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espingarda de pederneira

 

num ombro, o saco da 



matalotagem

 no outro. 

Caminharam bem três léguas antes que a barra 

do nascente aparecesse. 

Fizeram alto. E Fabiano depôs no chão parte da 

carga, olhou o céu, as mãos em pala na testa. Ar-

rastara-se até ali na incerteza de que aquilo fosse 

realmente mudança. Retardara-se e repreende-

ra os meninos, que se adiantavam, aconselhara-

-os a poupar forças. A verdade é que não queria 

afastar-se da fazenda. A viagem parecia-lhe sem 

Di

vulg



ação/Arqui

v

o da editora



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 aió:

 bolsa feita de fibra 

de caroá. 

alazão:

 que tem pelos 

cor de canela, amarelo- 

-avermelhados. 



espingarda de 

pederneira:

 espingarda 

de caça na qual o 

mecanismo se encontra 

no exterior da arma. 

folha:

 metal. 


matalotagem:

 provisão 

de mantimentos. 

taramela:

 trava, em 

geral de madeira ou 

metal.


Cena de Vidas secas, de Nelson Pereira dos Santos, 1963, 

baseado no romance de mesmo nome escrito por Graciliano 

Ramos. Na foto, a atriz Maria Ribeiro no papel de Sinha Vitória. 

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CAPÍTULO 5  RELATOS DE VIDA

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  Dois motivos obrigaram a família a retirar-se da fazenda. Escreva no caderno 



quais são eles.

15

  Identifique o trecho em que se compara Fabiano a um escravo. O que se pode 



entender por escravidão nesse contexto?

16

  Diante da proximidade da seca, tanto Fabiano quanto Sinha Vitória buscam 



uma solução mística. Qual?

17

  Ao tentar controlar a marcha dos filhos, na verdade Fabiano está disfarçando 



um estado de espírito. Identifique-o e justifique sua escolha no caderno, com 

um trecho do texto.

18

  Fabiano sabe decifrar os sinais da natureza. Em que trecho se narra essa habi-



lidade?

19

  Que reação de Fabiano, no final do capítulo, demonstra que ele não se con-



forma com o fato de ter de abandonar a fazenda?

20

  O universo de qualquer trabalhador apresenta características próprias.



a) 

Identifique no texto elementos que caracterizam o universo de atuação de 

Fabiano.

b) 


Fabiano não é proprietário dos instrumentos com que trabalha — a terra, 

os animais, o arado, etc. não lhe pertencem. Podemos dizer então que sua 

relação com o meio (o local) é estável ou provisória?

c) 


Como se pode caracterizar a identidade social do trabalhador Fabiano? 

Responda no caderno e justifique sua resposta com um trecho do texto. 

d) 

Dessa perspectiva, Fabiano se define mais como vaqueiro ou como retiran-



te? Por quê?

e) 


No segundo parágrafo, a indecisão de Fabiano entre partir e ficar é expres-

sa em ações construídas com o recurso da metonímia. Copie esse trecho 

em seu caderno. 

21

  Identifique o discurso indireto livre no segundo parágrafo. 



22

  Basicamente, os direitos do cidadão são: gozar do domínio sobre o próprio 

corpo, ter acesso a um salário condizente para promover a própria vida, usu-

fruir do direito à educação, à saúde, à habitação e ao lazer. Desse ponto de 

vista, Fabiano pode ser considerado um cidadão? Justifique sua resposta.

José Lins do Rego

Na tendência regionalista da segunda fase do Modernismo brasileiro, sobressai 

também a obra de José Lins do Rego, principalmente nos romances Menino de 

engenho (1932) e Fogo morto (1943).

Em Menino de engenho — romance que é também um livro de memórias, 

construído com elementos das experiências vividas pelo autor —, a persona-

gem central é Carlinhos, que ainda criança enfrenta a morte trágica da mãe, 

Clarisse. Depois vai morar com o avô, na fazenda Santa Rosa, até ir para um 

internato, estudar. 

Leia, a seguir, um trecho em que ele conta o episódio da morte da mãe.

A iminência da seca e a dívida com o patrão, que Fabiano julga exagerada.

“[...] como negro fugido” (texto 3, linha 21). Resposta possível: A escravidão se refere às dívidas que em geral 

os trabalhadores rurais contraem com os patrões e que dificilmente conseguem pagar.

Ambos rezam, esperando um milagre.

Fabiano disfarça sua indecisão em abandonar a fazenda. “A verdade é que não queria afastar-se da fazenda.”

No penúltimo parágrafo e no início do último parágrafo descreve-se essa habilidade de Fabiano.

A interjeição áspera com que ele ordena a marcha.

O chiqueiro, o curral, o cavalo de fábrica, a égua, as catingueiras.

A ligação de Fabiano com o meio é transitória, instável.



20. c) Sua identidade como 

trabalhador é precária, circuns-

tancial, como se deduz deste 

fragmento: “[...] pensando em 

coisas alheias” (texto 3, linha 

62).


A personagem se define predominantemente como retirante, pela natureza de sua ligação com o meio.

“E os pés dele esmoreciam, as alpercatas calavam-se na escuridão [...] as alper-

catas chiavam de novo no caminho coberto de seixos” (texto 3, linhas 67-71).

“Podia continuar a viver num cemitério? [...] Seria necessário largar tudo?” (texto 3, linhas 58-70). A interro-

gação, se fosse feita pelo narrador, teria outra forma.

Não, pois a personagem não goza de um único direito entre os apontados.

R

eprodução/Editora R



ecord

Vidas secas, de 

Graciliano Ramos 

(editora Record).

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UNIDADE 3  MUNDO DO TRABALHO (I)

TEXTO 4

Menino de engenho

José Lins do Rego

Eu tinha uns quatro anos no dia em que minha mãe 

morreu. Dormia no meu quarto, quando pela manhã 

acordei com um enorme barulho na casa toda. Eram 

gritos e gente correndo para todos os cantos. O quarto 

de dormir de meu pai estava cheio de pessoas que eu 

não conhecia. Corri para lá e vi minha mãe estendida 

no chão e meu pai caído em cima dela como um lou-

co. A gente toda que estava ali olhava para o quadro 

como se estivesse a assistir a um espetáculo. Vi então 

que minha mãe estava toda banhada em sangue, e 

corri para beijá-la, quando me pegaram pelo braço 

com força. Chorei, fiz o possível para livrar-me. Mas 

não me deixaram fazer nada. Um homem que chegou 

com uns soldados mandou então que todos saíssem, 

que só podia ficar ali a Polícia e mais ninguém.

Levaram-me para o fundo da casa, onde os co-

mentários sobre o fato eram os mais variados. O 

criado, pálido, contava que ainda dormia quando 

ouvira uns tiros no primeiro andar. E, correndo para 

cima, vira o meu pai ainda com o revólver na mão e a 

minha mãe ensanguentada. “O doutor matou a Dona 

Clarisse! Por quê?” Ninguém sabia compreender.

O que eu sentia era uma vontade desesperada 

de ir para junto de meus pais, de abraçar e beijar 

minha mãe. Mas a porta do quarto estava fechada, 

e o homem sisudo que entrara não permitia que 

ninguém se aproximasse dali. O criado e a ama, di-

ziam, estavam lá dentro em interrogatório. O que 

se passou depois não me ficou bem na memória.

À tarde o criado leu para a gente da cozinha os 

jornais com os retratos grandes de minha mãe e de 

meu pai. Ouvi como se aquilo fosse uma história de 

Trancoso. Pareciam-me tão longe, já, os fatos da ma-

nhã, que aquela narrativa me interessava como se não 

fossem os meus pais os protagonistas. Mas logo que vi 

na página de um dos jornais a minha mãe, estendida, 

com os cabelos soltos e a boca aberta, caí num choro 

convulso. Levaram-me então para a praça que ficava 

perto de minha casa. Lá estavam outros meninos do 

meu tamanho e eu brinquei com eles a tarde toda. As 

criadas é que conversavam muito sobre o meu pai e 

a minha mãe, contando umas às outras coisas a que 

eu não prestava atenção, pois no que eu cuidava era 

nos meus brinquedos com os amigos.

Na hora de dormir foi que senti de verdade a au-

sência da mãe. A casa vazia e o quarto dela fechado. 

Um soldado tomando conta de tudo. As criadas da 

vizinhança queriam vir conversar por ali. O soldado 

não consentia. Deitaram-me a dormir, sozinho. E o 

sono demorou a chegar. Fechava os olhos, mas falta-

va-me qualquer coisa. Pela minha cabeça passavam, 

às pressas e truncados, os sucessos do dia. Então 

começava a chorar baixinho para o travesseiro, um 

choro abafado, de quem tivesse medo de chorar.

[...]


REGO, José Lins do. Menino de engenho

Rio de Janeiro: José Olympio, 2006.

 Sugerimos que o texto seja discutido oralmente com a classe. Um dos temas importantes da obra é a infância do menino

cheia de aventuras no espaço da fazenda: as conversas com os demais garotos e os casos contados pelas negras da casa-grande 

deixariam marcas na personagem adulta. Outro tema que percorre a obra é a decadência da estrutura rural latifundiária e aristo-

crática. Procure relacionar a narrativa com o gênero memórias, estudado no capítulo.

JosŽ Lins do Rego

 (1901-1957) nasceu em Pilar, na Paraí-

ba, e morreu no Rio de Janeiro. Foi criado no engenho 

do avô materno. Formado em Direito no Recife, exerceu 

o cargo de promotor público. Em 1953 transferiu-se de-

finitivamente para o Rio de Janeiro.

Em sua produção literária, destacam-se os romances Me-

nino de engenho (1932), Doidinho (1933), Banguê (1934), 

O moleque Ricardo (1935), Usina (1936) e Fogo morto (1943).

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eprodução/Ed. J

osé Olympio

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As demais tendências da prosa, assim como a poesia da segunda fase moder-



nista, serão estudadas no próximo capítulo. 

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CAPÍTULO 5  RELATOS DE VIDA

Língua – análise e reflexão

Mecanismos sintáticos de coesão e 

coerência (I): a concordância

Os dêiticos e termos como os pronomes são importantes mecanismos sintáti-

cos e semânticos de coesão e coerência textual. Além desses, há outros processos 

envolvidos na coesão: a concordância e a regência. Neste capítulo e no próximo, 

você retomará o estudo gramatical desses dois processos.

O que é concordância

Ao compor um enunciado, você estabelece conexões sintáticas entre as pala-

vras, o que cria uma hierarquia interna ao enunciado e o torna compreensível. As 

chamadas funções sintáticas (sujeito, predicado, objeto direto e objeto indireto, 

adjuntos adverbiais, etc.) se estabelecem por meio dessas conexões. 

No Capítulo 1 você estudou as principais desinências envolvidas nos 

mecanismos de flexão verbal e nominal. Retome esse estudo se necessário.

concordância é uma das formas que a língua utiliza para tornar explícitas 

essas conexões e se faz por meio de marcas que se repetem nas palavras ao longo 

de uma cadeia sintática. Essas marcas estão ligadas às flexões verbais e nominais.

A gramática considera a existência de dois tipos de concordância: a do verbo 

com o sujeito da oração (concordância verbal) e a do substantivo com seus ad-

juntos adnominais ou predicativos (concordância nominal). Observe as frases 

que seguem:

 [...]  um jovem [...] invadiu a pista e, acenando, fez o ônibus parar. 

(texto 1, linhas 197-199)

 

sujeito na 



verbo na

 

3ª- pessoa 



3ª- pessoa

 

do singular 



do singular

O verbo invadir está na 3ª- pessoa do singular, concordando com o sujeito, um jovem (ele).

[...] nada me força a exames vagarosos. 

(texto 2, linhas 130-131)

 

substantivo adjetivo



 

masculino masculino

 

plural 


plural

O adjetivo vagarosos está concordando em gênero (masculino) e número (plural) com o 

substantivo exames.

Como você pode perceber, nos dois exemplos há igualdade de flexões entre 

o verbo e o sujeito (de pessoa e número) e entre o substantivo e o adjetivo (de 

gênero e número). Essas marcas flexionais (número e pessoa para o sujeito e o 

verbo; gênero e número para o substantivo e seus adjuntos ou predicativos) dei-

xam evidentes as relações entre esses termos da oração, indicando a conexão 




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