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cenho  fechado  e faca em punho. Era um tipo  indiático



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cenho

 fechado 

e faca em punho. Era um tipo 

indiático

, de grossas 

sobrancelhas negras e 

zigomas

 salientes.

— Vamos, companheiro — insistiu Rodrigo. — 

Um homem não briga 



debalde

. Eu não quis ofender 

ninguém. Foi uma maneira de falar...

[…]


VERÍSSIMO, Érico. Um certo capitão Rodrigo. 3. ed. São Paulo: Companhia 

das Letras, 2005. p. 7-8.

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adaga:

 arma antiga, mais larga e maior que o punhal.

barbicacho:

 cordão entrelaçado que segura o chapéu 

por baixo do queixo.

cenho:

 rosto carrancudo.



cinamomo:

 planta ornamental de flores pequenas e 

aromáticas.

chilenas:

 esporas grandes.



debalde:

 inutilmente, em vão.



dólmã:

 túnica militar justa.



indiático:

 pessoa que apresenta características físicas 

semelhantes ao indígena brasileiro.

prancha:

 grande tábua grossa e larga.



rebenque:

 pequeno chicote de couro.



soslaio:

 viés, través, esguelha.



zigoma:

 osso da maçã do rosto.

Di

vulg


ação/Arqui

v

o da editora



R

eprodução/Ed. Companhia das L

etras

À esquerda, capa do DVD Um certo capitão Rodrigo



filme de Anselmo Duarte, 1971, baseado no romance 

homônimo de Érico Veríssimo, capa à direita.

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UNIDADE 3  MUNDO DO TRABALHO (I)

Jorge Amado

A obra de Jorge Amado, que integra o quadro dos escritores regionalistas da 

segunda fase do Modernismo, é uma das mais populares do Brasil. Um de seus 

romances mais conhecidos, Gabriela, cravo e canela, é de 1958 e tem como cenário 

a região de Ilhéus, na Bahia. Nessa história, disputas políticas, especialmente entre 

os coronéis conservadores e o exportador Mundinho Falcão, correm paralelamen-

te à história de amor de Nacib e Gabriela. Nas entrelinhas, o autor critica o falso 

moralismo vigente. O trecho transcrito mostra a fase em que Gabriela abandona 

o Sertão para viver na cidade.

TEXTO 4 


Gabriela, cravo e canela

Jorge Amado

[...]

Só Gabriela parecia não sentir a caminhada, seus 



pés como que deslizando pela picada muitas vezes 

aberta na hora a golpes de facão, na mata virgem.

Como se não existissem as pedras, os tocos, os 

cipós emaranhados. A poeira dos caminhos da caa-

tinga a cobrira tão por completo que era impossível 

distinguir seus traços. Nos cabelos já não penetrava 

o pedaço de pente, tanto pó se acumulara. Parecia 

uma demente perdida nos caminhos. Mas Clemente 

sabia como ela era deveras e o sabia em cada partí-

cula de seu ser, na ponta dos dedos e na pele do peito. 

Quando os dois grupos se encontraram, no começo 

da viagem, a cor do rosto de Gabriela e de suas per-

nas era ainda visível e os cabelos rolavam sobre o 

cangote, espalhando perfume. Ainda agora, através 

da sujeira a envolvê-la, ele a enxergava como a vira 

no primeiro dia, encostada, numa árvore, o corpo 

esguio, o rosto sorridente, mordendo uma goiaba.

— Tu parece que nem veio de longe...

Ela riu:

— A gente tá chegando. Tá pertinho. Tão bom 

chegar.

Ele fechou ainda mais o rosto sombrio:

— Num acho não.

— E por que tu não acha? — levantou para o rosto 

severo do homem seus olhos, ora tímidos e cândi-

dos, ora insolentes e provocadores.

— Tu não saiu para vir trabalhar no cacau, ganhar 

dinheiro? Tu não fala noutra coisa.

— Tu sabe por quê — resmungou ele com raiva. 

— Pra mim esse caminho podia durar a vida toda. 

Num me importava...

No riso dela havia certa mágoa, não chegava a 

ser tristeza, como se estivesse conformada com o 

destino:


— Tudo que é bom, tudo que é ruim, também 

termina por acabar.

Uma raiva subia dentro dele, impotente. Mais 

uma vez, controlando a voz, repetiu a pergunta que 

lhe vinha fazendo pelo caminho e nas noites insones:

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Cena de Gabriela, 

cravo e canela, filme 

de Bruno Barreto, 

1983, baseado na 

obra homônima de 

Jorge Amado. No 

centro da foto, a atriz 

Sônia Braga no papel 

da protagonista.

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CAPÍTULO 6  CARTA PESSOAL

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  No segundo parágrafo, há duas Gabrielas: a vista pelo narrador e a vista por 



Clemente. No caderno, caracterize cada uma. 

11

  “Só Gabriela parecia não sentir a caminhada [...]” (linha 1) Que expectativa da 



moça estimula sua resistência?

12

  Os olhos de Gabriela revelam algumas de suas características psicológicas. 



Identifique essas características e registre-as em seu caderno usando apenas 

substantivos abstratos.

13

  Que expressões do texto indicam a sensualidade de Gabriela?



14

  Uma das conquistas do Modernismo foi a incorporação da linguagem colo-

quial à literatura. O texto lido pode exemplificar essa característica? Justifique 

em seu caderno com elementos do texto.

Jorge Amado

 (1912-2001) nasceu em Itabuna, na Bahia. Fez seus estu-

dos em Ilhéus e Salvador. Formou-se em Direito e exerceu o jornalismo. 

Tinha apenas 19 anos quando lançou o romance O país do Carnaval

O romance seguinte, Cacau, foi apreendido pela polícia. Esgotou em 

quarenta dias a edição de 2 mil exemplares: a proibição de venda — por 

ser considerado subversivo — decretada pela polícia carioca, ajudou o 

sucesso de público. Amado esteve preso entre 1936 e 1937 devido à sua 

exposição ao Estado Novo. Libertado, exilou-se na Argentina e depois 

no Uruguai. De volta ao Brasil, foi eleito deputado 

federal pelo estado de São Paulo em 1945, mas seu 

mandato político foi cassado em 1948. Deixou novamente 

o país, dessa vez rumo à Europa. Já bastante conhecido, graças à tradução de 

suas obras para diversas línguas, retornou ao Brasil em 1952.

É extensa a lista de obras de Jorge Amado. As mais conhecidas são O país 

do Carnaval (1931), Mar morto (1936), Capitães da areia (1937),  Terras do 

sem-fim (1943), Gabriela, cravo e canela (1958), Dona Flor e seus dois maridos 

(1966) e Tieta do agreste (1977).

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10.   Espera-se que os alu-

nos percebam que a Gabrie-

la descrita pelo narrador é a 

“real”, naquele momento, e 

a de Clemente, uma Gabriela 

“idealizada”. A primeira, cober-

ta pela poeira, parecia “uma 

demente”, naquele momento; 

a segunda é a que está na 

lembrança de Clemente — a 

Gabriela que ele viu no primei-

ro encontro. 

A de chegar logo à cidade, o que encerraria sua vida no campo (no mato, como ela diz). 

Sugestões de resposta: candura, timidez, insolência, provocação. 

 Comente com os alunos que coexistem características antagônicas (timidez e insolência).

13.  “[...] os cabelos rolavam 

sobre o cangote, espalhando 

perfume”; “[...] o corpo esguio 

[...]”; “[...] olhos provocadores 

[...]”; “A voz de Gabriela era 

cariciosa [...]”; “[...] esguia e 

formosa, a cabeleira solta [...] 

as pernas altas e o busto le-

vantado.”

Sim. É usada a segunda pessoa — tu — com verbo de 3

a

 pessoa: tu parece, tu não acha?; são empregadas 



formas como tá, num, pras.

— Tu não quer mesmo ir comigo pras matas? 

Botar uma roça, plantar cacau junto nós dois? Com 

pouco tempo a gente vai ter um roçado seu, come-

çar a vida.

A voz de Gabriela era cariciosa, mas definitiva:

— Já te disse minha tenção. Vou ficar na cidade, 

não quero mais viver no mato.

Vou me contratar de cozinheira, de lavadeira ou 

pra arrumar casa dos outros...

Acrescentou numa lembrança alegre:

— Já andei de empregada em casa de gente rica, 

aprendi cozinhar.

— Aí tu não vai progredir. Na roça, comigo, a gen-

te ia fazendo seu pé-de-meia, ia tirando pra frente...

Ela não respondeu. Ia pelo caminho quase sal-

titante. Parecia uma demente com aquele cabelo 

desmazelado, envolta em sujeira, os pés feridos, 

trapos rotos sobre o corpo. Mas Clemente a via 

esguia e formosa, a cabeleira solta e o rosto fino, 

as pernas altas e o busto levantado. Fechou ain-

da mais o rosto, queria tê-la com ele para sempre. 

Como viver sem o calor de Gabriela?

[...]


AMADO, Jorge. Gabriela, cravo e canela

São Paulo: Companhia das Letras, 2008.

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UNIDADE 3  MUNDO DO TRABALHO (I)

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José

Carlos Drummond de Andrade

E agora, José?

A festa acabou,

a luz apagou,

o povo sumiu,

a noite esfriou,

e agora, José?

e agora, você?

você que é sem nome,

que zomba dos outros,

você que faz versos,

que ama, protesta?

e agora, José?

Está sem mulher,

está sem discurso,

está sem carinho,

já não pode beber,

já não pode fumar,

cuspir já não pode,

a noite esfriou,

o dia não veio,

o bonde não veio,

o riso não veio,

não veio a 

utopia

e tudo acabou

e tudo fugiu

e tudo mofou,

e agora, José?

E agora, José?

Sua doce palavra,

seu instante de febre,

sua gula e jejum,

sua biblioteca,

sua 

lavra

 de ouro,

seu terno de vidro,

sua incoerência,

seu ódio — e agora?

Com a chave na mão

quer abrir a porta,

não existe porta;

quer morrer no mar,

mas o mar secou;

quer ir para Minas,

Minas não há mais.

José, e agora?

Se você gritasse,

se você gemesse,

se você tocasse

a valsa vienense,

se você dormisse,

se você cansasse,

se você morresse...

Mas você não morre,

você é duro, José!

Sozinho no escuro

qual bicho do mato,

sem 

teogonia

,

sem parede nua



para se encostar,

sem cavalo preto

que fuja a galope,

você marcha, José!

José, para onde?

Segunda fase do  

Modernismo brasileiro Ð poesia

Carlos Drummond de Andrade




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