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ligações perigosas, escrito por Chor-

delos de Laclos (1741-1803) — é cons-

tituído apenas da correspondência 

trocada por um grupo de aristocratas. 

O romance constituído apenas de car-

tas é chamado de romance epistolar.

São raros os casos em que toda 

a obra se constitui apenas de cartas, 

mas não são raros os casos em que o 

autor utiliza a carta como um recurso fundamental no enredo. 

No romance português Amor de perdição, de Camilo Castelo Branco, 

publicado no século XIX, a principal personagem feminina está reclusa 

num convento, por ordem dos pais, para evitar que ela case com seu ama-

do. Eles só se comunicam por cartas, que chegam às mãos de Teresa por 

meio de uma mendiga que finge pedir esmolas no convento. 

A carta é um recurso que proporciona maior realismo à narrativa ficcio-

nal, pois apresenta ao leitor “fatos” narrados em primeira pessoa, o que 

os tornam mais verossímeis.

Cena de Ligações 

perigosas, de Stephen 

Frears, 1988, inspirado 

no livro de Chordelos de 

Laclos. 


Érico Veríssimo

 (1905-1975) nasceu em Cruz 

Alta, no Rio Grande do Sul. Em 1932 publi-

cou sua primeira obra, Fantoches, um livro 

de contos. No ano seguinte, conquistou 

seu primeiro sucesso com o romance Claris-



sa. Permaneceu algum tempo nos Estados 

Unidos, onde ensinou Literatura Brasileira 

e, mais tarde, exerceu o cargo de diretor do 

Departamento de Assuntos Culturais da União 

Pan-Americana. Dessas viagens e permanências 

nos Estados Unidos resultaram dois livros: Gato 



preto em campo de neve e A volta do gato preto. Pouco antes de falacer, 

em Porto Alegre, Érico Veríssimo era um dos escritores mais populares do país.

Uma esquematização didática de sua obra permite assim organizá-la: Romances urbanos 

—  Clarissa,  Olhai os lírios do campo,  O resto é silêncio e Caminhos cruzados; romances 

históricos — a trilogia O tempo e o vento, composta dos romances O continente (1949), 

O retrato (1951) e O arquipélago (1961), nos quais o autor constrói um painel histórico do 

Rio Grande do Sul no período compreendido entre 1745 e 1945; romances políticos — 



senhor embaixador (1965), O prisioneiro (1967) e Incidente em Antares (1971).

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UNIDADE 3  MUNDO DO TRABALHO (I)

1

 Identifique no texto 2 qual é a parte do enunciador da narrativa (narrador 



do romance) e qual é a do enunciador da carta (remetente). Responda no 

caderno.


2

  O que é uma carta confidencial?

3

  Que aspectos — fora esse de ser confidencial — diferem a carta de Carrera da 



carta de Pri (texto 1)?

4

 Cartas pessoais revelam características de quem as escreve, evidente-



mente. Que características do temperamento de Juventino a carta lida 

mostra?


5

  Releia este trecho da carta: 

Sinto uma certa inquietação não só na Universidade, entre professores e 

estudantes, como também nas ruas e 



atŽ nas camadas mais altas da nossa 

sociedade. 

(texto 2, linhas 19-21)

Explique o efeito de sentido decorrente do uso do termo destacado nesse 

contexto.

6

 Na carta, quem é chamado de desleal por parte do ditador? O termo 



pode ter essa abrangência se utilizado num contexto que não seja o de 

uma ditadura?

7

  Releia este trecho:



[...] e trata de desencavar esse empréstimo, que é vital para nossa terra

(texto 2, linhas 101-103). 

Comente suas impressões sobre a veracidade dessa afirmativa do ditador.

8

 Releia:



O melhor será depois queimar estas páginas. Sempre tive horror a coisas 

escritas. 

(texto 2, linhas 108-109)

Como você interpreta esse trecho?

9

 Apesar de utilizar as normas urbanas de prestígio, o enunciador incorpora 



ditados e expressões populares em seu texto. Identifique alguns desses casos 

e explique, no caderno, o sentido deles. 

Na região de Santa Fé, no sul do país, as famílias Amaral e Terra Cambará 

disputam o poder político. No trecho transcrito a seguir, que integra a primeira 

parte da trilogia O tempo e o vento, narra-se a chegada do capitão Rodrigo Cambará 

a Santa Fé, onde ele decidira fixar-se. 

O capitão Rodrigo é uma das personagens mais conhecidas da obra de Érico 

Veríssimo e transformou-se, mesmo que não fosse a intenção do autor, no sím-

bolo do homem gaúcho, com sua bravura, generosidade, pensamento libertário 

e certa fanfarronice. 

No trecho a seguir, observe a maneira como é narrada sua chegada. Que tipo 

de impressão essa passagem lhe causa da personagem do capitão?

O enunciador da narrativa é identificado nas três linhas iniciais que introduzem a carta no enredo do romance. 

Todo o resto é do enunciador da carta, o eu da personagem Carrera.

É uma carta que só poderá ser lida pelo seu destinatário, determinado pelo autor da carta.

A carta de Carrera é ficcional, pois serve ao andamento de um enredo do romance. A linguagem não é formal, 

porém não é pessoal e íntima como a carta de Pri enviada ao seu ex-professor.

4. O autoritarismo, a vaidade, 

a arbitrariedade de comporta-

mento (desrespeito às leis do 

país), a arrogância (missão ain-

da não cumprida), a prepotên-

cia (“não acho que nosso país 

esteja preparado para resistir 

às comoções de um pleito pre-

sidencial”), o comportamento 

manipulador, entre outras.

Além do sentido inclusivo, o advérbio enfatiza a surpresa do enunciador em relação à classe dominante, 

supostamente solidária com suas arbitrariedades.

Os que tramaram contra o governo dele. Na verdade, qualquer pessoa que discorde dele. Em um contexto não 

totalitarista o termo não tem essa abrangência. Pessoas leais entre si podem ter discordâncias ideológicas.



7. A informação não é verdadei-

ra, objetivamente. O emprésti-

mo citado destina-se principal-

mente a construir a rodovia que 

deverá ter o nome dele, para 

satisfazer sua vaidade.

 Comente com os alunos que 

ditadores costumam confundir 

o Estado com sua própria pes-

soa civil, como faz Juventino 

Carrera. Um presidente repre-

senta o Estado, não é o Esta-

do, como queria o rei Luís XVI 

com sua famosa frase “O Esta-

do sou eu” (L´état c´est moi).

8.  Resposta possível: os dita-

dores mudam de opinião de 

acordo com sua conveniência. 

Por isso, quanto menos registro 

existir de suas palavras, tan-

to melhor. Podemos também 

identificar alguma ironia do 

enunciador, já que todo ditador 

parece ser contrário à cultura, e 

a escrita é uma das mais impor-

tantes ferramentas na produção 

cultural e seu registro.



9.  “O diabo sabe muito mais 

por ser velho do que por ser 

diabo”: mais vale a experiên-

cia que a informação; raposa 

velha: pessoa com experiên-

cia, astuta; em que pé: em 

que situação, em que ponto; 

perder as estribeiras: perder 

a paciência; exaltar-se; entrar 

numa lenga-lenga: entabular 

uma conversa monótona e 

fastidiosa; essas duas figuras: 

pessoas;  gringo: estrangeiro; 

quer me ver pelas costas: quer 

me ver longe; papa-hóstia: ter-

mo de uso informal utilizado 

para definir, pejorativamente, 

indivíduo muito religioso (al-

guns estudiosos o consideram 

gíria); botem a cabeça de fora: 

comecem a agir; vamos deixar 

o barco correr: vamos deixar 

as coisas seguirem seu ritmo.

 Após a leitura, comente a ironia, quase desdém, de Rodrigo em relação aos demais frequentadores do bar. Mostre que, no final, ele se mostra 

amistoso, o que nos permite concluir que o  desafio foi só uma maneira de firmar posição. Rodrigo confessa que não tinha a menor intenção de 

brigar. Chame a atenção para a bravata da frase feita utilizada por Rodrigo: “— Buenas e me espalho! 

Nos pequenos dou de prancha e nos grandes dou de talho!”.

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CAPêTULO 6  CARTA PESSOAL

TEXTO 3

Um certo capitão 

Rodrigo

Érico Veríssimo

Toda a gente tinha achado estranha a maneira 

como o Cap. Rodrigo Cambará entrara na vida de 

Santa Fé. Um dia chegou a cavalo, vindo ninguém 

sabia de onde, com o chapéu de 




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