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CAPêTULO 6  CARTA PESSOAL

TEXTO 9

A rosa de Hiroxima

Vinícius de Morais

Pensem nas crianças

Mudas telepáticas

Pensem nas meninas

Cegas inexatas

Pensem nas mulheres

Rotas alteradas

Pensem nas feridas

Como rosas cálidas

Mas oh não se esqueçam

Da rosa da rosa

Da rosa de Hiroxima

A rosa hereditária

A rosa radioativa

Estúpida e inválida

A rosa com cirrose

A antirrosa atômica

Sem cor sem perfume

Sem rosa sem nada

MORAIS, Vinícius de. Poesia completa & prosa. Rio de Janeiro: Aguilar, 1987. p. 265-266.

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Ao longo de sua trajetória poética, Vinícius de Morais foi se aproximando 

cada vez mais de uma linguagem acessível e popular. Em razão de sua inclinação 

musical, o poeta acaba por filiar-se à melhor tradição popular de nossa música: 

num primeiro momento, a bossa nova com letras intimistas e de “fossa”; num 

segundo, os afro-sambas, em parceria com Baden Powell. Por fim, várias parcerias 

e inúmeros temas fizeram parte dessa trajetória.

Cecília Meireles

Ao lado de Drummond e de Vinícius de Morais, nesta segunda fase moder-

nista destaca-se uma das mais significativas poetas brasileiras: Cecília Meireles. 

Estava consolidada a carreira literária da escritora quando ela resolveu enfren-

tar um desafio nada fácil: pesquisar documentos sobre a Inconfidência Mineira e 

escrever um longo poema sobre esse fato de nossa história. 

Dessa pesquisa resultou poesia social da melhor qualidade: Romanceiro da 

Inconfidência. O romanceiro é um conjunto de romances (nome que se dá também 

a uma narrativa rimada). No caso da obra de Cecília Meireles, são 85 romances 

que tematizam personagens e fatos da Inconfidência Mineira. Leia, a seguir, um 

trecho do romance XXXVIII. 

 Embora tenhamos seguido 

os procedimentos necessá-

rios para licenciar os textos 

de autoria de Cecília Meireles, 

cuja importância na literatura 

brasileira reconhecemos, não 

foi possível obter o devido li-

cenciamento para reprodução 

dos textos dessa escritora. Daí 

termos trabalhado nesta parte 

apenas com um fragmento do 

Romanceiro da Inconfidência. 

Nas Orientações Específicas 

do Manual do Professor, você 

encontra algumas sugestões 

de trabalho com poemas de 

Cecília Meireles. 

Monumento das Crianças à 

Paz, erguido em 1958, no 

Parque da Paz, em Hiroxima, 

no Japão.

 Comente o significado do convi-

te à reflexão produzido pela forma 

verbal  pensem. Utilizando esse 

recurso, o eu lírico não concentra 

em uma pessoa ou país a tragédia 

de Hiroxima, mas envolve toda 

a humanidade, que colocou em 

risco sua própria sobrevivência. 

Mostre que o poema é composto 

de metáforas e comparações bas-

tante fortes.

A rosa de Hiroxima exemplifica um eu lírico transtornado dian-

te do impacto da bomba atômica. Propomos reflexões a esse res-

peito: escolha a perspectiva que mais interessa a você e reúna-se 

com colegas que também escolheram esse ponto de vista. Pes-

quisem esse assunto e preparem-se para fazer uma exposição oral 

para a turma sobre as descobertas e conclusões.

 Este assunto pode ser desenvolvido de forma interdisciplinar. Veja nas Orientações Específicas 

do Manual do Professor as relações interdisciplinares sugeridas. 

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UNIDADE 3  MUNDO DO TRABALHO (I)

TEXTO 10 

Romance XXXVIII  

ou do 

Embuçado


Cecília Meireles

Homem ou mulher? Quem soube?

Tinha o chapéu desabado.

A capa embrulhava-o todo:

era o Embuçado.

Fidalgo? Escravo? Quem era?

De quem trazia o recado?

Foi no quintal? Foi no muro?

Mas de que lado?

Passou por aquela ponte?

Entrou naquele sobrado?

Vinha de perto ou de longe?

Era o Embuçado.

Trazia chaves pendentes?

Bateu com o punho apressado?

Viu a dona com o menino?

Ficou calado?

A casa não era aquela?

Notou que estava enganado?

Ficou chorando o menino?

Era o Embuçado.

“Fugi, fugi, que vem tropa,

que sereis preso e enforcado...”

Isso foi tudo o que disse

o mascarado?

Subiu por aquele morro?

Entrou naquele 

valado

?

Desapareceu na fonte?



Era o Embuçado.

Homem ou mulher? Quem soube?

Veio por si? Foi mandado?

A que horas foi? De que noite?

Visto ou sonhado?

Era a morte, que corria?

Era o Amor, com seu cuidado?

Era o Amigo? Era o Inimigo?

Era o Embuçado.

MEIRELES, Cecília. Romanceiro da Inconfidência. Rio de Janeiro: 

Civilização Brasileira, 1977. p. 102-103.


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