

musicais, como a 


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